The Fort Worth Press - Onda de calor sufoca Europa e testa redes elétricas

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Onda de calor sufoca Europa e testa redes elétricas
Onda de calor sufoca Europa e testa redes elétricas / foto: © AFP

Onda de calor sufoca Europa e testa redes elétricas

A onda de calor na Europa afeta quase 100 milhões de pessoas e coloca as redes elétricas à prova, com sobrecargas e dezenas de milhares de cidadãos sem energia.

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Mais de 90 milhões de pessoas enfrentaram temperaturas acima de 35°C nesta quarta-feira (24), segundo cálculos da AFP, a maioria delas na França e na Espanha.

Várias regiões do Reino Unido foram colocadas em alerta vermelho para calor extremo até a noite de quinta-feira. Esta é a segunda vez que esse alerta é ativado desde 2021, ano em que foi criado.

Nesta quarta-feira, o país bateu seu recorde histórico de temperatura em um mês de junho, com 35,7 ºC, informou a agência britânica de meteorologia (UK Met Office). Na França e na Espanha, a onda de calor também provocou recordes de temperatura.

Três mortes "atestadas em domicílio" em Pas-de-Calais, norte da França, podem estar relacionadas à onda de calor, anunciou a prefeitura na noite de hoje.

Em Roma, igualmente em alerta vermelho e com máximas de 35 ºC, muitos entregadores de bicicleta foram obrigados a trabalhar apesar do risco para a saúde.

"Se não fizermos quatro ou cinco horas por dia, como vamos poder comer, nos vestir e pagar tudo?", disse à AFP o paquistanês Omer Iliaz, de 22 anos. Segundo contou, ele ganha entre 30 e 70 euros (177 a 411 reais) por dia, em jornadas de 10 horas.

Mais de 350 milhões de europeus — quase dois terços da população, excluindo a Turquia — devem enfrentar temperaturas acima de 30°C, segundo previsões meteorológicas e projeções demográficas.

- Recordes -

Com temperaturas recorde resultantes de uma enorme massa de ar quente vinda da África, posicionada sobre a Europa Ocidental e comprimida pela alta pressão atmosférica, a França vive seu quarto dia consecutivo sob alerta vermelho devido à onda de calor

Nesta quarta-feira, com uma média de 30 ºC, a França viveu seu dia "mais quente" desde 1947, quando começaram os registros, indicou o órgão público Météo-France. Na quinta-feira, três quartos do país estarão em alerta máximo, segundo esse instituto.

Desde o início da atual onda de calor, em 17 de junho, mais de 50 departamentos da França metropolitana, ou seja, metade do país, registraram temperaturas de 40°C ou mais, segundo uma análise da AFP.

O fenômeno forçou a redução dos níveis de operação em algumas usinas nucleares. No oeste da França, geradores tiveram que ser conectados com urgência para fornecer energia a lares de idosos afetados por uma falha em um transformador "relacionada ao calor intenso".

Cerca de 68.000 residências estão sem energia elétrica até pelo menos "o final do dia", de acordo com a Prefeitura.

Também foram batidos recordes de temperatura na Espanha, que registrou seus dias mais quentes para um mês de junho desde 1950 na segunda-feira (28,08 ºC) e na terça-feira (28,17 ºC), informou a agência estatal de meteorologia Aemet.

- Saúde em risco -

"A onda de calor que atinge a Europa força o fechamento de escolas e coloca em risco a saúde pública", alertou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, na rede X.

"Os dados são claros: as temperaturas em toda a Europa sobem a um ritmo aproximadamente duas vezes maior do que a média global, o que aumenta a probabilidade e gravidade de futuros eventos de calor extremo", afirmou.

Autoridades públicas enfrentam críticas relacionadas principalmente ao isolamento térmico de escolas e hospitais.

- Ar-condicionado -

Assim como acontece a cada onda de calor, os aparelhos de ar-condicionado esgotaram nas lojas. O grupo francês Carrefour contabilizava na última segunda-feira 30 mil unidades vendidas, "mil vezes mais do que em um dia comum", informou seu presidente, Alexandre Bompard, à BFMTV.

As vendas na Amazon praticamente dobraram, e a Fnac Darty mencionou um crescimento de dois dígitos. No Reino Unido, a operadora Neso alertou a indústria para possíveis problemas na rede elétrica durante a noite.

A engenheira Yana Markevitch, 33, lançou uma petição para que os proprietários instalem aparelhos de ar-condicionado nos imóveis para aluguel.

M.McCoy--TFWP