The Fort Worth Press - Quatro vidas destruídas por quatro anos de guerra na Ucrânia

USD -
AED 3.672502
AFN 64.000266
ALL 82.303125
AMD 368.202064
ANG 1.790403
AOA 917.501512
ARS 1488.989301
AUD 1.446477
AWG 1.8025
AZN 1.683254
BAM 1.713795
BBD 2.013819
BDT 123.279809
BGN 1.69088
BHD 0.376981
BIF 2985
BMD 1
BND 1.293534
BOB 6.924169
BRL 5.223698
BSD 0.999812
BTN 95.434332
BWP 13.559174
BYN 2.900668
BYR 19600
BZD 2.010927
CAD 1.419675
CDF 2245.999972
CHF 0.80465
CLF 0.023509
CLP 925.240201
CNY 6.789101
CNH 6.79005
COP 3368.65
CRC 455.041338
CUC 1
CUP 26.5
CVE 96.850048
CZK 21.19015
DJF 177.719909
DKK 6.5443
DOP 59.100541
DZD 133.314663
EGP 49.088594
ERN 15
ETB 158.101706
EUR 0.87555
FJD 2.26045
FKP 0.753127
GBP 0.749815
GEL 2.634988
GGP 0.753127
GHS 11.404999
GIP 0.753127
GMD 72.476996
GNF 8775.000019
GTQ 7.627768
GYD 209.145516
HKD 7.84305
HNL 26.259683
HRK 6.595402
HTG 130.781094
HUF 310.34197
IDR 18034.8
ILS 2.99365
IMP 0.753127
INR 95.52745
IQD 1310.5
IRR 1375949.999974
ISK 125.660086
JEP 0.753127
JMD 157.035077
JOD 0.709044
JPY 161.459503
KES 129.28027
KGS 87.449737
KHR 4010.000159
KMF 431.000351
KPW 900.00035
KRW 1547.869942
KWD 0.30528
KYD 0.833231
KZT 474.755087
LAK 22070.000212
LBP 89549.999978
LKR 335.594052
LRD 181.750248
LSL 16.27037
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.414996
MAD 9.381498
MDL 17.707366
MGA 4280.000026
MKD 53.956236
MMK 2099.256901
MNT 3584.189705
MOP 8.077759
MRU 40.060365
MUR 47.269813
MVR 15.46056
MWK 1736.999682
MXN 17.48238
MYR 4.070099
MZN 63.909927
NAD 16.290022
NGN 1370.299436
NIO 36.585023
NOK 9.86211
NPR 152.697783
NZD 1.757203
OMR 0.384516
PAB 0.999807
PEN 3.40199
PGK 4.389502
PHP 61.520501
PKR 278.124996
PLN 3.755345
PYG 6076.007045
QAR 3.644978
RON 4.583902
RSD 102.757996
RUB 77.499705
RWF 1465
SAR 3.767201
SBD 8.058541
SCR 13.259577
SDG 600.508908
SEK 9.69346
SGD 1.29293
SHP 0.746601
SLE 24.349845
SLL 20969.503664
SOS 571.497519
SRD 37.64695
STD 20697.981008
STN 21.8
SVC 8.748609
SYP 110.532098
SZL 16.269884
THB 33.261003
TJS 9.248564
TMT 3.51
TND 2.926498
TOP 2.40776
TRY 46.7328
TTD 6.783121
TWD 31.9461
TZS 2624.998038
UAH 44.806343
UGX 3664.515451
UYU 40.132314
UZS 11914.999763
VES 638.90327
VND 26290
VUV 119.997124
WST 2.769645
XAF 574.788274
XAG 0.01637
XAU 0.000242
XCD 2.70255
XCG 1.801915
XDR 0.715018
XOF 574.500387
XPF 104.650336
YER 237.0499
ZAR 16.269625
ZMK 9001.19726
ZMW 18.221728
ZWL 321.999592
Quatro vidas destruídas por quatro anos de guerra na Ucrânia
Quatro vidas destruídas por quatro anos de guerra na Ucrânia / foto: © AFP

Quatro vidas destruídas por quatro anos de guerra na Ucrânia

Dezenas de milhares de civis e centenas de milhares de soldados morreram desde o início da invasão russa da Ucrânia, há quatro anos.

