The Fort Worth Press - Adaptar-se ou morrer: as respostas da América Latina a Trump

USD -
AED 3.673042
AFN 65.000368
ALL 82.203989
AMD 367.380403
ANG 1.790403
AOA 917.000367
ARS 1487.956748
AUD 1.437401
AWG 1.8
AZN 1.70397
BAM 1.711104
BBD 2.014725
BDT 123.291207
BGN 1.69088
BHD 0.37707
BIF 2985
BMD 1
BND 1.291257
BOB 6.923833
BRL 5.111404
BSD 1.000276
BTN 95.289131
BWP 13.527665
BYN 2.859418
BYR 19600
BZD 2.011811
CAD 1.41745
CDF 2258.000362
CHF 0.808312
CLF 0.023491
CLP 924.560396
CNY 6.77695
CNH 6.782275
COP 3253.61
CRC 455.032612
CUC 1
CUP 26.5
CVE 96.903894
CZK 21.248804
DJF 177.720393
DKK 6.548975
DOP 58.703884
DZD 133.256578
EGP 49.625706
ERN 15
ETB 159.37504
EUR 0.875804
FJD 2.233204
FKP 0.745889
GBP 0.746157
GEL 2.64504
GGP 0.745889
GHS 11.46504
GIP 0.745889
GMD 73.503851
GNF 8777.503848
GTQ 7.632579
GYD 209.249425
HKD 7.83925
HNL 26.88504
HRK 6.600504
HTG 130.910459
HUF 311.790388
IDR 18080.55
ILS 3.010904
IMP 0.745889
INR 95.53215
IQD 1309.5
IRR 1374750.000352
ISK 125.640386
JEP 0.745889
JMD 158.048994
JOD 0.70904
JPY 161.67604
KES 129.203801
KGS 87.448804
KHR 4007.503796
KMF 432.00035
KPW 900.00035
KRW 1499.070383
KWD 0.30956
KYD 0.833548
KZT 471.568117
LAK 22558.503779
LBP 89550.000349
LKR 335.597832
LRD 181.503772
LSL 16.315039
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.405039
MAD 9.345039
MDL 17.579053
MGA 4295.000347
MKD 53.998301
MMK 2099.308371
MNT 3585.696251
MOP 8.076444
MRU 40.060379
MUR 47.080378
MVR 15.450378
MWK 1737.000345
MXN 17.468104
MYR 4.070377
MZN 63.903729
NAD 16.320377
NGN 1377.920377
NIO 36.660377
NOK 9.782604
NPR 152.453273
NZD 1.735208
OMR 0.384819
PAB 1.000262
PEN 3.392504
PGK 4.380375
PHP 61.447038
PKR 278.150374
PLN 3.79005
PYG 6081.391432
QAR 3.643504
RON 4.587104
RSD 102.723038
RUB 77.024822
RWF 1465
SAR 3.753865
SBD 8.048583
SCR 14.724861
SDG 600.503676
SEK 9.714225
SGD 1.292904
SHP 0.746601
SLE 24.350371
SLL 20969.503664
SOS 571.503662
SRD 37.610504
STD 20697.981008
STN 21.65
SVC 8.752483
SYP 110.532098
SZL 16.320369
THB 33.288038
TJS 9.257824
TMT 3.5
TND 2.957504
TOP 2.40776
TRY 46.984504
TTD 6.79618
TWD 32.113504
TZS 2630.003038
UAH 44.5007
UGX 3680.71322
UYU 40.332811
UZS 12027.503617
VES 708.806404
VND 26267.5
VUV 120.437365
WST 2.769308
XAF 573.893149
XAG 0.016727
XAU 0.000243
XCD 2.70255
XCG 1.802808
XDR 0.713149
XOF 573.000332
XPF 104.875037
YER 237.075037
ZAR 16.455565
ZMK 9001.203584
ZMW 18.030621
ZWL 321.999592
Adaptar-se ou morrer: as respostas da América Latina a Trump
Adaptar-se ou morrer: as respostas da América Latina a Trump / foto: © AFP/Arquivos

Adaptar-se ou morrer: as respostas da América Latina a Trump

A América Latina atravessa um campo minado de ameaças econômicas e militares desde que o presidente Donald Trump voltou à Casa Branca.

Tamanho do texto:

Alguns líderes regionais contra-atacaram, outros cederam e alguns poucos preferiram olhar para o outro lado.

Nenhum país do "nosso hemisfério", como a Casa Branca denomina as Américas, se livrou do que muitos consideram o retorno do intervencionismo dos Estados Unidos.

"Todo país latino-americano tem uma posição de assimetria com os Estados Unidos. Essa é uma posição de base", explica Alejandro Frenkel, professor de Relações Internacionais da Universidade de San Martín, na Argentina.

Confira a seguir uma breve revisão das ameaças dos Estados Unidos e das respostas dos países latino-americanos:

- "Somos um país soberano" -

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem tido uma relação marcada por muitos embates com Donald Trump.

Em agosto, os Estados Unidos impuseram a parte importante das exportações brasileiras uma sobretaxa de 50% em represália ao que Trump chamou de "caça às bruxas" contra seu aliado, o ex-presidente Jair Bolsonaro, julgado por tentativa de golpe de Estado.

