The Fort Worth Press - Justiça da Colômbia acusa ex-presidente Uribe de suborno e fraude

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Justiça da Colômbia acusa ex-presidente Uribe de suborno e fraude
Justiça da Colômbia acusa ex-presidente Uribe de suborno e fraude / foto: © AFP/Arquivos

Justiça da Colômbia acusa ex-presidente Uribe de suborno e fraude

O Ministério Público da Colômbia acusou na sexta-feira (24) o ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010) por suborno a testemunhas e fraude, no primeiro julgamento criminal contra um ex-chefe de Estado na história do país.

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Uribe é acusado de "oferecer dinheiro em espécie ou outros benefícios a testemunhas selecionadas de atos criminosos para que faltassem com a verdade", em um caso que o vincula a grupos paramilitares, segundo um documento assinado pelo procurador Gilberto Villarreal, que apresentou acusações de suborno, suborno de testemunhas e fraude.

Na retomada da audiência virtual que começou na semana passada, o ex-presidente insistiu em sua inocência e pediu a anulação do caso.

"Não tomei a iniciativa de procurar testemunhas. Pretendia defender a minha reputação", argumentou Uribe, que pode ser condenado a uma pena de entre seis e 12 anos.

A juíza Sandra Heredia rejeitou o pedido e reconheceu como possíveis vítimas um senador, a ex-mulher de um paramilitar que relacionou ao ex-governante com os grupos armados e dois ex-procuradores.

Considerado um dos políticos mais influentes na Colômbia, Uribe afirmou que sente um "impacto na alma" por ser o primeiro ex-presidente a ter que se defender na justiça.

Ele também alegou ser vítima de uma conspiração idealizada por juízes e "opositores" que usaram "interceptações (telefônicas) ilegais" para obter provas contra ele.

Aos 71 anos, o ex-presidente responde a uma denúncia que inicialmente ele apresentou, mas que se voltou contra ele.

Em 2012, Uribe, na época senador, apresentou uma denúncia contra o congressista de esquerda Iván Cepeda, a quem acusou de procurar testemunhos falsos para vinculá-lo aos paramilitares que travaram uma guerra violenta contra as guerrilhas de esquerda entre os anos 1990 e o início dos anos 2000.

A Suprema Corte, no entanto, não apenas rejeitou o processo contra Cepeda, como em 2018 começou a investigar o ex-presidente por suspeitas de que foi Uribe quem, na realidade, tentou manipular testemunhas.

Uribe supostamente tentou difamar Cepeda com a acusação de que havia procurado ex-paramilitares presos para que o relacionassem aos esquadrões de extrema-direita responsáveis por centenas de massacres.

Em agosto de 2020, os juízes ordenaram prisão domiciliar do ex-presidente, argumentando que, em liberdade, Uribe poderia prejudicar a investigação.

Uribe renunciou ao Senado e o caso passou a um tribunal de primeira instância, que revogou a ordem de detenção e reiniciou todo o processo.

- Acusações -

O ex-procurador-geral (2012-2016) Eduardo Montealegre e seu vice Jorge Perdomo também teriam sido alvos de uma armação idealizada por Uribe, segundo a tese da Procuradoria.

Com ajuda do advogado Diego Cadena, o ex-presidente teria oferecido benefícios a paramilitares presos para que denunciassem os então procuradores por supostas ofertas de benefícios para que testemunhassem contra Uribe.

A próxima audiência do processo foi convocada para 10 de julho.

Durante seus mandatos de presidente, Uribe gozou de imensa popularidade pela política de linha dura com a qual o seu governo enfraqueceu as guerrilhas.

Porém, sua imagem foi abalada por vários escândalos e processos judiciais nos últimos anos.

Em novembro de 2023, o ex-presidente prestou depoimento em uma investigação preliminar por seu suposto conhecimento prévio de um massacre e do assassinato de um ativista dos direitos humanos, após o depoimento do ex-chefe paramilitar Salvatore Mancuso.

Também foi denunciado em um tribunal argentino por sua suposta responsabilidade em mais de 6.000 execuções e desaparecimentos forçados de civis cometidos entre 2002 e 2008, durante seu governo, um caso conhecido como "falsos positivos". A justiça deste país ainda não se pronunciou sobre o caso.

B.Martinez--TFWP