The Fort Worth Press - Trinta anos depois do 'período especial', Cuba enfrenta outra crise

USD -
AED 3.672968
AFN 63.499167
ALL 82.649728
AMD 368.050012
ANG 1.790403
AOA 917.000536
ARS 1489.468098
AUD 1.450379
AWG 1.8
AZN 1.698228
BAM 1.716457
BBD 2.014726
BDT 123.242589
BGN 1.69088
BHD 0.377025
BIF 2985
BMD 1
BND 1.296755
BOB 6.937497
BRL 5.223699
BSD 1.000298
BTN 95.33551
BWP 14.280449
BYN 2.914275
BYR 19600
BZD 2.01183
CAD 1.420975
CDF 2275.000017
CHF 0.80983
CLF 0.023529
CLP 926.040085
CNY 6.79445
CNH 6.79409
COP 3388.99
CRC 455.303389
CUC 1
CUP 26.5
CVE 97.124967
CZK 21.287104
DJF 177.719729
DKK 6.569199
DOP 59.450088
DZD 133.423977
EGP 49.085904
ERN 15
ETB 159.149771
EUR 0.87882
FJD 2.24625
FKP 0.754315
GBP 0.75335
GEL 2.639856
GGP 0.754315
GHS 11.365017
GIP 0.754315
GMD 73.504494
GNF 8769.999832
GTQ 7.629052
GYD 209.24824
HKD 7.843935
HNL 26.249845
HRK 6.622502
HTG 130.790023
HUF 312.429662
IDR 17959
ILS 2.985503
IMP 0.754315
INR 95.47502
IQD 1310.5
IRR 1376000.00003
ISK 126.390045
JEP 0.754315
JMD 157.314119
JOD 0.708981
JPY 162.574996
KES 129.280115
KGS 87.450365
KHR 4012.498985
KMF 433.000291
KPW 900.00035
KRW 1552.440045
KWD 0.30928
KYD 0.83364
KZT 479.437628
LAK 22499.999955
LBP 89730.683951
LKR 336.036368
LRD 181.87496
LSL 16.405469
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.415001
MAD 9.407498
MDL 17.690836
MGA 4287.503764
MKD 54.175328
MMK 2099.611597
MNT 3582.983883
MOP 8.081898
MRU 40.130267
MUR 47.175643
MVR 15.449676
MWK 1735.999772
MXN 17.548902
MYR 4.095498
MZN 63.897576
NAD 16.400135
NGN 1374.930421
NIO 36.605027
NOK 9.91117
NPR 152.537167
NZD 1.762736
OMR 0.384506
PAB 1.000298
PEN 3.418015
PGK 4.378022
PHP 61.712026
PKR 278.250318
PLN 3.772495
PYG 6080.073017
QAR 3.645502
RON 4.593097
RSD 103.152024
RUB 77.499835
RWF 1466
SAR 3.754201
SBD 8.049104
SCR 13.449123
SDG 600.491301
SEK 9.72985
SGD 1.295705
SHP 0.746601
SLE 24.374991
SLL 20969.503664
SOS 571.496617
SRD 37.504501
STD 20697.981008
STN 21.9
SVC 8.752391
SYP 110.532098
SZL 16.38083
THB 33.359895
TJS 9.252979
TMT 3.5
TND 2.93875
TOP 2.40776
TRY 46.684415
TTD 6.790936
TWD 31.838502
TZS 2625.368015
UAH 44.843589
UGX 3665.771506
UYU 40.21203
UZS 11932.499323
VES 632.57269
VND 26300.5
VUV 120.098371
WST 2.780884
XAF 575.673565
XAG 0.016919
XAU 0.000248
XCD 2.70255
XCG 1.802784
XDR 0.715018
XOF 574.512179
XPF 105.12499
YER 238.602481
ZAR 16.398197
ZMK 9001.202443
ZMW 18.211258
ZWL 321.999592
Trinta anos depois do 'período especial', Cuba enfrenta outra crise
Trinta anos depois do 'período especial', Cuba enfrenta outra crise / foto: © AFP

Trinta anos depois do 'período especial', Cuba enfrenta outra crise

O fim abrupto do fornecimento de petróleo, o declínio econômico, o pacote de restrições e a escassez: a crise em Cuba reaviva as lembranças do "período especial" que se seguiu à queda do bloco soviético, em 1991.

Tamanho do texto:

Embora existam várias semelhanças, a situação atual se insere em um contexto muito diferente da fragilização econômica estrutural, da perda da legitimidade do poder, da onda migratória e do amento das desigualdades.

