Como os smartphones de alguns venezuelanos alertaram sobre o terremoto
Muitos internautas informaram ter recebido alertas em seus smartphones instantes antes dos terremotos na Venezuela, graças a um sistema de detecção do Google.
Tanto o Android, do Google, como o iOS, da Apple, oferecem a possibilidade de mostrar alertas oficiais emitidos pelas autoridades em caso de emergências, como terremotos.
No entanto, o Google explicou, no ano passado, que seu sistema vai um passo além, utilizando os bilhões de telefones Android em todo o mundo para ajudar a detectar terremotos.
- Como funciona? -
Praticamente todos os smartphones incorporam um acelerômetro, um sensor de movimento que, por exemplo, permite que a tela mude de orientação quando o usuário gira o dispositivo.
Este mesmo sensor também pode detectar as vibrações do solo provocadas por um terremoto, explicou o Google em uma publicação de julho de 2025.
Os acelerômetros são capazes de identificar a rápida onda "P", primeiro sinal sísmico que se propaga após um terremoto. Quando um telefone detecta esta vibração, envia a informação para os servidores do Google.
Ao comparar, em questão de segundos, os dados provenientes de vários dispositivos, o sistema pode confirmar que um terremoto está acontecendo e calcular sua localização e magnitude.
O objetivo é alertar o maior número possível de pessoas antes da chegada da onda "S", que se desloca mais lentamente, mas costuma provocar os danos mais graves.
O Google oferece dois níveis de alerta:
BeAware (Mantenha-se em alerta): avisa sobre temores de menor intensidade. TakeAction (Aja): para terremotos fortes, ocupa toda a tela do telefone e emite um alarme sonoro de alto volume, mesmo se o dispositivo estiver em modo silencioso.
- Quão eficaz é o sistema? -
O Google informou, no ano passado, que seu sistema havia enviado 790 milhões de alertas a celulares, alertando sobre mais de 2 mil terremotos potencialmente perigosos detectados desde abril de 2021.
Embora o sistema tenha ampliado consideravelmente o acesso a alertas precoces, também registrou algumas falhas.
Os celulares Android não emitiram alertas antes dos devastadores terremotos de fevereiro de 2023, que causaram cerca de 60 mil mortes na Turquia e na Síria.
Posteriormente, o Google assegurou que atualizou seus algoritmos para evitar que um erro similar volte a acontecer.
A empresa também pediu desculpas, em fevereiro de 2025, por um falso alarme enviado a alguns usuários de Android no Brasil.
Nesta semana, centenas de pessoas na Venezuela elogiaram o Google na rede social X, e alguns compartilharam vídeos, cuja autenticidade não foi verificada, nos quais é possível ver alertas que pediam a evacuação de edifícios.
- E a Apple? -
Além dos alertas governamentais, a Apple aponta em seu site que os usuários dos Estados Unidos e de Taiwan também podem receber avisos sísmicos de outros órgãos autorizados.
A empresa não respondeu às perguntas da AFP sobre o funcionamento desse sistema antes do fechamento da publicação.
Ao contrário do Google, a Apple não utiliza os iPhones de seus usuários como uma rede distribuída para detectar terremotos.
No entanto, centenas de milhares de iPhones em funcionamento em todo o mundo podem reenviar alertas recebidos para outros dispositivos Apple próximos que não tenham cobertura móvel ou conexão Wi-Fi, o que pode ajudar a fazer com que avisos potencialmente vitais cheguem a mais pessoas.
P.Navarro--TFWP