The Fort Worth Press - Islândia rejeita retomar negociações de adesão à União Europeia

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Islândia rejeita retomar negociações de adesão à União Europeia
Islândia rejeita retomar negociações de adesão à União Europeia / foto: © AFP

Islândia rejeita retomar negociações de adesão à União Europeia

Os islandeses rejeitaram a retomada das negociações de adesão à União Europeia, segundo os resultados finais do referendo divulgados neste domingo (30), um revés para Bruxelas, que via com bons olhos uma possível candidatura da próspera ilha do Atlântico Norte.

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Os islandeses votaram no sábado em um referendo acirrado sobre a retomada ou não das negociações de adesão à UE.

Segundo a emissora pública RUV, após a contagem de todos os votos, 52,8% dos eleitores responderam "não" e 47,2% "sim".

O país, com apenas 400 mil habitantes, solicitou a adesão à UE após a crise financeira de 2009, que devastou sua economia, fortemente exposta a hipotecas 'subprime' americanas.

As negociações, no entanto, foram suspensas em 2013 com a ascensão ao poder de um governo eurocético.

"Quero ser absolutamente clara: este governo não retomará as negociações de adesão durante esta legislatura", que se estenderá até 2028, afirmou a primeira-ministra islandesa, Kristrun Frostadottir, que havia se mostrado favorável à retomada das negociações.

Essa rejeição não é "um revés", mas "uma vitória para a democracia", acrescentou a líder social-democrata. Oito em cada dez eleitores participaram do referendo, que foi promovido pelo governo.

O resultado negativo congela qualquer discussão sobre uma possível adesão ao bloco até pelo menos 2028 e representa um grande revés para a UE, que parecia disposta a fazer concessões para que a Islândia se juntasse às suas fileiras.

A Islândia mantém uma estreita parceria com a UE por meio de sua participação no Espaço Econômico Europeu (EEE) e no Espaço Schengen de livre circulação, laços que devem permanecer inalterados.

Diante da crescente pressão internacional, o atual governo quis avaliar a opinião pública para verificar se as pessoas eram favoráveis a uma integração mais profunda. Embora o resultado do referendo não seja vinculativo, o Executivo prometeu respeitá-lo.

- "Unir os dois lados" -

A campanha focou principalmente em questões econômicas e nacionais, embora a guerra na Ucrânia e as ambições do presidente dos EUA, Donald Trump, na vizinha Groenlândia, tenham dado à votação uma dimensão geopolítica.

Em todo caso, a votação "permitiu um debate renovado sobre a União Europeia, sobre o lugar da Islândia no mundo e, de forma mais abrangente, sobre o seu posicionamento geopolítico", disse Frostadottir no sábado.

A campanha mobilizou e dividiu profundamente os islandeses. Segundo a RUV, a participação foi de 82,5%, superior à das eleições parlamentares de 2009, no auge da crise econômica.

"Talvez ainda esteja em uma espécie de fase de negação depois do que acabou de acontecer", disse à AFP Elisabet Anna Kristjansdottir, uma artista de 37 anos. "É muito triste que os islandeses nem sequer queiram explorar as possibilidades de aderir à União Europeia."

Em contraste, outra eleitora, Anna Maria Bogadottir, disse estar "muito feliz" com o resultado. "Agora temos que assimilar o resultado, pois ele nos apresenta o desafio de unir os dois lados, cada um representando 50% do país."

A pesca, que representa quase 40% das exportações do país, foi um dos principais pontos de discórdia durante a campanha. A Islândia quer manter o controle exclusivo, recusando-se a cumprir as cotas anuais estabelecidas por Bruxelas, que se mostrou disposta a encontrar "soluções criativas".

Para a União Europeia, que não admite nenhum país rico desde 1995, a adesão da Islândia teria sido vista como um sinal positivo de sua política de ampliação e teria permitido fortalecer sua presença no Ártico, uma região cada vez mais cobiçada.

Uma vitória do "sim" na Islândia também poderia ter reacendido o debate na Noruega, outro país muito próspero que continua relutante em aderir ao bloco.

C.M.Harper--TFWP