The Fort Worth Press - De Auschwitz ao TikTok, como os jovens aprendem sobre o Holocausto

USD -
AED 3.6725
AFN 63.49826
ALL 81.649957
AMD 368.209891
ANG 1.790403
AOA 917.503082
ARS 1436.737304
AUD 1.425435
AWG 1.8
AZN 1.699145
BAM 1.685177
BBD 2.015096
BDT 122.817901
BGN 1.69088
BHD 0.377104
BIF 2991
BMD 1
BND 1.281762
BOB 6.938712
BRL 5.090801
BSD 1.000526
BTN 94.560525
BWP 13.406112
BYN 2.76997
BYR 19600
BZD 2.012252
CAD 1.41373
CDF 2320.000121
CHF 0.804625
CLF 0.022506
CLP 885.759871
CNY 6.75745
CNH 6.77684
COP 3435
CRC 455.716489
CUC 1
CUP 26.5
CVE 95.350078
CZK 20.80205
DJF 177.719866
DKK 6.43614
DOP 58.599944
DZD 132.878973
EGP 49.908197
ERN 15
ETB 158.375021
EUR 0.872536
FJD 2.2337
FKP 0.746465
GBP 0.757275
GEL 2.644999
GGP 0.746465
GHS 11.2977
GIP 0.746465
GMD 72.999684
GNF 8777.499016
GTQ 7.626359
GYD 209.290102
HKD 7.83712
HNL 26.697197
HRK 6.574203
HTG 130.666299
HUF 300.649642
IDR 17748.6
ILS 2.939675
IMP 0.746465
INR 94.309498
IQD 1310
IRR 1374999.999942
ISK 124.330031
JEP 0.746465
JMD 158.238482
JOD 0.709019
JPY 160.262999
KES 129.520178
KGS 87.449762
KHR 4012.493065
KMF 424.999812
KPW 900.00035
KRW 1511.864997
KWD 0.308098
KYD 0.8338
KZT 487.920041
LAK 22029.999804
LBP 89550.000054
LKR 335.185855
LRD 182.14983
LSL 16.194858
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.37502
MAD 9.245017
MDL 17.459223
MGA 4199.999949
MKD 53.086638
MMK 2099.945791
MNT 3579.382153
MOP 8.072446
MRU 40.080045
MUR 47.130241
MVR 15.460244
MWK 1736.000257
MXN 17.35501
MYR 4.064804
MZN 63.902105
NAD 16.201917
NGN 1359.119651
NIO 36.6101
NOK 9.743515
NPR 151.295881
NZD 1.736744
OMR 0.384498
PAB 1.000526
PEN 3.41251
PGK 4.38775
PHP 60.373009
PKR 278.298187
PLN 3.64767
PYG 6105.515298
QAR 3.640502
RON 4.507036
RSD 101.071054
RUB 72.971546
RWF 1488
SAR 3.751894
SBD 8.061424
SCR 14.115123
SDG 600.499323
SEK 9.583545
SGD 1.28203
SHP 0.746601
SLE 24.750291
SLL 20969.503664
SOS 571.507527
SRD 37.332026
STD 20697.981008
STN 21.4
SVC 8.754244
SYP 110.532098
SZL 16.19688
THB 32.534501
TJS 9.274765
TMT 3.51
TND 2.91175
TOP 2.40776
TRY 46.437245
TTD 6.796543
TWD 31.558502
TZS 2625.00297
UAH 44.808889
UGX 3701.565583
UYU 40.393596
UZS 12004.999858
VES 596.036397
VND 26326
VUV 118.988901
WST 2.739751
XAF 565.192704
XAG 0.015268
XAU 0.000238
XCD 2.70255
XCG 1.803205
XDR 0.703697
XOF 565.000179
XPF 103.250281
YER 238.625025
ZAR 16.437505
ZMK 9001.193843
ZMW 17.684109
ZWL 321.999592
De Auschwitz ao TikTok, como os jovens aprendem sobre o Holocausto
De Auschwitz ao TikTok, como os jovens aprendem sobre o Holocausto / foto: © AFP/Arquivos

De Auschwitz ao TikTok, como os jovens aprendem sobre o Holocausto

Era uma adolescente como eles. "Cheguei aqui em 2 de setembro de 1943", começa a contar no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau a sobrevivente francesa Esther Senot para estudantes do ensino médio. Um testemunho em primeira pessoa que, em breve, não será mais possível.

