Rússia e Ucrânia se atacam mutuamente apesar da trégua decretada por Moscou
Rússia e Ucrânia se atacaram mutuamente nesta sexta-feira (8), rompendo o cessar-fogo unilateral declarado por Moscou para as comemorações do fim da Segunda Guerra Mundial.
A Ucrânia nunca afirmou que respeitaria o apelo de Moscou para cessar os bombardeios e criticou duramente a iniciativa do presidente russo, Vladimir Putin, acusando-o de querer suspender os combates apenas para organizar um desfile na Praça Vermelha no sábado.
A Ucrânia fez um apelo para interromper as hostilidades desde quarta-feira, o qual, segundo Kiev, foi ignorado pelo exército russo. Essa contraproposta foi apresentada pelo presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, como uma prova para saber se o Kremlin realmente buscava uma desescalada.
A Rússia ameaçou lançar um ataque intenso contra a Ucrânia caso Kiev interfira no desfile de sábado em Moscou, e chegou a pedir a diplomatas e à população que abandonassem a capital ucraniana.
Em Kiev, moradores entrevistados pela AFP expressaram poucas esperanças de um cessar-fogo. Um deles, um bancário de 40 anos, afirmou que "nada de novo vai acontecer" e descreveu a situação como uma rotina marcada por alertas aéreos.
Um breve alerta antiaéreo soou na manhã desta sexta-feira em Kiev devido à ameaça de um míssil balístico, segundo as autoridades locais. O risco de bombardeios continua constante, embora muitos moradores digam ter se acostumado.
A invasão russa em grande escala da Ucrânia, iniciada em 2022, provocou centenas de milhares de mortos e se tornou o conflito mais sangrento em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial.
Um importante incêndio florestal foi registrado na zona proibida de Chernobyl, no norte da Ucrânia, após a queda de um drone, informaram nesta sexta-feira as autoridades locais, que garantem que não foi detectado nenhum aumento da radioatividade.
- Enviados americanos -
Zelensky acusou Moscou nesta sexta-feira de nem ao menos tentar respeitar o cessar-fogo que havia declarado unilateralmente.
Segundo a força aérea ucraniana, Moscou lançou durante a noite 67 drones de longo alcance contra o país. Este é o número mais baixo em quase um mês.
A Rússia assegurou nesta sexta-feira ter respondido "de maneira simétrica" às "violações" do cessar-fogo por parte da Ucrânia.
A defesa aérea russa afirmou ter interceptado 409 drones ucranianos desde a entrada em vigor de seu cessar das hostilidades. Esses drones teriam sido abatidos em dez regiões, incluindo a de Moscou, segundo a mesma fonte.
O presidente ucraniano também celebrou ataques de seu exército contra infraestruturas petrolíferas russas, incluindo um depósito perto de Moscou e uma refinaria nos Urais. Além disso, 13 aeroportos no sul da Rússia tiveram de fechar após um impacto em uma base de controle aéreo em Rostov do Don.
Nas últimas semanas, o exército ucraniano, que reforçou suas capacidades em matéria de drones, intensifica seus ataques contra Moscou e no território russo, atingindo alvos a centenas de quilômetros da Ucrânia.
A Rússia anunciou que não haverá equipamento militar no desfile de 9 de maio em Moscou, pela primeira vez em quase 20 anos. Além disso, as autoridades determinaram cortes intermitentes de internet na capital russa.
As negociações destinadas a pôr fim ao conflito ficaram em segundo plano desde a eclosão da guerra no Oriente Médio no fim de fevereiro.
No entanto, Zelensky afirmou nesta sexta-feira que espera a chegada de negociadores americanos à Ucrânia nas próximas semanas, "na passagem da primavera para o verão", para novas conversas.
P.Navarro--TFWP