The Fort Worth Press - Agricultores intensificam protestos apesar das concessões da UE

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Agricultores intensificam protestos apesar das concessões da UE
Agricultores intensificam protestos apesar das concessões da UE / foto: © AFP

Agricultores intensificam protestos apesar das concessões da UE

Os protestos dos agricultores não recuam na União Europeia (UE), em particular na França, onde o bloqueio de rodovias prossegue pelo 14º dia consecutivo, apesar das concessões da Comissão Europeia.

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Poucas horas antes do início de uma reunião de cúpula de governantes da UE em Bruxelas, quase "mil tratores ou máquinas agrícolas" tomaram várias avenidas da capital da Bélgica, informou a polícia.

Na quarta-feira, agricultores franceses e belgas bloquearam um acesso da fronteira entre os países para criticar os acordos comerciais com países de fora do bloco e exigir "anúncios contundentes" na reunião de Bruxelas.

Embora a revolta dos produtores agrícolas não conste na agenda oficial da reunião, o presidente francês Emmanuel Macron deve abordar o tema com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Um dos principais pontos de tensão é o acordo que UE e Mercosul negociam há 20 anos e que, segundo os agricultores, representaria um duro revés para o setor na Europa.

O ministro da Economia da França, Bruno Le Maire, ressaltou a disposição de Paris de travar uma batalha com a Comissão Europeia contra a assinatura do acordo em sua forma atual com o bloco sul-americano, formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

- Detenções -

A França, onde a pressão não dá trégua nas rodovias ao redor de Paris, continua sendo o epicentro dos protestos. A tensão aumentou na quarta-feira com as primeiras detenções.

Setenta e nove agricultores permaneciam detidos nesta quinta-feira devido à invasão do mercado atacadista de Rungis, centro de alimentos crucial de Paris e um dos maiores do mundo, informou à AFP uma fonte policial.

O sindicato Coordenação Rural, que convocou o bloqueio a Rungis, sugere agora que os agricultores sigam até a Assembleia Nacional (Câmara Baixa do Parlamento) de Paris para uma "reunião" com seus deputados.

Arnaud Rousseau, líder do principal sindicato agrícola francês, FNSEA, pediu "calma" e advertiu que as "expectativas são enormes diante do acúmulo de normas, mas que muitos temas não podem ser resolvidos em três dias".

As medidas anunciadas pelo governo francês e as concessões da Comissão Europeia, em particular a revogação "parcial" em 2024 da obrigação de deixar 4% das terras aráveis em pousio, não parecem suficientes para convencê-los.

- Portugal, Itália, Espanha -

A mobilização também afeta outros países da UE. Depois da França, Alemanha e Itália, os agricultores portugueses pretendem tomar as rodovias do país com seus tratores nesta quinta-feira.

A principal confederação agrária italiana, Coldiretti, pretende enviar mil trabalhadores rurais a Bruxelas para denunciar "as loucuras que ameaçam a agricultura".

Na Espanha, o ministro da Agricultura, Luis Planas, anunciou que receberá na sexta-feira representantes dos três principais sindicatos do setor, que ameaçam iniciar uma mobilização nas próximas semanas.

O setor rural espanhol enfrenta um momento difícil devido à seca que a afeta há três anos e reduziu consideravelmente as colheitas de azeitonas e cereais. Os sindicatos também denunciam a "burocracia asfixiante" da UE.

Apesar das situações diferentes, as mesmas reclamações são ouvidas na maioria dos países europeus: uma política da UE muito complexa, receitas muito baixas, inflação, concorrência estrangeira, acúmulo de regulamentações...

Além da revogação do pousio, a Comissão Europeia também anunciou na quarta-feira que vai estudar um mecanismo para limitar as importações, em particular de aves, da Ucrânia, país em guerra contra a Rússia desde 2022.

A nova Política Agrícola Comum (PAC), um dos pilares das políticas da UE e responsável por estabelecer as condições para a concessão de subsídios agrícolas, e o Pacto Verde climático cristalizam o mal-estar.

J.Ayala--TFWP