The Fort Worth Press - Os principais temas das memórias de Juan Carlos I

USD -
AED 3.672504
AFN 65.000368
ALL 82.125815
AMD 366.589327
ANG 1.790403
AOA 917.000367
ARS 1489.046535
AUD 1.43575
AWG 1.8
AZN 1.70397
BAM 1.712385
BBD 2.016198
BDT 123.381342
BGN 1.69088
BHD 0.377446
BIF 2978.067679
BMD 1
BND 1.292212
BOB 6.923833
BRL 5.111404
BSD 1.001007
BTN 95.359629
BWP 13.538502
BYN 2.861533
BYR 19600
BZD 2.013308
CAD 1.41735
CDF 2258.000362
CHF 0.808342
CLF 0.023592
CLP 928.512017
CNY 6.77695
CNH 6.782275
COP 3294.663573
CRC 455.36926
CUC 1
CUP 26.5
CVE 96.54161
CZK 21.248804
DJF 178.260299
DKK 6.548975
DOP 58.783873
DZD 133.256578
EGP 49.625706
ERN 15
ETB 160.578558
EUR 0.875804
FJD 2.233204
FKP 0.745078
GBP 0.746185
GEL 2.64504
GGP 0.745078
GHS 11.476601
GIP 0.745078
GMD 73.503851
GNF 8779.932583
GTQ 7.638226
GYD 209.403318
HKD 7.83915
HNL 26.799457
HRK 6.600504
HTG 131.007311
HUF 311.790388
IDR 18080.55
ILS 3.010904
IMP 0.745078
INR 95.330504
IQD 1311.38642
IRR 1374750.000352
ISK 125.640386
JEP 0.745078
JMD 158.166616
JOD 0.70904
JPY 161.66504
KES 129.387559
KGS 87.448804
KHR 4035.371886
KMF 432.00035
KPW 900.00035
KRW 1499.150383
KWD 0.30956
KYD 0.834216
KZT 471.916999
LAK 22573.217178
LBP 89643.129186
LKR 335.849057
LRD 181.788732
LSL 16.304951
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.411592
MAD 9.351311
MDL 17.593136
MGA 4291.905617
MKD 53.968393
MMK 2099.567367
MNT 3586.200235
MOP 8.082914
MRU 39.881802
MUR 47.080378
MVR 15.450378
MWK 1735.849057
MXN 17.468404
MYR 4.070377
MZN 63.903729
NAD 16.304951
NGN 1377.920377
NIO 36.834041
NOK 9.782604
NPR 152.575406
NZD 1.727265
OMR 0.384617
PAB 1.001007
PEN 3.400604
PGK 4.468765
PHP 61.447038
PKR 278.263976
PLN 3.79005
PYG 6085.890645
QAR 3.649433
RON 4.587104
RSD 102.77109
RUB 76.636169
RWF 1470.559909
SAR 3.758206
SBD 8.048583
SCR 14.56525
SDG 600.503676
SEK 9.714225
SGD 1.292804
SHP 0.746601
SLE 24.350371
SLL 20969.503664
SOS 572.078974
SRD 37.610504
STD 20697.981008
STN 21.450773
SVC 8.75892
SYP 110.532098
SZL 16.302587
THB 33.288038
TJS 9.264632
TMT 3.5
TND 2.958981
TOP 2.40776
TRY 46.984504
TTD 6.801208
TWD 32.113504
TZS 2630.214945
UAH 44.533818
UGX 3683.404106
UYU 40.362474
UZS 12090.355908
VES 708.806404
VND 26267.5
VUV 120.293183
WST 2.760951
XAF 574.317734
XAG 0.016706
XAU 0.000243
XCD 2.70255
XCG 1.804141
XDR 0.714267
XOF 574.317734
XPF 104.417108
YER 237.075037
ZAR 16.316875
ZMK 9001.203584
ZMW 18.04404
ZWL 321.999592
Os principais temas das memórias de Juan Carlos I
Os principais temas das memórias de Juan Carlos I / foto: © AFP/Arquivos

Os principais temas das memórias de Juan Carlos I

De suas lembranças de infância a questões como a morte, o rei emérito da Espanha, Juan Carlos I, relembra em suas memórias momentos importantes de sua vida, sem evitar temas delicados como presentes, exílio ou seus relacionamentos amorosos.

Tamanho do texto:

Estes são alguns dos episódios narrados na edição francesa de 'Reconciliação', escrita em conjunto com Laurence Debray e publicada nesta quarta-feira (5) na França. A edição espanhola está prevista para o final do ano.

- "Um nó no estômago" -

Juan Carlos I, nascido em Roma no dia 5 de janeiro de 1938, descreve suas lembranças de infância, principalmente na Suíça, onde a família viveu por alguns anos.

No entanto, um dos momentos que mais o marcaram foi quando se mudou aos 10 anos de Portugal para a Espanha para ser educado sob a tutela do ditador Francisco Franco.

"Este país que era meu, mas eu não conhecia, cujo idioma não falava bem", confessa em suas memórias.

Ao pegar o trem, seu pai, o conde de Barcelona disse à sua mãe: "Maria, se despeça de Juanito porque não sabemos quando o veremos novamente".

"Quando ouvi suas palavras, senti um nó no estômago", relembra.

- A morte de seu irmão -

O soberano faz uma referência discreta a outro episódio traumático da sua juventude: a morte do seu irmão mais novo, Alfonso, de 14 anos, em 1956.

