The Fort Worth Press - Irã multiplica ataques no Golfo após jurar vingança pela morte de Khamenei

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Irã multiplica ataques no Golfo após jurar vingança pela morte de Khamenei
Irã multiplica ataques no Golfo após jurar vingança pela morte de Khamenei / foto: © AFP

Irã multiplica ataques no Golfo após jurar vingança pela morte de Khamenei

O Irã voltou a atacar os países do Golfo, neste domingo (1º), após jurar vingar a morte de seu líder supremo, Ali Khamenei, em um claro desafio ao presidente americano, Donald Trump, que ameaçou Teerã com ataques sem precedentes se as represálias continuarem.

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O ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã seguia neste domingo e, segundo Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, durará "o tempo que for necessário".

Longe de se intimidar, a república islâmica respondeu a uma ofensiva que não matou apenas Khamenei, mas também "outros 40 altos dirigentes", segundo o exército israelense.

Teerã tem lançado ataques contra vários países vizinhos, particularmente aqueles que abrigam bases americanas, e contra Israel.

Nove pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em Bet Shemesh, no centro de Israel, quando um prédio desmoronou pelo "impacto direto" de um míssil iraniano, anunciaram socorristas.

Mais de 20 pessoas ficaram feridas em Tel Aviv.

A Guarda Revolucionária, exército ideológico do Irã, assegurou ter lançado um ataque "em larga escala" contra "o inimigo".

Horas depois, afirmou ter "atingido" o porta-aviões americano USS Abraham Lincoln no Golfo com "quatro mísseis balísticos".

Um funcionário iraniano informou que os alvos são bases americanas dos países do Golfo e não seus territórios.

Jornalistas da AFP ouviram novas explosões em Dubai, Doha, Riade e Manama.

Omã, mediador das negociações retomadas em fevereiro entre Irã e Estados Unidos, foi atacado pela primeira vez neste domingo.

Nos Emirados Árabes Unidos, três pessoas morreram e 58 ficaram feridas desde o sábado.

Está prevista uma reunião, neste domingo, entre as monarquias do Golfo para abordar a crise.

- "Direito legítimo" -

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, considerou que a vingança é um "dever e direito legítimo".

Ali Larijani, o poderoso chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, previu "uma lição inesquecível aos opressores internacionais".

Nas redes sociais, escreveu em letras maiúsculas, no estilo de Trump: "ONTEM, O IRÃ DISPAROU MÍSSEIS CONTRA ESTADOS UNIDOS E ISRAEL, E CAUSOU DANOS. HOJE, VAMOS ATACÁ-LOS COM UMA FORÇA QUE NUNCA CONHECERAM".

As autoridades iranianas anunciaram 40 dias de luto pela morte de Khamenei, cuja filha, genro e neta também morreram no ataque, segundo a imprensa iraniana.

O Crescente Vermelho iraniano prestou contas de um total de 201 mortos e centenas de feridos.

O poder judiciário iraniano afirmou que um ataque que atingiu um colégio no sul do país matou, no sábado, 108 pessoas, mas a AFP não pôde ter acesso ao local para verificar a informação.

O exército israelense assegurou, neste domingo, "não estar a par" deste ataque.

- Ameaça de Trump -

A televisão estatal iraniana confirmou a morte de Khamenei na primeira hora deste domingo, depois que Trump anunciou o falecimento do clérigo de 86 anos, um inimigo declarado do Ocidente, a quem descreveu como "uma das pessoas mais malvadas da história".

O anúncio de sua morte foi recebido com comemoração por alguns iranianos, mas quando ocorreu a confirmação, houve manifestações a favor do governo. "Morte aos Estados Unidos!", repetiam em coro os manifestantes.

Trump advertiu que vai atacar com "força nunca antes vista" se os contra-ataques continuarem e voltou a pedir aos iranianos para se levantarem e tomarem o poder.

Na manhã deste domingo foram ouvidas várias explosões em Teerã, informaram jornalistas da AFP, pouco antes de o exército israelense afirmar que estava atacando "o coração da capital" iraniana.

A república islâmica está na corda bamba desde a brutal repressão aos protestos antigovernamentais de dezembro e janeiro, que deixou milhares de mortos. Washington também a acusa de não ceder às exigências para alcançar um acordo sobre seu programa nuclear e balístico.

- Um triunvirato no comando -

A sucessão de Khamenei não é um tema novo. Sua idade avançada gerava especulações.

O país está nas mãos de um triunvirato, encarregado da transição. É composto pelo presidente Pezeshkian; o chefe do poder judiciário, Gholamhosein Mohseni Ejeï, e Alireza Arafi, líder religioso, membro da Assembleia de Especialistas e do Conselho da Guarda Revolucionária, anunciou o governo no X.

Reza Pahlavi, filho do xá falecido, um líder pró-ocidental deposto pela revolução islâmica em 1979, avaliou que qualquer sucessor procedente do sistema é ilegítimo.

Ele está convencido de que, com a morte de Khamenei, "a república islâmica chegou efetivamente ao fim e em breve será relegada à lata de lixo da história".

Pahlavi, que passou a maior parte de sua vida no exílio perto de Washington, se apresentou como uma figura de transição para uma democracia secular, mas não conta com o apoio de toda a oposição.

O presidente israelense, Isaac Herzog, disse, neste domingo, que espera que o enfrentamento com o Irã dê lugar a uma "nova era" para todo o Oriente Médio.

A indignação pela onda de ataques americanos e israelenses se estendeu a Iraque e Paquistão, onde multidões tentaram atacar missões diplomáticas americanas.

Os ataques também provocaram a maior perturbação no transporte aéreo global desde a pandemia de covid-19, com milhares de voos atrasados ou cancelados tendo o Oriente Médio como destino.

A empresa de navegação dinamarquesa Maersk suspendeu a passagem de seus navios pelo estreito de Ormuz "até novo aviso".

A desestabilização do transporte de petróleo levou Arábia Saudita, Rússia e outros seis membros da Opep+ a aumentarem, neste domingo, suas cotas de produção de petróleo em 206.000 barris diários para o mês de abril.

T.Harrison--TFWP