The Fort Worth Press - Inflação: Preços ou Moeda?

USD -
AED 3.6725
AFN 63.515111
ALL 81.813592
AMD 370.642956
ANG 1.789884
AOA 918.000277
ARS 1402.006102
AUD 1.394758
AWG 1.8025
AZN 1.756157
BAM 1.673763
BBD 2.014848
BDT 122.744486
BGN 1.668102
BHD 0.378259
BIF 2976.953556
BMD 1
BND 1.277439
BOB 6.912222
BRL 4.950503
BSD 1.000406
BTN 95.268333
BWP 13.595091
BYN 2.832032
BYR 19600
BZD 2.011938
CAD 1.361515
CDF 2316.00032
CHF 0.784205
CLF 0.023145
CLP 910.940167
CNY 6.83025
CNH 6.830895
COP 3728.45
CRC 455.103656
CUC 1
CUP 26.5
CVE 94.363762
CZK 20.862003
DJF 178.141394
DKK 6.39453
DOP 59.605058
DZD 132.430977
EGP 53.742498
ERN 15
ETB 157.299296
EUR 0.855802
FJD 2.197403
FKP 0.738858
GBP 0.738825
GEL 2.68501
GGP 0.738858
GHS 11.214281
GIP 0.738858
GMD 73.503045
GNF 8779.444171
GTQ 7.636122
GYD 209.292176
HKD 7.83645
HNL 26.592098
HRK 6.447992
HTG 130.92574
HUF 310.449499
IDR 17455
ILS 2.943045
IMP 0.738858
INR 95.186798
IQD 1310.455489
IRR 1315000.000414
ISK 122.710279
JEP 0.738858
JMD 157.422027
JOD 0.709038
JPY 157.799034
KES 129.169806
KGS 87.420498
KHR 4012.802629
KMF 420.494418
KPW 900.003193
KRW 1473.449864
KWD 0.30815
KYD 0.833626
KZT 464.848397
LAK 21968.14747
LBP 89583.7434
LKR 320.121521
LRD 183.567107
LSL 16.741448
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.346517
MAD 9.245917
MDL 17.266433
MGA 4166.844956
MKD 52.707418
MMK 2099.706641
MNT 3578.607048
MOP 8.074899
MRU 39.944374
MUR 46.949791
MVR 15.455016
MWK 1734.687765
MXN 17.44055
MYR 3.962499
MZN 63.910292
NAD 16.741734
NGN 1368.6098
NIO 36.815644
NOK 9.24674
NPR 152.429814
NZD 1.700835
OMR 0.384504
PAB 1.000419
PEN 3.507156
PGK 4.350003
PHP 61.663971
PKR 278.776321
PLN 3.64042
PYG 6061.565584
QAR 3.656451
RON 4.4665
RSD 100.453998
RUB 75.496787
RWF 1462.717478
SAR 3.752423
SBD 8.025868
SCR 13.359108
SDG 600.49739
SEK 9.27558
SGD 1.27714
SHP 0.746601
SLE 24.649919
SLL 20969.496166
SOS 571.753772
SRD 37.456007
STD 20697.981008
STN 20.966603
SVC 8.752915
SYP 110.530725
SZL 16.738482
THB 32.643975
TJS 9.353536
TMT 3.505
TND 2.916547
TOP 2.40776
TRY 45.216002
TTD 6.781199
TWD 31.609197
TZS 2602.500263
UAH 43.963252
UGX 3776.555915
UYU 40.282241
UZS 12039.109133
VES 488.94275
VND 26323
VUV 118.524529
WST 2.715931
XAF 561.361905
XAG 0.013565
XAU 0.000219
XCD 2.70255
XCG 1.802894
XDR 0.697635
XOF 561.361905
XPF 102.06029
YER 238.625025
ZAR 16.690498
ZMK 9001.204285
ZMW 18.882166
ZWL 321.999592

Inflação: Preços ou Moeda?