Ambos estavam "brincando" com uma pistola calibre 22 na residência da família em Estoril, Portugal. Juan Carlos a teria disparado acidentalmente, em um caso que não chegou a ser realmente investigado pelas autoridades portuguesas ou espanholas.

"Tínhamos retirado o carregador. Não percebemos que ainda havia uma bala na câmara. Um tiro foi disparado para o ar, a bala ricocheteou e atingiu meu irmão no meio da testa", descreve.

"Morreu nos braços do nosso pai. Houve um antes e um depois".

- A última mensagem de Franco -

No início de novembro de 1975, o general Franco, que governou a Espanha com mão de ferro entre 1939 e 1975, estava prestes a morrer.

O ainda príncipe teve uma última conversa com ele no hospital: "Ele pegou minha mão e disse, como em um último suspiro: 'Alteza, só peço uma coisa: mantenha a unidade do país'".

Juan Carlos I pensou que "tinha via livre para empreender reformas, desde que não colocasse em risco a unidade da Espanha".

- O 23 F -

Um dos episódios chave da história recente da Espanha foi a tentativa de golpe de Estado militar de 23 de fevereiro de 1981, que fracassou graças ao rei Juan Carlos I.

O soberano recorda com riqueza de detalhes aquela noite, na qual pediu que seu filho, Felipe, estivesse presente: "Sua instrução como rei começou neste dia".

Os estúdios da Radiotelevisão Espanhola também foram tomados e as equipes demoraram a chegar na residência atual.

"Finalmente gravo minha mensagem à nação (...) Vesti meu casaco de general. Para ir mais rápido, nem sequer vesti as calças", relembra. "Meu discurso é sóbrio e eficaz, com duração de noventa segundos".

- "América Hispânica" -

"Eu sou um rei espanhol que ama a América Hispânica", destaca em um capítulo dedicado aos vínculos entre a Espanha e as nações latino-americanas que, segundo ele, quis "revitalizar".

Segundo o rei emérito, suas relações com todos os líderes latino-americanos foram "respeitosas, exceto uma", com o venezuelano Hugo Chávez, a quem ele disse, durante uma cúpula em 2007 no Chile: "Por que você não se cala?".

Apesar de não compartilhar seus ideais políticos, ele destaca sua relação "quase familiar" com o cubano Fidel Castro: "Ele me enviava todos os anos uma boa caixa de charutos até eu parar de fumar (...) Sempre me emocionava".

- Presentes -

O ex-monarca explica em várias páginas o porquê dos generosos presentes que recebia, especialmente de algumas famílias reais árabes, "um ato de generosidade de uma monarquia para com outra".

Sobre a doação de 100 milhões de dólares (538,4 milhões de reais na cotação atual) do falecido rei da Arábia Saudita, Abdullah, ele admite que foi "um grave erro" aceitá-la.

Na sequência das revelações cada vez mais embaraçosas sobre a origem duvidosa da sua fortuna, deixou Espanha em 2020, após ter sido aberta uma investigação judicial contra ele, que mais tarde foi arquivada.

- Corinna -

Embora sem citar seu nome, o ex-monarca reconhece outro "erro": seu relacionamento extraconjugal com a aristocrata e empresária alemã Corinna Larsen, que o processou sem sucesso no Reino Unido por assédio.

Ele estava com ela quando, durante uma caça de elefantes em Botsuana, em 2012, e em plena crise econômica na Espanha, caiu e fraturou o quadril, um comportamento pelo qual pediu desculpas.

"Não quero que ela tenha a última palavra, que sua verão seja considerada a única verdade" nesta questão, que "teve um impacto infeliz no meu reinado e no meu destino", escreve o ex-soberano, que se define como um "homem ferido".

- Exílio -

Sua crescente impopularidade na Espanha e seus problemas de saúde o levaram a abdicar em 2014, apesar de que seu pai costumasse dizer que um rei "morre com as botas calçadas", e seis anos depois ele se exilou em Abu Dhabi para não prejudicar a Coroa.

"Pensava em me afastar por algumas semanas no máximo", reconhece o monarca, que lamenta que, cinco anos depois, a rainha Sofia não o tenha visitado e o "ostracismo" a que teria sido condenado.

"Não existe um dia sequer que a saudade não me invada", acrescenta.

Sobre a monarquia na Espanha, "mais recente e frágil" que em outros países, Juan Carlos I assegura que "fará tudo o possível para que (seu) filho, o rei Felipe, triunfe à frente da instituição e que sua filha, a princesa Leonor, extremamente preparada, o suceda".

- Morte -

O "medo" de morrer sem dar a sua "versão da História" o motivou a escrever suas memórias e, embora confesse que "não está obcecado" com a sua morte, os seus últimos anos de vida pairam sobre o livro.

O ex-soberano recorda o enterro de 2022 de sua "prima", a rainha da Inglaterra Elizabeth II, e, um ano depois, o de seu cunhado, o ex-rei grego Constantino II, que "pelo menos teve a satisfação de morrer na Grécia".

"Espero, enquanto viver, desfrutar de uma aposentadoria tranquila, restabelecer uma relação harmoniosa com meu filho e, sobretudo, voltar à Espanha", conclui Juan Carlos I, que deseja "ser enterrado com honras".

J.M.Ellis--TFWP