Em setembro, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Bolsonaro a 27 anos de prisão e, na terça-feira, ele começou a cumprir a pena.

Apesar de Trump ter imposto as tarifas punitivas ao Brasil por considerar que seu aliado sofria uma perseguição, após um encontro com Lula em outubro na Malásia, suspendeu boa parte das tarifas.

"Acho que o Trump tem que saber que nós somos um país soberano, que a nossa justiça decide e o que decide aqui tá decidido", afirmou o petista durante uma coletiva de imprensa durante reunião do G20 esta semana na África do Sul.

Para Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, a resposta do Brasil às ameaças de Trump foi "pragmática e firme".

Segundo ele, se isto tivesse ocorrido há 25 anos, quando os Estados Unidos eram seu principal parceiro comercial, "o Brasil teria que ter feito concessões significativas".

Mas agora, "o Brasil exporta mais para a China do que para os Estados Unidos e a Europa juntos".

- "O que Trump quiser" -

No sentido inverso, o presidente da Argentina, Javier Milei, "faz o que Trump fizer e o que Trump quiser", explica à AFP o analista Michael Shifter, do centro de estudos Diálogo Interamericano, em Washington.

Precisando de um apoio forte que o ajude em seus esforços para resgatar a combalida economia argentina, Milei se tornou um aliado ferrenho de Trump e ofereceu à indústria americana acesso preferencial ao mercado de seu país.

O republicano levantou as restrições às importações de carne argentina em um acordo comercial, cujos detalhes completos ainda não foram revelados, e concedeu ao país uma ajuda de vários bilhões de dólares.

Outro fiel escudeiro de Trump na região é Nayib Bukele, o presidente salvadorenho, famoso por conter a violência das gangues e que não hesitou em transformar seu país no primeiro a receber migrantes expulsos durante o segundo mandato do americano.

Grupos de defesa dos direitos humanos acusam Bukele de torturas e outros excessos ilegais, mas em troca de receber migrantes, 200 mil salvadorenhos obtiveram uma prorrogação temporária para continuar nos Estados Unidos, mantendo, assim, o importante fluxo de remessas para o país.

O presidente do Equador, Daniel Noboa, por sua vez, concordou em receber migrantes deportados dos Estados Unidos e ficou ao lado de Washington frente à mobilização militar no Caribe e aos ataques contra supostos narcotraficantes na região.

Em troca, Noboa obteve uma maior cooperação americana na luta contra as quadrilhas de criminosos.

- "Grosseiro e ignorante" -

Por outro lado, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, tem enfrentado abertamente Trump, chegando a chamá-lo de "grosseiro e ignorante" e a compará-lo com Adolf Hitler.

Petro denunciou o tratamento do governo Trump aos imigrantes e tachou de "execuções extrajudiciais" as mais de 80 mortes de supostos narcotraficantes em ataques americanos no Caribe e no Pacífico.

Antes um aliado próximo, Bogotá distanciou-se de Washington e se aproximou de Pequim através da Nova Rota da Seda chinesa.

Como resposta, o governo Trump impôs sanções a Petro e o acusou de traficar drogas.

A Casa Branca retirou a Colômbia de uma lista de aliados no combate ao narcotráfico, à espera das eleições presidenciais no país sul-americano, em 2026.

- "Diplomacia silenciosa" -

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, tem menos opções. Os Estados Unidos são o destino de mais de 80% de suas exportações.

Sheinbaum respondeu à retórica de Trump sobre os cartéis de drogas mexicanos e a migração com acordos a portas fechadas, no que os analistas chamam de "diplomacia silenciosa".

O México evitou parte da guerra tarifária com um aumento do intercâmbio de inteligência, de apreensões de drogas e de prisões de chefes de cartéis.

Mas manteve sua posição de não "subordinação" quando Trump aventou ataques contra traficantes em território mexicano.

Outro que anda na corda bamba é o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, que retirou seu país da Nova Rota da Seda a pedido de Washington.

Mulino permitiu, ainda, a venda de portos de propriedade de um conglomerado com sede em Hong Kong no Canal do Panamá, depois da ameaça de Trump de retomar o controle desta importante via marítima comercial.

- "Não provocar os Estados Unidos" -

A Venezuela está em uma categoria à parte, que teme que a mobilização naval em larga escala dos Estados Unidos no Caribe tenha como objetivo derrubar o presidente Nicolás Maduro.

O líder chavista, a quem boa parte da comunidade internacional acusa de ter cometido fraude nas últimas eleições presidenciais em 2024 tem poucos aliados ou apoiadores econômicos.

As autoridades venezuelanas concordaram em libertar prisioneiros americanos, enquanto Washington permitiu que a Chevron continuasse operando no país com as maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo.

Caracas se prepara para o que considera uma ameaça de Washington, ao mesmo tempo em que "se esforça muito para não provocar os Estados Unidos", disse Guillaume Long, principal cientista do Centro de Pesquisa Econômica e Política, com sede em Washington, e ex-ministro das Relações Exteriores do Equador.

W.Knight--TFWP