The Fort Worth Press - Flávio avança, Lula resiste

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Flávio avança, Lula resiste




Vantagens numéricas em simulações de segundo turno pressionam o presidente, mas diferenças entre levantamentos e elevada rejeição mantêm a eleição em aberto.

Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva em parte das pesquisas de segundo turno divulgadas em setembro. O resultado dá consistência eleitoral ao desafio do senador do PL, mas não autoriza anunciar uma liderança nacional consolidada. No retrato disponível em 13 de setembro de 2026, há levantamentos favoráveis ao candidato bolsonarista, outros que colocam Lula à frente e simulações em que os dois registram exatamente o mesmo percentual. A disputa está apertada; o desfecho, longe de definido.

A três semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, a diferença entre uma vantagem numérica e um favoritismo efetivo tornou-se central. Dizer que Flávio está na frente pode descrever corretamente determinada pesquisa. Transformar essa informação em diagnóstico de toda a eleição, porém, exige ignorar resultados que apontam em outra direção.

Onde Flávio aparece à frente
Um levantamento nacional divulgado em 10 de setembro atribuiu 47% das intenções de voto a Flávio e 45% a Lula em um eventual segundo turno. Foram realizadas 3.000 entrevistas por telefone, entre 6 e 9 de setembro, em 623 municípios das 27 unidades da Federação. A margem de erro informada foi de 1,8 ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Era a segunda rodada consecutiva daquela série em que o senador aparecia numericamente à frente. Na comparação semanal, Flávio passou de 45% para 47%, enquanto Lula foi de 44% para 45%. A sequência oferece ao candidato do PL um argumento político: sua competitividade não depende de um único resultado isolado. Ainda assim, as oscilações são pequenas e o confronto permanece tecnicamente empatado. O sinal é de pressão sobre o presidente, não de vitória encaminhada.

O primeiro turno conta outra história
A pesquisa nacional divulgada em 11 de setembro apresentou Lula com 39% e Flávio com 35% no primeiro turno. No confronto direto entre os dois, o presidente registrou 46% e o senador, 44%. O levantamento ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios, entre 8 e 10 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais. Nesse caso, a vantagem numérica no segundo turno era de Lula, também em situação de empate técnico.

Já uma sondagem publicada em 7 de setembro apontou 36% para Lula e 29% para Flávio no primeiro turno, mas igualdade de 41% no segundo. Foram 2.004 entrevistas presenciais, realizadas de 3 a 6 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Não há contradição em um candidato liderar a primeira etapa e enfrentar dificuldades na segunda. Com vários nomes na disputa, o eleitor pode escolher sua preferência inicial. Diante de apenas dois concorrentes, a decisão passa a envolver também a rejeição ao adversário, a disposição de votar e a possibilidade de anular ou deixar o voto em branco. São escolhas diferentes, não duas versões da mesma pergunta.

Empate técnico não significa igualdade absoluta
Uma pesquisa estima a opinião do eleitorado a partir de uma amostra. Por isso, a posição de um candidato na tabela precisa ser interpretada junto com a incerteza dos resultados. Uma diferença estreita não permite tratar a ordem apresentada como prova de uma vantagem segura na população.

A expressão empate técnico tampouco significa que os candidatos tenham exatamente o mesmo apoio ou probabilidades idênticas de vencer. Ela indica cautela na leitura da diferença observada. Também seria um erro juntar percentuais de levantamentos com datas e métodos distintos como se todos integrassem uma única série. Para identificar uma tendência, importa acompanhar a evolução de cada pesquisa e verificar se o movimento se repete em outras medições.

A geografia impede conclusões apressadas
Os resultados estaduais divulgados em 12 de setembro ajudam a entender por que afirmações genéricas sobre liderança podem induzir ao erro. Em São Paulo, Flávio marcou 47% contra 42% de Lula em uma simulação de segundo turno. No Rio de Janeiro, o senador apareceu com 49%, ante 41% do presidente. No Distrito Federal, a relação foi de 51% a 39%. O quadro se inverteu em Pernambuco, onde Lula alcançou 61% e Flávio, 30%. Em Minas Gerais, os dois ficaram muito próximos: 46% para o presidente e 45% para o senador. As entrevistas ocorreram de 8 a 10 de setembro. A margem de erro foi de dois pontos percentuais em São Paulo e de três em Minas Gerais.

