Suprema Corte dos EUA autoriza 1ª execução de uma mulher no Tennessee em 200 anos
A Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou nesta quarta-feira (30) a execução de Christa Pike, a primeira americana a ser submetida à pena de morte desde 2023 e a primeira mulher executada no estado do Tennessee em 200 anos.
A Corte deu sinal verde para a execução após revogar a decisão de um tribunal inferior que havia suspendido o procedimento. Pike foi condenada à pena de morte pelo assassinato de uma colega de classe há três décadas.
Pike, hoje com 50 anos, tinha 18 quando ela e o namorado espancaram e mataram Colleen Slemmer em um acampamento de formação profissional para jovens. Seu namorado, então com 17 anos, foi condenado à prisão perpétua.
"A ordem de 30 de setembro de 2026 do Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Sexto Circuito (...) que concedia a suspensão da execução fica anulada", diz a decisão da mais alta instância judicial do país, datada desta quarta-feira.
A execução pode "começar a qualquer momento", segundo a defesa da mulher. A ordem de suspensão havia sido emitida pela manhã, pouco antes de quando Pike receberia a injeção letal.
O assassinato em 1995 chamou a atenção nacional depois que o corpo de Colleen foi encontrado com uma estrela de cinco pontas gravada no peito, símbolo que costuma ser associado ao satanismo.
"Ela tinha 18 anos quando cometeu o crime e sofria de uma doença mental grave", escreveram seus advogados em um pedido de clemência ao governador do Tennessee, Bill Lee, que nesta semana se recusou a intervir.
Christa Pike sofria de transtorno bipolar e estresse pós-traumático desde a infância, mas só foi diagnosticada após a condenação à morte, segundo os advogados. "Ela era uma menina que suportou estupros reiterados, violência sexual, abandono e traumas profundos", afirmam.
A Suprema Corte já havia rejeitado na terça-feira um pedido para suspender a execução.
Pike se tornará assim a primeira mulher executada no Tennessee em mais de dois séculos, segundo o Centro de Informação sobre a Pena de Morte. Nos Estados Unidos, apenas 18 mulheres foram executadas desde 1976, de acordo com a instituição.
Um grupo de especialistas da ONU havia pedido ao governo dos Estados Unidos e às autoridades do Tennessee que "interrompam imediatamente" a execução e comutem a sentença de morte.
"A execução de Pike marcaria a culminação de uma trajetória de intenso sofrimento físico e psicológico, caracterizada por abusos na infância e por quase três décadas de isolamento no corredor da morte", apontaram.
J.M.Ellis--TFWP