The Fort Worth Press - Há dólares para a Argentina?

USD -
AED 3.672501
AFN 64.509376
ALL 79.749702
AMD 363.683912
ANG 1.790365
AOA 917.000246
ARS 1514.255802
AUD 1.406351
AWG 1.8025
AZN 1.703834
BAM 1.704921
BBD 2.015858
BDT 122.799983
BGN 1.683441
BHD 0.377309
BIF 3006.159305
BMD 1
BND 1.276497
BOB 9.827834
BRL 5.109401
BSD 1.000902
BTN 95.846319
BWP 13.583363
BYN 3.017728
BYR 19600
BZD 2.012981
CAD 1.40402
CDF 2310.000237
CHF 0.821105
CLF 0.023994
CLP 947.3992
CNY 6.695405
CNH 6.70171
COP 3203.92
CRC 447.749483
CUC 1
CUP 26.5
CVE 96.120821
CZK 21.252897
DJF 178.230338
DKK 6.52714
DOP 59.054809
DZD 133.818144
EGP 51.6308
ERN 15
ETB 163.444079
EUR 0.87313
FJD 2.2382
FKP 0.747949
GBP 0.748715
GEL 2.595008
GGP 0.747949
GHS 11.518982
GIP 0.747949
GMD 73.498684
GNF 8798.144822
GTQ 7.63806
GYD 209.344898
HKD 7.84391
HNL 26.929771
HRK 6.577978
HTG 130.812686
HUF 316.063499
IDR 17855
ILS 3.020305
IMP 0.747949
INR 95.67525
IQD 1310.5
IRR 1374850.000152
ISK 120.690374
JEP 0.747949
JMD 157.741027
JOD 0.708996
JPY 157.2195
KES 129.459978
KGS 87.449502
KHR 4055.603262
KMF 429.999631
KPW 900.000318
KRW 1359.050262
KWD 0.30876
KYD 0.834049
KZT 449.063035
LAK 22420.895249
LBP 89627.698759
LKR 330.838539
LRD 173.147757
LSL 16.259958
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.375457
MAD 9.537462
MDL 17.579802
MGA 4395.000248
MKD 53.78177
MMK 2099.019807
MNT 3596.806502
MOP 8.087347
MRU 40.225095
MUR 47.660328
MVR 15.460271
MWK 1735.442448
MXN 17.25274
MYR 4.076498
MZN 63.901955
NAD 16.285706
NGN 1324.296918
NIO 36.675032
NOK 9.43862
NPR 153.352455
NZD 1.74288
OMR 0.384505
PAB 1.000741
PEN 3.378372
PGK 4.447503
PHP 62.618502
PKR 277.363009
PLN 3.79585
PYG 5956.994216
QAR 3.658022
RON 4.597799
RSD 102.521005
RUB 83.875737
RWF 1472.253582
SAR 3.755168
SBD 8.026013
SCR 13.747418
SDG 601.500322
SEK 9.826085
SGD 1.275825
SHP 0.74758
SLE 24.650317
SLL 20969.491881
SOS 571.502416
SRD 37.710502
STD 20697.981008
STN 21.7
SVC 8.757209
SYP 13002.000254
SZL 16.250178
THB 33.218498
TJS 9.233036
TMT 3.5
TND 2.954024
TOP 2.40776
TRY 48.818906
TTD 6.800894
TWD 31.689898
TZS 2642.523681
UAH 44.807225
UGX 3933.225821
UYU 40.216031
UZS 11799.9997
VES 851.3413
VND 26016.5
VUV 118.301728
WST 2.751033
XAF 572.735745
XAG 0.015306
XAU 0.000231
XCD 2.70255
XCG 1.803837
XDR 0.707052
XOF 572.735745
XPF 104.494418
YER 236.549789
ZAR 16.26823
ZMK 9001.187145
ZMW 19.542219
ZWL 321.999592
SSP 5712.529845
MXV 1.955484

Há dólares para a Argentina?




Em 48 horas, a Casa Rosada zerou temporariamente os impostos de exportação sobre grãos e derivados para “destravar” vendas e captar divisas; as declarações de exportação dispararam e atingiram a meta de US$ 7 bilhões em tempo recorde. No mesmo compasso, as reservas brutas do Banco Central da República Argentina (BCRA) deram um salto diário próximo de US$ 1,9 bilhão nesta sexta-feira, na esteira das compras oficiais no mercado de câmbio. O alívio é palpável — mas a pergunta permanece: acabou a escassez de dólares?

