The Fort Worth Press - Casa Argentina, residência universitária que gera preocupação na França

USD -
AED 3.673031
AFN 65.000166
ALL 79.569641
AMD 363.409587
ANG 1.790365
AOA 918.00032
ARS 1512.961299
AUD 1.410825
AWG 1.8
AZN 1.691796
BAM 1.695609
BBD 2.01466
BDT 123.160418
BGN 1.683441
BHD 0.376987
BIF 2995
BMD 1
BND 1.273738
BOB 10.998357
BRL 5.155903
BSD 1.000308
BTN 95.98391
BWP 13.567066
BYN 3.037656
BYR 19600
BZD 2.011747
CAD 1.39905
CDF 2310.000046
CHF 0.82507
CLF 0.024176
CLP 954.610192
CNY 6.706397
CNH 6.71213
COP 3137.26
CRC 447.438348
CUC 1
CUP 26.5
CVE 95.999854
CZK 21.22045
DJF 177.720549
DKK 6.5216
DOP 58.850294
DZD 133.882834
EGP 52.203203
ERN 15
ETB 160.950234
EUR 0.872439
FJD 2.24075
FKP 0.741937
GBP 0.747161
GEL 2.598187
GGP 0.741937
GHS 11.504998
GIP 0.741937
GMD 73.999781
GNF 8777.498433
GTQ 7.636255
GYD 209.277425
HKD 7.84454
HNL 26.847168
HRK 6.572197
HTG 130.738787
HUF 317.976497
IDR 17739
ILS 3.027498
IMP 0.741937
INR 96.12745
IQD 1310.5
IRR 1374574.999673
ISK 121.939953
JEP 0.741937
JMD 157.856864
JOD 0.708968
JPY 156.235039
KES 129.580248
KGS 87.449903
KHR 4052.999672
KMF 427.999708
KPW 900.000318
KRW 1377.410132
KWD 0.30895
KYD 0.833583
KZT 444.773881
LAK 22385.000532
LBP 89549.999623
LKR 331.544497
LRD 174.650007
LSL 16.302791
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.344976
MAD 9.466981
MDL 17.439779
MGA 4325.19127
MKD 53.344315
MMK 2099.62457
MNT 3595.075141
MOP 8.082447
MRU 40.059896
MUR 47.2899
MVR 15.410137
MWK 1736.500643
MXN 17.225165
MYR 4.068399
MZN 63.8841
NAD 16.299005
NGN 1330.340246
NIO 36.811146
NOK 9.43152
NPR 153.579928
NZD 1.749845
OMR 0.384515
PAB 1.000282
PEN 3.358029
PGK 4.522953
PHP 62.860164
PKR 277.297895
PLN 3.806705
PYG 5918.765443
QAR 3.643998
RON 4.591495
RSD 102.38974
RUB 84.265707
RWF 1470
SAR 3.753075
SBD 8.03625
SCR 13.876667
SDG 601.50406
SEK 9.85978
SGD 1.27634
SHP 0.746965
SLE 24.640293
SLL 20969.491881
SOS 571.673797
SRD 37.752502
STD 20697.981008
STN 21.240534
SVC 8.752834
SYP 13002.000254
SZL 16.283395
THB 33.370559
TJS 9.226022
TMT 3.5
TND 2.928519
TOP 2.40776
TRY 48.665972
TTD 6.782056
TWD 31.905803
TZS 2645.047976
UAH 44.609389
UGX 3916.077853
UYU 40.244484
UZS 11793.315705
VES 841.183999
VND 25998.5
VUV 118.157011
WST 2.736734
XAF 572.282735
XAG 0.015878
XAU 0.000235
XCD 2.70255
XCG 1.802758
XDR 0.707052
XOF 572.282735
XPF 103.393717
YER 236.486468
ZAR 16.372355
ZMK 9001.200586
ZMW 19.630588
ZWL 321.999592
SSP 5655.283496
MXV 1.953099
Casa Argentina, residência universitária que gera preocupação na França
Casa Argentina, residência universitária que gera preocupação na França / foto: © AFP

Casa Argentina, residência universitária que gera preocupação na França

Denúncias de expulsões, reuniões privadas da extrema direita... A preocupação com a Casa Argentina, em um prestigiado campus de residências universitárias de Paris, aumenta e pode entrar na pauta da visita do presidente argentino, Javier Milei, à França.

