Sánchez promete 'reforçar' decreto de habitação no início da campanha
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, prometeu neste sábado (10) "reforçar" o decreto de habitação, ao iniciar a campanha eleitoral na Andaluzia, em um país abalado pela morte de Maricarmen Abascal, idosa que virou um símbolo da crise da moradia.
Sem maioria parlamentar e diante de uma crescente pressão política, o socialista Pedro Sánchez fez uma última aposta ao convocar eleições antecipadas para 29 de novembro.
"A política de habitação não tem data de validade", afirmou Sánchez diante de quase 5.000 simpatizantes na localidade andaluza de Dos Hermanas.
Embora a campanha oficial só comece duas semanas antes da votação, as principais forças políticas organizaram eventos neste sábado, em um clima de crescente mal-estar entre a população e de grande tensão política.
Sánchez escolheu a cidade nas imediações de Sevilha para seu primeiro ato após anunciar a convocação das eleições. O líder do Partido Socialista (PSOE) lançou na mesma localidade sua campanha para as eleições de 2023, nas quais protagonizou uma espetacular arrancada que lhe permitiu permanecer no poder contra todos os prognósticos.
Ele também prestou homenagem a Maricarmen, uma aposentada de 87 anos cuja morte esta semana, após ser despejada de sua casa em Madri, alimentou os protestos contra a crise habitacional.
"Maricarmen abriu o caminho", afirmou o primeiro-ministro, em referência às mobilizações por uma moradia justa que se multiplicaram após o despejo da idosa no fim de setembro.
A morte de Maricarmen, na quarta-feira (7), em um hospital, ocorreu pouco após o Congresso rejeitar duas medidas do governo de esquerda para enfrentar a crise da habitação.
Em várias cidades do país, ativistas e manifestantes mantêm acampamentos de protesto para exigir maior proteção aos inquilinos.
- Feijóo propõe "mudança total" -
Quase no mesmo horário, o principal rival de Sánchez, Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular (PP), a principal força de oposição, protagonizou seu primeiro ato de campanha em Madri.
O líder conservador voltou a atacar Pedro Sánchez por sua gestão. "A Espanha precisa de futuro e ele tem que ser passado", disse Feijóo durante o ato na Ifema, o principal centro de exposições de Madri, diante de uma centena de simpatizantes.
"Proponho uma mudança total, uma mudança serena, mas contundente", afirmou.
A Espanha enfrenta um clima de tensão social e política, marcado pela crise da habitação, pelo aumento do custo de vida e pelas tensões a respeito da imigração, agravadas pela recente crise em Ceuta, o enclave espanhol no norte da África.
Ceuta é outro grande foco de tensão. A cidade autônoma, com pouco mais de 80.000 habitantes, sofreu nos dias 30 e 31 de julho uma entrada em larga escala de mais de 70.000 migrantes procedentes do Marrocos.
Mais de 100 pessoas morreram, principalmente no mar, segundo as autoridades de Madri e Rabat.
Embora a maioria tenha retornado ao Marrocos nas horas seguintes, milhares permaneceram no enclave, onde a situação se deteriora em meio a uma agitação social crescente e a manifestações quase diárias de moradores que exigem um retorno à normalidade.
As pesquisas apontam o Partido Popular à frente dos socialistas, mas sem maioria absoluta.
O cenário poderia transformar o Vox (extrema direita), terceira força parlamentar do país e em forte ascensão nas pesquisas, em uma peça crucial para a formação de maioria no próximo Parlamento.
M.McCoy--TFWP