- Como surge o "período especial"? -

Em 1991, a desintegração da União Soviética, a principal fonte de financiamento da ilha, acertou um golpe demolidor na economia cubana. Até então, Moscou apoiava incondicionalmente seu aliado caribenho, isolado pelo embargo americano.

A partir de 1989, após a queda do muro de Berlim, navios soviéticos deixaram de abastecer o país de alimentos, medicamentos e peças de reposição. O PIB despencou (-38% em 1990) e a escassez se tornou a norma. Cerca de 50.000 cubanos sofreram neuropatias devido à falta severa de vitaminas.

Os apagões duravam até 16 horas por dia, as fábricas pararam e a cesta básica subsidiada que o governo entregava mediante a "libreta" (cartilha de racionamento) foi reduzida substancialmente. Os cubanos tiveram que se acostumar a se deslocar de bicicleta.

Círculos antirregime na Flórida vaticinavam o colapso iminente do governo comunista. Mas Fidel Castro (1926-2016) proclamou um "período especial em tempos de paz" e implementou uma economia de guerra. Para evitar a derrota, recorreu ao investimento externo e abriu o país ao turismo internacional.

- No que se diferencia da crise atual? -

A suspensão do fornecimento de combustível da Venezuela, que permitiu a Cuba sair do "período especial" a partir de 1999, e o bloqueio energético de fato imposto por Washington voltam a colocar a ilha à beira do abismo.

As autoridades tomaram medidas drásticas para racionar o combustível e reorganizar as atividades econômicas e sociais. Os cortes de eletricidade chegam a 16 horas por dia na capital, mas passam de 40 horas seguidas no interior do país.

Embora na década de 1990 os serviços de saúde e educação tenham resistido, atualmente estão muito deteriorados pela crise econômica dos últimos anos.

A "libreta" nunca foi reformada apesar dos anúncios, e a cesta subsidiada é praticamente inexistente.

Diferentemente do "período especial", que ocorreu após anos de relativa "prosperidade e bem-estar social", a crise atual "chega sobre um acumulado de 30 anos que (...) podem ser definidos como de crise também", explica à AFP o historiador Fabio Hernández.

Em 1994, a crise dos "balseros" levou 35.000 cubanos a deixarem a ilha pelo mar. Desde 2021, estima-se que entre 1,5 milhão e 2 milhões tenham deixado o país, um êxodo com consequências muito mais profundas para a sociedade.

- Uma crise vista de outra maneira? -

A chegada da internet, a possibilidade de os cubanos viajarem, o aparecimento do setor privado e a incapacidade do governo de reativar a economia desde a pandemia mudaram Cuba profundamente.

"Cuba é um país diferente (...) com uma relação entre a cidadania e o mundo dirigente que é diferente", detalha Hernández. "Nos (anos) 90, há uma crise econômica, há crise social, mas não há crise política" de adesão ao projeto revolucionário, afirma este pesquisador da Universidade de Havana.

A legitimidade do poder baseada no aspecto "popular" da revolução de 1959 foi corroída, sobretudo desde a morte de Castro, assim como a "narrativa patriótica de resistência" frente à hostilidade dos Estados Unidos, destaca, por sua vez, o cientista político Arturo López-Levy.

Os setores da saúde e da educação, antes considerados "conquistas" da revolução e agora muito deteriorados, não servem mais para "mobilizar a população", adverte Hernández.

Paralelamente, os cubanos têm "mais pluralidade" nas vias para se informar, enquanto na década de 1990 existia um autêntico monopólio da informação nas mãos do poder, explica o historiador.

A internet móvel, autorizada desde 2018, se espalhou maciçamente entre a população e contribuiu com a expansão por todo o país das manifestações de julho de 2021, assim como com a difusão de discursos alternativos nas redes sociais.

Há "uma cidadania melhor informada" e com mais inclinação a comparar, assegura Lopez-Lévy, da Universidade de Denver.

Além disso, a chegada de pequenas e médias empresas ao tecido econômico a partir de 2021 também mudou a percepção da crise.

"Nos anos 1990, era uma crise de escassez profunda. Hoje, estamos falando de uma crise mais marcada pela existência de produtos, mas a desigualdade no acesso a eles" entre aqueles que recebem remessas de suas famílias no exterior ou trabalham no setor privado e aquele que dependem do exíguo salário estatal, comenta Hernández.

T.Harrison--TFWP