Tamanho do texto:

Nesta noite gélida de dezembro, cerca de cem jovens ouvem a ex-deportada que, aos quase 97 anos, ainda fez questão de viajar para explicar o horror de Auschwitz, 80 anos após sua libertação pelo Exército Vermelho em 27 de janeiro de 1945.

"Dormíamos 18 pessoas por cama. Por volta das cinco da manhã, a chefe do bloco nos fazia sair à força, batendo com um bastão. Tirávamos os que morreram durante a noite para contá-los...".

"Eu tinha uma ideia fixa: não posso morrer aos 15 anos", continua, relatando como reencontrou sua irmã de 17 anos no campo, tão desnutrida que ela mal a reconheceu. "Ela me disse: 'Eu não vou viver muito tempo. Você é jovem, prometa-me que, se voltar, contará nossa história, para que não sejamos esquecidas pela História.'"

Construído na Polônia ocupada, Auschwitz-Birkenau é o símbolo do genocídio perpetrado pela Alemanha nazista, que resultou na morte de seis milhões de judeus, incluindo cerca de um milhão assassinados no campo entre 1940 e 1945.

Para os adolescentes, que viram as malas, utensílios e cabelos que os deportados tiveram que abandonar antes de sua execução, os barracões cercados por arame farpado, as câmaras de gás e o crematório, o impacto foi direto.

"Nos falaram dos números nas aulas, mas, aqui, percebemos o que as pessoas realmente viveram", explica Charlotte, de 16 anos, aluna do colégio Saint Jean Hulst, em Versalhes, próximo a Paris, onde os 15 alunos que participaram da viagem compartilharam suas impressões uma semana depois.

"Como nasci em 2008, eu não achava que teria a oportunidade de ouvir uma sobrevivente. Fui tocado pelas roupas, pelas malas... Isso deu uma dimensão física ao que eu considerava apenas fatos históricos", acrescenta Raphaël, de 16 anos.

O trabalho de preparação foi longo, acontecendo todas as quintas-feiras pela manhã: "Não podemos simplesmente levá-los, é preciso prepará-los", explica Camille de Hillerin, responsável pedagógica pelas viagens a Auschwitz.

Foram feitas leituras, visita à sinagoga e ao Memorial do Holocausto em Paris, apresentação de testemunhos em vídeo e aulas sobre o crescimento do antissemitismo na Europa. "Focamos nosso trabalho na transmissão dos testemunhos e na ideia de fraternidade, que foi destruída pelos campos", acrescenta ela.

Antes de sair do barracão escuro, Esther Senot exortou os jovens ao seu redor: "Se nós, na nossa idade, dedicamos tempo para alertá-los, é na esperança de que isso não se repita."

- "Testemunhas das testemunhas" -

Esse é o propósito de levar os jovens hoje a Auschwitz, explica Haïm Korsia, grande rabino da França – país que abriga a maior comunidade judaica da Europa –, que organiza essas viagens da memória há mais de 20 anos: "Eles se tornam testemunhas das testemunhas."

Mas, em breve, os últimos sobreviventes desaparecerão. Em dezembro, Henri Borlant, único sobrevivente entre as 6 mil crianças judias da França deportadas para Auschwitz em 1942, faleceu aos 97 anos. Claude Bloch, último sobrevivente de Auschwitz em Lyon, faleceu em janeiro de 2024 aos 95 anos.

"Precisamos refletir sobre uma forma de continuar transmitindo toda essa história às gerações mais jovens, que possuem uma forma diferente de ouvir", avalia Alexandre Borycki, presidente da associação "Mémoire du Convoi 6 et des camps du Loiret" ("Memória do Comboio 6 e dos campos do Loiret"). Para os jovens do século XXI, o Holocausto "se torna História, como a Antiguidade."

