Reis da Espanha têm recepção calorosa durante visita a Ceuta
Os reis da Espanha foram recebidos nesta terça-feira (13) por uma multidão entusiasmada em Ceuta, enclave no norte da África cuja soberania é reivindicada pelo Marrocos, que o casal visita em um clima de tensão diplomática dois meses e meio após a entrada de milhares de migrantes procedentes do país vizinho.
Em sua primeira visita a Ceuta desde sua ascensão ao trono em 2014, Felipe VI e Letizia seguiram para a sede do governo da cidade, onde eram aguardados por milhares de moradores com bandeiras da Espanha e gritos de "Eu sou espanhol, espanhol" e "Ceuta unida, jamais será vencida".
"Esperávamos a visita há muito tempo. Significa muito porque é um apoio para que o vizinho ao lado, o Marrocos, não fique sempre com essa intenção de que Ceuta e Melilla são do Marrocos", afirmou à AFP Toñi Jiménez, auxiliar de enfermagem de 56 anos.
Os reis, que passarão a noite em Ceuta, seguirão na quarta-feira (14) para Melilla, o outro enclave espanhol no norte da África.
O último rei espanhol que visitou os dois enclaves foi Juan Carlos I, pai do atual monarca, em novembro de 2007. A viagem provocou uma crise diplomática com Rabat, que reivindica a soberania sobre os dois territórios.
Poucos dias antes da visita, o rei do Marrocos, Mohammed VI, negou qualquer "pressão" ou "chantagem" sobre a cooperação com a Espanha e denunciou a "instrumentalização" política e midiática da crise migratória.
A viagem de Felipe VI acontece a menos de sete semanas das eleições antecipadas de 29 de novembro, nas quais a migração é um dos principais focos de tensão da campanha.
Ceuta, uma cidade de pouco mais de 80.000 habitantes, tenta recuperar a normalidade após o impacto provocado pela chegada de mais de 70.000 migrantes procedentes do Marrocos no fim de julho.
Embora a maioria tenha retornado nas horas seguintes, milhares de pessoas permaneceram no pequeno território situado entre o Mediterrâneo e o Atlântico, onde parte da população se sentiu abandonada pelo Estado durante as primeiras horas de caos.
- Homenagem aos migrantes falecidos -
A visita começa com um encontro dos reis com as autoridades na sede do governo e continuará no início da tarde em uma escola da cidade, onde convivem historicamente as comunidades católica, muçulmana, judaica e hindu.
Os reis visitarão o cemitério de Sidi Embarek, onde prestarão homenagem a mais de 100 pessoas que morreram durante a entrada em larga escala de migrantes, segundo Madri e Rabat.
Mais tarde, Felipe VI, que chamou de "inaceitável" o que ocorreu em Ceuta, discursará diante de representantes da sociedade local.
A visita, coordenada com o governo espanhol, servirá de teste para as relações com Marrocos, cuja possível reação concentra parte da atenção diplomática.
Em Ceuta, as autoridades disponibilizaram mais de 7.000 vagas de acolhimento temporário para migrantes adultos e outras 2.800 para menores de idade, o que permitiu acabar, antes da visita real, com os grandes acampamentos que ocupavam algumas praias da cidade.
Mas ainda há alguns migrantes vivendo ao relento ou nas montanhas. Sob o olhar atento das forças de segurança, alguns perambulam pelas ruas.
T.Dixon--TFWP