80 proprietários de Tesla na Coreia do Sul enfrentam prisão por hackear FSD
Na Coreia do Sul, as autoridades identificaram aproximadamente 80 proprietários de Tesla que utilizaram métodos ilegais para ativar o sistema de condução autónoma Full Self-Driving (FSD) nos seus veículos. Os condutores foram remetidos ao Ministério Público após uma investigação policial que revelou a instalação de módulos eletrónicos não autorizados para contornar as restrições geográficas e de homologação do software.
Na Coreia do Sul, cerca de 80 proprietários de veículos Tesla foram identificados e remetidos ao Ministério Público por terem utilizado métodos ilegais para ativar o modo de condução autónoma nos seus automóveis. O caso ganhou relevância após uma investigação policial que detetou a manipulação direta do software de controlo dos carros, expondo as consequências legais e técnicas de contornar as restrições regionais de funcionalidade.
Os visados enfrentam agora sanções severas ao abrigo da legislação sul-coreana de segurança rodoviária e gestão de veículos motorizados. A moldura penal prevista pode atingir os dois anos de prisão efetiva ou multas financeiras que rondam os 20 milhões de wons, o equivalente a mais de 13 mil euros. Em causa está a violação direta das normas de homologação técnica, que ditam que qualquer alteração a sistemas críticos de direção e assistência deve ser validada pelas entidades competentes.
A investigação revelou que os utilizadores recorreram a pequenos módulos eletrónicos de terceiros, adquiridos em plataformas estrangeiras, para injetar comandos na rede interna dos veículos. Ao serem ligados à cablagem do carro, estes aparelhos contornavam as proteções geográficas e forçavam o sistema a disponibilizar os recursos de condução autónoma em modelos não certificados para o efeito. As autoridades apreenderam mais de duas dezenas destes dispositivos durante as operações.
O processo não se resumia à instalação física do hardware não oficial. Os condutores organizavam-se através de comunidades online onde partilhavam esquemas de montagem, ficheiros modificados e métodos para tentar apagar os registos telemáticos dos carros. O objetivo era evitar que as ferramentas de diagnóstico da própria marca detetassem as anomalias durante revisões ou através de comunicações remotas.
A raiz deste problema técnico e legal reside na origem dos veículos no mercado sul-coreano. As versões mais recentes do software de assistência avançada receberam autorização apenas para unidades importadas dos Estados Unidos, como o Model S e o Model X. Pelo contrário, as variantes mais vendidas, como o Model 3 e o Model Y montados na fábrica de Xangai, não obtiveram a certificação regulatória necessária para rodar com o sistema totalmente ativo em vias públicas.
Inconformados com a barreira imposta pelo software, estes condutores optaram pelo atalho técnico. A fabricante já esclareceu que o recurso a dispositivos não autorizados anula de imediato a garantia de fábrica do automóvel. Do ponto de vista técnico e legal, qualquer anomalia de funcionamento, acidente ou perda de controlo resultante desta adulteração passa a ser da exclusiva responsabilidade de quem alterou o veículo.
A facilidade com que alguns utilizadores encaram as alterações de software esquece frequentemente que um automóvel não é um smartphone. Quando comandos adulterados entram no barramento de controlo de um veículo de duas toneladas em plena via pública, o risco deixa de ser apenas informático e passa a ser uma ameaça direta à segurança de todos na estrada.
D.Ford--TFWP