Tamanho do texto:

Com quase um século de história, a Casa Argentina na Cité Internationale Universitaire de Paris, que já abrigou intelectuais como o escritor Julio Cortázar, está mergulhada em polêmicas desde que o governo Milei nomeou, em 2024, o advogado franco-argentino Santiago Muzio como diretor.

"É uma miniditadura", onde se vive com "medo constante" e "sem liberdade de expressão", afirmou à AFP uma residente no ano letivo de 2025/2026. "Estamos todos indignados, é horrível o que está acontecendo nessa casa", acrescentou o diretor de outra das 47 residências da "Cité U".

Assim como muitas das fontes ouvidas pela AFP, ambos pediram anonimato por medo da reação de Muzio.

Católico fervoroso, Muzio dirigia desde 2020 a filial em Madri do Instituto de Ciências Sociais, Econômicas e Políticas (ISSEP), instituição privada fundada pela eurodeputada francesa de extrema direita Marion Maréchal, sobrinha de Marine Le Pen.

Diante da crescente preocupação, a Prefeitura de Paris pediu em 30 de julho ao ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, uma "investigação" e que tratasse da situação com o governo argentino.

"Mantemos conversas em andamento com as autoridades argentinas", respondeu Barrot na terça-feira.

Blandine Sorbe, delegada-geral da fundação que administra a Cité U, afirmou à AFP que trabalha para que a questão "seja abordada" em nível diplomático, no contexto da visita de Milei prevista para o fim de setembro e início de outubro.

Nem a Casa nem Muzio nem o Ministério do Capital Humano argentino responderam às perguntas da AFP. Os ministérios franceses do Interior e do Ensino Superior também não responderam.

- "Medo" -

Criada em 1925, após a Primeira Guerra Mundial, para "contribuir para a construção de um mundo de paz", a Cité Internationale Universitaire de Paris recebe anualmente cerca de 12 mil estudantes, pesquisadores e artistas de 150 nacionalidades em suas 48 residências.

As regras recomendam que 30% dos moradores de cada residência sejam de outras nacionalidades para estimular o intercâmbio, prática conhecida como "brassage".

Com capacidade para cerca de 80 pessoas, a Casa Argentina foi inaugurada em 1928. Seus moradores pagam atualmente entre 620 e 1.210 euros mensais (de R$ 3.900 a R$ 7.600).

"A Casa era um espaço de convivência, cultura e arte. Hoje é um espaço de medo, controle, vigilância, câmeras", resumiu outro residente do último ano letivo.

Os moradores denunciam restrições ao acesso a áreas comuns, como a sala de convivência e a churrasqueira, e afirmam que o medo os levou a conversar aos "sussurros".

Uma das primeiras decisões de Muzio foi não assinar a Carta de Valores da Cité U, firmada anualmente pelos diretores. O documento defende os direitos humanos e a vida privada e proíbe, entre outras práticas, a discriminação por gênero ou orientação sexual.

"Abriu um precedente", afirmou Laurent Schneider, presidente da conferência de diretores das residências. Ao ser questionado por Schneider sobre seus motivos, Muzio respondeu que não poderia assinar "em sã consciência" um documento que reconhece a igualdade de gênero e de orientação sexual.

Uma fonte com conhecimento sobre a residência afirma que Muzio também retirou cartazes em defesa dos direitos LGBTQIA+.

- "Perseguição política" -

O "ponto de ruptura", segundo uma residente, ocorreu em fevereiro, quando foi removida uma placa "em homenagem aos 30.000 desaparecidos e vítimas do Terrorismo de Estado (1974-1983)" na Argentina, sob a justificativa de obras.