Tamanho do texto:

Milhões de ucranianos foram forçados a fugir de suas casas para escapar dos combates e, na Rússia, centenas de pessoas que se opuseram ao conflito receberam duras sentenças ou foram obrigadas a deixar o país para evitar perseguição.

No quarto aniversário do início do conflito, a AFP reconstrói quatro histórias que retratam o impacto da guerra: o assassinato de uma família inteira, a vida de um soldado ucraniano amputado, um humorista pró-Kremlin e uma ativista russa contra a guerra.

- Uma família destruída -

Kira tinha quatro meses de idade, sua mãe, Valeria, 28 anos, e sua avó, Lyudmila, 54, quando um míssil russo atingiu sua casa em Odessa, no sul da Ucrânia, em abril de 2022.

Em segundos, o impacto dizimou três gerações dessa família. O pai de Kira, Yurii Glodan, estava fazendo compras no momento da tragédia. Imagens posteriores mostram o homem desesperado vasculhando os escombros do que um dia fora sua casa.

Após perder sua família, Yurii — um advogado que trocou o terno por um emprego em uma padaria em Odessa — alistou-se no exército em março de 2023.

Ele morreu ainda naquele ano, alguns meses depois, em setembro, perto de Bakhmut, na frente oriental, em uma das batalhas mais ferozes do conflito.

A história da família Glodan tornou-se um símbolo do sofrimento dos civis ucranianos desde o início da invasão.

"Existem centenas de histórias como essa por todo o país", disse Alla Koroliova, a melhor amiga de Valeria, em entrevista à AFP em Odessa, em fevereiro de 2026.

Ela "era um raio de sol. Adorava Odessa, a cultura ucraniana, a ópera", disse a amiga. Ela ainda guarda fotos de Kira em seu celular, enviadas pela amiga. Um bebê que ela nunca chegou a conhecer.

- O amputado que quer combater -

Volodimir completou 32 anos no dia em que a Rússia lançou sua invasão. Quatro anos depois, apesar de ter perdido uma perna e um antebraço em um bombardeio enquanto servia no exército, quer voltar ao combate.

A AFP o entrevistou na região nordeste de Kharkiv alguns meses antes de sua grave lesão. Ele afirmou na ocasião que os drones acertam seus alvos em 90% das vezes, "se o piloto for bom".

Em janeiro de 2026, Volodimir relembra o trauma do ferimento. "Levantei a cabeça de onde estava deitado, olhei para minha perna e um cara (...) estava serrando-a", recordou.

Ele passou por 21 cirurgias em um mês: "Quase todos os dias, exceto sábado, dia de descanso para muitos médicos".

Volodimir, agora com uma prótese na perna, conversou com a AFP durante um torneio de futsal em Pavlograd, cidade onde jogava antes do acidente. Ele se move com facilidade e sem muletas.

Determinado a se alistar novamente, este homem sorridente está passando por um treinamento de reciclagem há 18 meses. Ele quer voltar para seus "irmãos de armas", mas em uma posição mais distante da linha de frente.

Apesar de sua determinação em lutar, Volodimir espera que um acordo seja alcançado para pôr fim à guerra. "Há dois anos, estávamos firmemente convencidos de que poderíamos retornar às fronteiras de 1991", com a Península da Crimeia e o leste da Ucrânia sob o controle de Kiev.

"Mas agora, depois de estar no exército e ter visto tudo isso em primeira mão, entendo que o preço a pagar pelas fronteiras de 1991 será muito alto", admite.

