The Fort Worth Press - Opas alerta sobre recorde de dengue na América Latina, impulsionado por mudança climática

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Opas alerta sobre recorde de dengue na América Latina, impulsionado por mudança climática
Opas alerta sobre recorde de dengue na América Latina, impulsionado por mudança climática / foto: © AFP

Opas alerta sobre recorde de dengue na América Latina, impulsionado por mudança climática

Com 3,5 milhões de casos até agora neste ano, a América Latina e o Caribe provavelmente enfrentarão sua "pior temporada de dengue", favorecida pela combinação do fenômeno El Niño com as mudanças climáticas, alertou a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) nesta quinta-feira (28).

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A doença, que causa febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dor muscular e nas articulações, é transmitida pela picada de um mosquito infectado, o Aedes aegypti.

Até 26 de março, "as Américas registraram mais de 3,5 milhões de casos de dengue, incluindo mais de 1.000 mortes", afirmou Jarbas Barbosa, diretor da Opas, em coletiva de imprensa.

É um “motivo de preocupação, pois representa três vezes mais casos do que os relatados para a mesma época em 2023, um ano recorde com mais de 4,5 milhões de casos notificados na região", acrescentou.

Portanto, "provavelmente esta será a pior temporada de dengue já registrada na América", alertou.

- Cone Sul -

O aumento é observado em todos os países da América Latina e do Caribe, mas principalmente em três do Cone Sul: Brasil (81%), seguido por Paraguai (6%) e Argentina (3,4%), que representam 92% de todos os casos e 87% das mortes.

Isso acontece porque a dengue segue um padrão sazonal e a maior parte da transmissão no hemisfério sul ocorre no primeiro semestre do ano, durante os meses mais quentes e chuvosos.

O que chama atenção é que em outros países onde se espera "uma alta transmissão na segunda metade do ano", como Costa Rica, Guatemala ou México, "também estamos vendo atualmente um aumento nos casos", apontou o diretor da Opas.

E a presença do mosquito vetor está sendo observada em áreas onde não era conhecida, como no Uruguai.

Existem quatro sorotipos de dengue, e a circulação simultânea de dois ou mais pode aumentar o risco de epidemias e suas formas graves. Até o momento, 21 países das Américas relataram a circulação de mais de um sorotipo, segundo a Opas.

"As causas ambientais desempenham um papel-chave", indicou Barbosa. "O aumento das temperaturas e a maior frequência de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas intensas que levam as pessoas a armazenar água de forma inadequada e tempestades e inundações, podem aumentar a proliferação do mosquito", explicou.

"A combinação do fenômeno El Niño com as mudanças climáticas coloca em risco todas as grandes cidades que estão em áreas tropicais e subtropicais da região", porque o mosquito vetor pode proliferar "de maneira muito rápida" nesses lugares, acrescentou.

- Criadouros "em casas" -

Também importam os fatores sociais, como o rápido crescimento populacional, a urbanização não planejada, as habitações precárias, o saneamento insuficiente e a eliminação inadequada de resíduos.

A melhor forma de controlar a transmissão é eliminar os criadouros de mosquitos, tanto nas residências particulares quanto em locais públicos como parques, comércios e praças.

"Cerca de 80% dos criadouros de mosquitos estão nas casas das pessoas ou nas proximidades", em objetos que armazenam água, assegurou Barbosa.

Isso é muito mais eficaz neste momento, segundo ele, do que vacinas ou novas tecnologias como o uso de uma bactéria, a Wolbachia, "que pode prevenir que o mosquito seja infectado pelo vírus".

"A vacina que temos disponível não vai erradicar a epidemia de dengue", porque "tem um alcance limitado", afirmou na coletiva de imprensa o médico Daniel Salas, gerente executivo do programa especial de imunização integral da Opas.

Essa vacina, recomendada dos 6 aos 16 anos, é administrada em duas doses com três meses de intervalo, e estudos mostram, de acordo com a Opas, que são necessários oito anos de vacinação para se obter um impacto significativo na transmissão.

A bactéria, por sua vez, "é uma nova arma potencial para o futuro", mas no momento está em uma fase de estudo piloto, disse o médico Sylvain Aldighieri, diretor do departamento de previsão, controle e eliminação de doenças transmissíveis da Opas.

T.M.Dan--TFWP