EUA retira encarregado de negócios da Nicarágua após rejeição a embaixadora
Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (13) que convocaram para consultas seu encarregado de negócios em Manágua, diante da recusa do governo nicaraguense em aprovar sua embaixadora indicada em agosto.
A rejeição a Natasha Franceschi "mostra a hipocrisia da sua retórica de respeito mútuo e seu desejo de criar um espetáculo político às custas do povo nicaraguense", manifestou o Departamento de Estado americano. "Por instruções do secretário de Estado, Marco Rubio, o encarregado de negócios retorna a Washington para consultas cruciais."
O governo nicaraguense se considera vítima do intervencionismo dos Estados Unidos. No mês passado, o Parlamento da Nicarágua aprovou uma reforma que proíbe a participação de opositores em qualquer processo eleitoral.
O movimento autoritário naquele país levou a Organização dos Estados Americanos (OEA) a emitir no último dia 2 uma condenação política e seus Estados-membros decidiram formar um grupo de negociação para tentar dialogar com Manágua. Os Estados Unidos declararam-se candidatos a integrar esse grupo.
Alguns países daquela região, como a República Dominicana, já fecharam suas embaixadas em Manágua, uma decisão replicada nos mesmos termos pelo governo de esquerda nicaraguense.
- "Direito de agredir" -
Após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, a Nicarágua ficou à margem de uma região que protagonizou uma guinada acentuada à direita, a qual Washington busca aproveitar.
O governo americano deseja que a América Latina isole política e economicamente o regime da Nicarágua, e, para isso, empreendeu sua própria campanha de sanções contra toda a cúpula do governo nicaraguense, seus ministérios e principais empresas.
Juntamente com seus parceiros da aliança de segurança Escudo das Américas, os Estados Unidos estudam aprovar em nível multilateral esse mesmo esquema de sanções, a fim de impedir que países como Nicarágua ou Cuba acessem as redes comerciais ou financeiras, exceto por motivos humanitários.
"As ditaduras que negam os direitos inalienáveis de seus cidadãos não deveriam desfrutar dos mesmos benefícios econômicos ou políticos que os governos comprometidos com a defesa da paz e da segurança hemisféricas", declarou Rubio no mês passado.
"Simplesmente por ser uma potência militar mundial, [os Estados Unidos] sentem-se no direito de agredir em qualquer parte do mundo", rebateu o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.
S.Palmer--TFWP