Afinal, o que é “inflação”: o aumento generalizado dos preços ao consumidor ou a expansão da quantidade de dinheiro? A resposta curta é que há duas tradições diferentes. Para a maioria das autoridades monetárias e institutos de estatística, inflação é a variação sustentada do nível de preços medido por índices como IPCA (Brasil) ou HICP (zona do euro). Já a tradição monetarista sustenta que inflação é, em essência, um fenômeno ligado ao dinheiro: quando a quantidade de moeda cresce persistentemente mais rápido que a produção, o poder de compra do dinheiro cai e os preços sobem. As duas visões não são mutuamente excludentes — uma descreve “o que medimos”, a outra enfatiza “por que acontece”.

Nos últimos anos, a prática de política econômica tem sido guiada pelo alvo explícito para a inflação de preços. O Banco Central Europeu, por exemplo, persegue 2% ao ano como objetivo de estabilidade de preços, com projeções indicando inflação média por volta dessa marca em 2025. No Brasil, a autoridade monetária mira 3% (com banda de tolerância) e utiliza o IPCA como referência oficial. Esses alvos orientam decisões de juros e comunicação, ancoram expectativas e servem de base para contratos, salários e orçamentos públicos.

Os dados recentes ajudam a iluminar o debate. No Brasil, a prévia de agosto (IPCA-15) registrou deflação de 0,14% na margem — primeira queda em dois anos — puxada, sobretudo, por energia elétrica mais barata após desconto temporário, e recuo em itens de habitação, além de alívio em alimentação, transportes e comunicação. No acumulado em 12 meses, a taxa desacelerou para 4,95%, aproximando-se da banda da meta. Ainda assim, o Comitê de Política Monetária manteve a Selic em 15% a.a. no fim de julho, avaliando que a convergência das expectativas para o centro de 3% segue lenta. A resiliência do mercado de trabalho — com taxa de desemprego no menor nível da série — também sugere cautela para evitar reaquecer a demanda.

No plano internacional, a fotografia monetária trouxe um experimento natural. Após a pandemia, os agregados monetários nos EUA (como M2) dispararam em 2020-2021 e, depois, encolheram de forma inédita entre 2022 e 2023, na esteira do aperto de juros e da redução do balanço do banco central. Mesmo assim, a inflação não desabou instantaneamente: ela cedeu gradualmente a partir de meados de 2022, à medida que gargalos de oferta foram se desfazendo, a energia barateou e a política monetária ficou restritiva. A lição prática é que a relação entre dinheiro e preços existe, mas não é mecânica nem de curto prazo: depende do ciclo, das expectativas, da velocidade de circulação da moeda e de choques reais (oferta e demanda).

Outra controvérsia recente foi a do “profit-push” — o argumento de que margens corporativas elevadas teriam amplificado a alta de preços (“greedflation”). Evidências acadêmicas e setoriais são mistas: alguns estudos apontam contribuição relevante dos lucros em segmentos específicos (energia, alimentos processados), enquanto outros não encontram base robusta para explicar a inflação agregada apenas por esse canal. Para o formulador de política, o ponto crucial continua sendo a dinâmica dos componentes “persistentes” — serviços, salários e expectativas — mais sensíveis ao hiato do produto e à taxa de juros.

E a “base monetária”? Tecnicamente, ela é o passivo do banco central (moeda em circulação + reservas bancárias) e fica sob controle direto da autoridade monetária. Em regimes modernos, o banco central ajusta a taxa básica de juros e fornece a liquidez necessária para que essa taxa prevaleça. Assim, a base pode crescer ou encolher por razões operacionais sem sinalizar, por si só, pressão de preços iminente. Já agregados mais amplos (M2) refletem também o crédito bancário e o apetite por depósitos — eles conversam com o ciclo econômico e com as condições financeiras, mas seu poder preditivo para a inflação varia ao longo do tempo.

O veredito jornalístico? Para a vida real de famílias, empresas e governos, inflação é — e continuará sendo — o aumento persistente dos preços. Para entender suas causas e calibrar a política, acompanhar moeda e crédito segue útil, porém dentro de um diagnóstico mais amplo que inclua capacidade ociosa, salários, choques de energia e expectativas. Dito de outro modo: a etiqueta no supermercado define o “o quê”; a engenharia monetária ajuda a explicar o “por quê”.