Essas diferenças não se resolvem pela contagem dos estados em que cada candidato aparece à frente. A eleição presidencial depende da votação nacional, não de um placar de vitórias estaduais. Uma vantagem localizada, por mais expressiva que seja, não substitui uma estimativa para o conjunto do país. Da mesma forma, um desempenho favorável em Pernambuco não pode ser automaticamente estendido a todo o Nordeste.

A rejeição limita os dois candidatos
Outro levantamento divulgado em 11 de setembro mostrou rejeição de 46% tanto a Lula quanto a Flávio: esse era o percentual de entrevistados que declaravam não votar de maneira alguma em cada um. Em uma medição distinta, publicada no dia anterior, a rejeição havia sido de 50% ao presidente e de 45% ao senador.

Os indicadores não devem ser misturados, mas apresentam um problema comum às duas candidaturas: crescer exige enfrentar resistências amplas. Ter um eleitorado fiel ajuda a sustentar uma campanha; não elimina, contudo, a necessidade de ampliar a aceitação fora dele. A disputa não se resume a quem consegue mobilizar melhor seus apoiadores mais convictos.
Rejeição também não é voto automaticamente transferível. Quem descarta Lula não necessariamente escolhe Flávio; quem rejeita o senador não necessariamente adere ao presidente. No confronto direto publicado em 7 de setembro, além dos 41% atribuídos a cada candidato, 5% estavam indecisos e 13% afirmavam que não votariam em nenhum dos dois. Esse contingente não pertence previamente a nenhum dos lados.

A crise institucional não explica tudo
A tensão no Supremo Tribunal Federal acrescenta uma variável à campanha, mas não permite estabelecer, por si só, a causa de uma oscilação eleitoral. Em resultados divulgados em 13 de setembro, 85% dos entrevistados disseram que as acusações envolvendo Alexandre de Moraes não haviam alterado sua preferência para presidente. No caso dos questionamentos relacionados a André Mendonça, 86% declararam não ter mudado o voto.

São respostas sobre a percepção dos próprios eleitores, não uma demonstração de que os acontecimentos sejam politicamente irrelevantes. Ainda assim, elas enfraquecem explicações que atribuem automaticamente cada avanço ou recuo nas pesquisas à crise entre autoridades. Uma controvérsia pode dominar o debate público sem produzir, na mesma proporção, transferência imediata de votos.

A data da coleta impõe outro limite: entrevistas encerradas antes de um novo acontecimento não medem a reação a ele. O resultado divulgado depois pode parecer atualíssimo, embora retrate opiniões formadas em um momento anterior. Confundir o dia da publicação com o período das entrevistas produz interpretações mais categóricas do que os dados permitem.

Competitividade não é vitória antecipada
Para Flávio, aparecer à frente em determinadas simulações reforça a condição de adversário competitivo. Para Lula, manter vantagem em outras pesquisas mostra que a disputa não está perdida. A leitura conjunta dos números exige reconhecer as duas coisas, sem selecionar apenas o levantamento mais conveniente a uma narrativa. Até 4 de outubro, o desafio eleitoral será converter preferência declarada em voto efetivo. Se houver segundo turno, previsto para 25 de outubro, a disputa passará por uma nova escolha entre os dois candidatos classificados. Nenhuma simulação substitui essas etapas.

O dado politicamente relevante não é a existência de um vencedor antecipado, mas a ausência de distância confortável entre os principais concorrentes em vários confrontos diretos. Flávio já aparece na frente em algumas pesquisas; Lula continua competitivo e numericamente à frente em outras. É nessa diferença entre vantagem pontual e favoritismo consolidado que se encontra a verdadeira dimensão da eleição de 2026.