Para envolver os jovens, ele lançou, em 2021, um projeto de "pesquisadores da memória" com turmas de estudantes do ensino médio. O objetivo é encontrar, a partir apenas de um nome, sobrenome e data de nascimento, o máximo de informações sobre pessoas internadas ou deportadas pela estação de Pithiviers.

A partir daí, os alunos "realizam uma espécie de investigação policial", pesquisando em arquivos, fazendo ligações telefônicas...

Milhares de judeus, detidos em Paris durante a batida policial do Vel'd'Hiv em julho de 1942, foram internados na estação de Pithiviers, de onde foram enviados em seis comboios para Auschwitz. A maioria não voltou.

- "Apagar todos os vestígios" -

O projeto permite enriquecer arquivos incompletos – sobre o comboio 6, pelo qual 928 pessoas foram deportadas, "temos uma biografia para apenas 350 a 400 deportados", explica Borycki.

Mas também possibilita compreender concretamente o caráter exterminador do Holocausto. Às vezes, "eles não encontram quase nada. Dizemos: 'Vocês entendem o que os nazistas queriam fazer ao tentar apagar todos os vestígios dessas pessoas?'"

Foi esse o desafio enfrentado pelos alunos do ensino médio de Boulogne-Billancourt, no subúrbio de Paris, que também procuravam informações sobre deportados judeus de sua cidade.

"Havia uma foto de uma criança sobre a qual não sabíamos nada: deixamos na exposição para mostrar que isso também é memória e que, infelizmente, ela pode desaparecer", explica o professor Paul, que prefere permanecer anônimo.

"Ensinar o Holocausto como parte da História tem, necessariamente, menos impacto do que realizar um projeto como esse", constata ele.

Para atingir os jovens da geração digital, a cineasta Sophie Nahum tomou uma decisão radical com sua série de vídeos "Les Derniers" ("Os Últimos"), em que registra os testemunhos dos últimos sobreviventes do Holocausto: vídeos curtos (de 8 a 10 minutos) e divulgação nas redes sociais, pois "é lá que estão os jovens."

"Os jovens leem pouco ou nada a imprensa, assistem muito pouco à televisão. Os longos documentários históricos nos grandes canais, eles não assistem", diz ela. Por outro lado, "um episódio de 10 minutos ou um trecho de 2 minutos no TikTok, eles assistirão, verão vários seguidos e aprenderão algo."

- "Difícil" -

Ao final de suas vidas, o grande temor dos sobreviventes é ver sua história esquecida após sua morte. Transmitir essa memória já não é fácil.

Em 2023, 140.275 alunos participaram de atividades organizadas na França pelo Memorial do Holocausto, que leva cerca de 2 mil estudantes por ano a Auschwitz.

Mas no campo Alexandre Borycki faz uma constatação direta: "O mais difícil é encontrar escolas interessadas. Algumas, infelizmente, nos dizem: 'Sabe, é muito difícil falar sobre isso.'' E isso "ainda mais desde 7 de outubro."

Raramente, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o antissemitismo foi tão elevado no mundo e na França, particularmente desde o ataque sem precedentes de 7 de outubro de 2023, no território israelense pelo movimento islamista Hamas, que desencadeou a guerra em Gaza.

Embora a cineasta Sophie Nahum acredite no potencial do TikTok para transmitir essas histórias, afirmando que "é realmente lá que estão os jovens e onde se alcançam os maiores números", ela também reconhece os perigos. "É claramente a rede mais violenta, e gerenciar isso é muito complicado."

O 7 de outubro "mudou muitas coisas que já estavam ali e latentes, mas isso fez a tampa explodir" de um antissemitismo "virulento", diz ela. "Hoje, não há mais nenhum tabu, nem mesmo em relação ao Holocausto; pode-se desejar a morte de um sobrevivente sem qualquer problema."

S.Rocha--TFWP