- O comediante oportunista -

Na década de 1990, o comediante Andrey Bocharov, também conhecido como "Bocharik", personificou o "filhinho da mamãe" para milhões de russos em uma série de televisão cult.

A guerra permitiu que ele redirecionasse sua carreira, que estava estagnada. Este siberiano havia se tornado uma estrela da série "33 m²", na qual interpretava o membro mais jovem de uma família e encantava o público com seus tropeços e expressões ingênuas.

Mais tarde, essa estrela da telinha, que personificou aqueles anos em que a Rússia ria de suas imperfeições, passou por um período de declínio.

Em 24 de fevereiro de 2022, relançou sua carreira. Em um momento em que a sociedade russa estava dividida em campos irreconciliáveis entre apoiadores e opositores da guerra, Bocharov — agora com 59 anos — escolheu sem hesitar "sua pátria e suas raízes".

Em suas publicações e podcasts, demonstra um patriotismo fervoroso, denuncia todas as críticas à ofensiva e ataca com sarcasmo mordaz aqueles que fugiram do país em protesto, para evitar represálias ou o recrutamento para o exército.

Seguido por mais de 350 mil inscritos em seus canais no Telegram e na rede social russa VK, Bocharik encontrou uma plataforma midiática para suas críticas a um Ocidente "decadente".

Todas as sextas-feiras, apresenta um programa na rádio estatal Sputnik.

Ao contrário de muitos de seus colegas que se exilaram, Bocharik levanta a voz para defender os interesses nacionais e os "valores tradicionais", que se tornaram obrigatórios para os "verdadeiros patriotas".

"Somos os primeiros porque temos alma e não apenas dinheiro, e nossos soldados na linha de frente provam isso todos os dias", afirma na Sputnik, comparando a Rússia e o Ocidente.

"A Rússia sempre vence: somos russos e o borscht está conosco!", repete em tom de brincadeira, referindo-se à sopa tradicional cuja origem é disputada por russos e ucranianos.

- Opositora silenciosa -

Em 24 de fevereiro de 2022, Varvara (nome fictício) participou de uma manifestação em Moscou contra a guerra. Depois disso, perdeu o emprego em um órgão público por assinar uma petição contra o conflito.

Ela contou à AFP que, quando foi à manifestação naquele dia, teve "uma vaga sensação de não saber o que ia acontecer". Avisou alguns amigos de que poderia ser presa, deixou uma chave reserva e esperava que seu gato "não morresse de fome" em sua ausência. Escapou de ser processada.

Nos primeiros dias da invasão, a Rússia adotou uma censura militar draconiana. Centenas de pessoas foram condenadas a longas penas de prisão e milhares receberam multas ou penas curtas de prisão.

Vários amigos de Varvara deixaram o país. Ela considerou fazer o mesmo, mas não o fez. "Eu não sabia como, nem para onde, nem como ia viver".

A visita da polícia que ela tanto temia nunca aconteceu. Ela encontrou um novo emprego em uma instituição de caridade.

Ela conta que, após a invasão, levou dois anos para voltar a sentir alegria sem culpa: "Eu e uma amiga fomos passear. Era verão, e de repente percebi que era simplesmente um dia lindo e que eu não queria me sentir culpada por aproveitá-lo".

Ela agora é casada e quer ter filhos. Por isso, não quer correr o risco de ser presa e evita se manifestar publicamente. Assim como ela, a maioria dos russos que se opõem ao conflito permanece em silêncio.

A guerra ainda pesa muito em sua vida. Seu pai, membro das forças de segurança, serviu na Ucrânia. Ela o ama, e ele lhe oferece ajuda financeira regularmente, mas ela sempre recusa.

Varvara não acredita que seja possível mudar o regime russo na situação atual. "Qualquer resistência que venha de baixo será esmagada. Só espero que sobrevivamos a tudo isso, fisicamente", disse.

burx/jc-rco/pop/ial/an-mas/erl/jc/aa

S.Palmer--TFWP