The Fort Worth Press - Estados Unidos reduzem presença militar na Europa, mas sem 'retirada'

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Estados Unidos reduzem presença militar na Europa, mas sem 'retirada'
Estados Unidos reduzem presença militar na Europa, mas sem 'retirada' / foto: © AFP/Arquivos

Estados Unidos reduzem presença militar na Europa, mas sem 'retirada'

Os Estados Unidos anunciaram, nesta quarta-feira (29), uma redução de sua presença militar na frente oriental da Europa, mas tranquilizaram seus aliados sobre a natureza do "ajuste", assegurando que não equivale a uma "retirada" do continente europeu.

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Esse recuo de uma brigada do exército americano afeta principalmente a Romênia, embora o conflito na Ucrânia continue ativo em suas fronteiras.

"Isto não é uma retirada americana da Europa nem um sinal de um compromisso reduzido com a Otan", ressaltou o exército americano em um comunicado de seu Estado-Maior na Europa.

Atualmente, cerca de 85 mil soldados americanos estão alocados na Europa. Esse número oscilou entre 75 mil e 105 mil após o envio de 20 mil reforços depois da invasão russa da Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, segundo o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Trata-se de um "ajuste" que não impedirá que as forças americanas continuem sendo "mais numerosas" do que antes de 2022, reagiu um funcionário da Otan, indicando que a organização foi informada com antecedência e que os "ajustes" na presença militar americana não são "incomuns".

Na Alemanha, onde se encontra o maior contingente de tropas americanas na Europa, um porta-voz do governo afirmou que seu país não será afetado por esse recuo.

Para o ex-assessor de segurança nacional do presidente romeno, George Scutaru, esse movimento envia "um sinal ruim à Rússia" sobre a região do Mar Negro.

"A Rússia poderia considerar que o Mar Negro não é tão importante para os interesses americanos na Europa", declarou à AFP, estimando que isso a encorajaria "a pressionar mais, especialmente a Romênia, utilizando drones ou incursões no espaço aéreo".

- Capacidades estratégicas sem mudanças -

Na Romênia, os Estados Unidos suspenderão a rotação de uma brigada, disse por sua vez o Ministério da Defesa romeno.

"Cerca de 900 a 1.000 soldados americanos permanecerão na Romênia, contribuindo para dissuadir qualquer ameaça e garantindo o compromisso dos Estados Unidos com a segurança regional", segundo Bucareste.

Atualmente, 1.700 soldados americanos estão destacados na Romênia.

"As capacidades estratégicas permanecem sem mudanças", afirmou o ministro da Defesa romeno, Ionuț Moșteanu.

"O sistema de defesa antimísseis em Deveselu continua plenamente operacional. A base aérea de Câmpia Turzii continua sendo um ponto-chave para as operações aéreas e a cooperação aliada, a base de Mihail Kogălniceanu continua se desenvolvendo, e a bandeira americana permanecerá nesses três locais", disse.

"Um grupo de combate aéreo permanecerá na base de Kogălniceanu, como antes do início do conflito na Ucrânia", apontou.

No entanto, há vários anos, os Estados Unidos buscam reorientar suas prioridades estratégicas para a Ásia, incluindo a redução de sua "pegada" na Europa.

O retorno de Donald Trump ao poder em janeiro acentuou a tendência.

O secretário americano de Defesa, Pete Hegseth, alarmou os aliados europeus em fevereiro ao anunciar que agora deveriam assumir "a responsabilidade por sua própria segurança convencional no continente".

Ou seja, depender de seus próprios exércitos e não apenas das forças americanas, embora estas continuem comprometidas com a Otan, especialmente em matéria de dissuasão nuclear.

O ministro romeno da Defesa destacou que a decisão americana era "um desenvolvimento previsível que todos havíamos antecipado", lembrando que a Europa começou a investir mais em suas próprias forças e "decidiu assumir sua defesa".

A decisão de Washington "enfraquecerá a segurança" da Romênia, um país "na linha de frente", estimou por sua vez no X Phillips Payson O'Brien, historiador americano e professor na Universidade St Andrews da Escócia.

"Acorda, Europa. Os Estados Unidos não te defenderão da Rússia", acrescentou.

L.Davila--TFWP