O que de fato mudou em 2025
Desde abril, o país desmantelou a maior parte do “cepo” cambial e substituiu o antigo regime por uma banda de flutuação do peso, dentro da qual o BCRA se compromete a intervir quando a taxa encosta nos limites. Essa virada só foi possível com a ancoragem de um programa de 48 meses com o FMI e desembolsos iniciais robustos. Em 31 de julho, o Conselho do Fundo aprovou a primeira revisão e liberou mais US$ 2 bilhões, mantendo como norte a reconstrução das reservas e uma regra fiscal crível.

Um alívio vindo do campo — mas com prazo
O corte emergencial dos tributos sobre exportações funcionou como um “sinal verde” ao agronegócio: tradings e indústrias correram para registrar vendas, e compradores internacionais aproveitaram o desconto. A Índia, maior importadora mundial de óleos vegetais, fechou em dois dias uma compra recorde de 300 mil toneladas de óleo de soja argentino, com embarques previstos entre outubro e março. O governo restabeleceu as alíquotas logo após o teto de vendas declaradas ser atingido, o que mostra o caráter transitório da medida: ela antecipa fluxo cambial, mas não altera de forma permanente a capacidade de geração de dólares do país.

Reservas e o “novo” câmbio: sinais mistos
A banda de flutuação deu previsibilidade, porém a demanda por moeda forte aumentou com o fim das travas. Em meados de setembro, o peso testou (e por instantes superou) o teto da banda, obrigando o BCRA a intervir — inclusive com a maior venda diária de dólares desde 2019. O episódio lembra que, embora as reservas brutas tenham voltado à casa de US$ 40 bilhões, a métrica relevante é a das reservas líquidas, que seguem comprimidas e, segundo o próprio programa com o FMI, ainda caminham para terreno menos negativo ao longo do ano, mas não plenamente confortável.

Comércio exterior: superávit, sim — menor que em 2024
Os números do INDEC mostram que agosto fechou com exportações de US$ 7,865 bilhões e importações de US$ 6,463 bilhões, garantindo superávit mensal. No acumulado do ano, o saldo comercial é positivo, mas bem abaixo do recorde histórico de 2024. A diferença tem explicação: a normalização das importações com a liberalização cambial, a volta de pedidos reprimidos e um déficit persistente nas contas de serviços e rendas (fretes, viagens, lucros e juros) que drena parte dos ingressos de bens.

Outras torneiras de dólares
Além do campo, três canais sustentam a oferta de divisas:
1)  Energia: a produção da Vaca Muerta segue em alta, com novos dutos e a reativação de rotas de exportação para o Chile. O petróleo e o gás ganharam peso na pauta, e a substituição de importações de energia reduz a saída de dólares — com potencial de ingressos líquidos maiores nos próximos anos.

2)  Instrumentos para aliviar passivos em moeda estrangeira: as séries do BOPREAL, emitidas pelo BCRA, permitiram alongar e ordenar dívidas comerciais de importadores, reduzindo a pressão imediata sobre o mercado oficial.

3)  Apoio financeiro oficial: além do FMI, o swap ativado com o Banco Popular da China — renovado por mais um ano — reforça o “colchão” de liquidez; e bancos multilaterais anunciaram aceleração de desembolsos para projetos em mineração, energia e cadeias críticas, o que tende a irrigar o balanço de pagamentos ao longo dos próximos meses.

Por que a escassez pode voltar
Apesar do alívio tático, o quadro estrutural ainda é frágil. O país convive com: (i) reservas líquidas ainda muito baixas; (ii) conta de serviços e rendas deficitária; (iii) maior demanda por dólares após a retirada dos controles; e (iv) sensibilidade do câmbio a ruídos políticos. O disparo de declarações de exportação com o corte temporário de tributos é, por definição, concentrado no tempo; o dinheiro entra conforme os embarques acontecem e conforme o financiamento de comércio exterior é desembolsado — não de uma só vez. E a defesa da banda, quando necessária, consome reservas.

O que observar daqui para frente
Fluxo efetivo de embarques do agro entre outubro e março — e o ritmo de liquidação de exportações.
Intervenções do BCRA e a dinâmica do câmbio frente ao teto da banda.
Meta de reservas líquidas do programa com o FMI e seu cumprimento trimestre a trimestre.
Energia: volumes exportados de óleo bruto e gás, e o cronograma de ampliações de escoamento.
Contas de serviços e rendas, que podem anular parte do ganho do comércio de bens.

Conclusão
A Argentina comprou tempo — não uma garantia. As medidas recentes e o ciclo de exportações tendem a assegurar dólares suficientes para atravessar os próximos meses com menor estresse, sobretudo se a banda cambial for defendida com parcimônia e se o comércio efetivamente liquidar o que foi declarado. Mas “não faltar dólares” de modo duradouro exige algo além de choques pontuais: reconstrução consistente de reservas líquidas, superávits de conta corrente repetidos e previsibilidade regulatória. Sem isso, o alívio de hoje pode virar novo aperto amanhã.