Os moradores organizaram então uma homenagem aos desaparecidos na Casa da Alemanha, e a fundação responsável pela Cité U instalou uma placa semelhante no campus.

Meses depois, 13 moradores que participaram da homenagem ou questionaram a retirada da placa foram impedidos de permanecer na Casa durante as férias universitárias, como era habitual, afirmou Salvador Calanni, um dos afetados.

Calanni, então vice-presidente do comitê de moradores, considerou a medida uma "perseguição política". Cerca de dez dos afetados foram acolhidos em julho e agosto por outras residências.

Apesar de ser beneficiário da bolsa de pesquisa Marie Skłodowska-Curie, a mais prestigiosa da União Europeia, Calanni voltou a ficar sem vaga para o ano letivo de 2026-2027 após um controverso processo de seleção.

A Casa abriu e encerrou o processo em agosto, embora ele tradicionalmente ocorra em maio e junho, antes do início das aulas, em setembro. Nem todas as vagas disponíveis foram preenchidas.

Dos 42 candidatos que ficaram de fora, seis contestaram a decisão junto ao Ministério do Capital Humano argentino, alegando que foram excluídos "por uma decisão discricionária", e não por seus méritos, segundo um documento consultado pela AFP.

Muzio também demitiu uma das quatro pessoas que trabalhavam permanentemente na Casa, e outras duas deixaram seus cargos.

- "Internacional reacionária" -

A situação passou a afetar toda a Cité U. "A confiança foi rompida", afirmou Schneider.

O diretor de outra residência disse temer enviar um de seus moradores à Casa Argentina por meio do "brassage" e que ele se depare com uma reunião da extrema direita.

Em novembro, por exemplo, dois grupos de reflexão ligados à extrema direita na Polônia e na Hungria apresentaram no local o plano "O Grande Reset", que propõe desmantelar a União Europeia ou reduzir seu alcance atual, segundo o veículo independente de esquerda "Basta!".

Em maio, a Casa também sediou o debate "Protejamos a dignidade humana no fim da vida: basta de eutanásia na Europa".

A senadora franco-argentina Sophie Briante Guillemont questionou o governo em março sobre possíveis medidas para impedir que as instalações da Cité U sejam utilizadas para fins alheios à sua missão universitária.

"Milei faz parte do que se chama de internacional reacionária. É legítimo querer saber o que acontece dentro dessa casa a partir do momento em que, claramente, existem questões que podem afetar a política nacional francesa e até europeia", afirmou a parlamentar à AFP.

A França realizará sua eleição presidencial em abril e maio de 2027, com a candidata de extrema direita Marine Le Pen liderando as pesquisas e em meio a temores de interferência estrangeira.

- Uma resposta difícil -

Muzio defende que se trata de liberdade de expressão e afirma que essas reuniões são privadas e que os espaços são alugados para arrecadar recursos para a Casa, explicou Sorbe.

A margem de ação da Cité U parece limitada. A fundação pretende reforçar seu "marco ético" para estabelecer limites sobre o que é aceitável no campus.

Sobre cerca de dez casos de discriminação denunciados até agora — a maioria por opinião política e um por orientação sexual —, Sorbe afirmou que não foi possível reunir "elementos suficientes" para comprová-los segundo a legislação francesa.

O principal obstáculo para uma eventual intervenção está na estrutura administrativa da Casa: ela depende diretamente do Ministério do Capital Humano argentino e, ao contrário de praticamente todas as outras residências, não conta com um conselho de administração com representantes da Cité Universitaire.

Desde a década de 2010, a Cité U tenta regularizar essa situação, mas "isso não depende apenas de nós, é realmente uma questão de discussão bilateral e diplomática", ressaltou Sorbe.

A situação na Casa está entre os motivos que levaram mais de 1.600 pessoas a pedir ao Conselho de Paris que declare Milei "persona non grata", mas a Prefeitura esclareceu à AFP que apenas o Estado francês tem competência para adotar essa medida.

G.Dominguez--TFWP