The Fort Worth Press - IA impulsiona nova era de autodiagnóstico médico

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IA impulsiona nova era de autodiagnóstico médico
IA impulsiona nova era de autodiagnóstico médico / foto: © AFP

IA impulsiona nova era de autodiagnóstico médico

De fones de ouvido que detectam os primeiros sinais de Alzheimer a dispositivos que estudam sinais de estresse pós-traumático ou identificam descargas cerebrais vinculadas à epilepsia, a inteligência artificial (IA) é cada vez mais utilizada para facilitar o autodiagnóstico de doenças.

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"A razão pela qual a medicina preventiva não funciona agora é porque você não quer ir ao médico o tempo todo para fazer exames", disse Ramses Alcaide, cofundador e diretor executivo da startup Neurable. "Mas e se você soubesse quando é o momento de ir à consulta?".

Anéis, pulseiras e relógios inteligentes - onipresentes na Consumer Electronics Show (CES) em Las Vegas na semana passada - já podem monitorar frequência cardíaca, pressão arterial e níveis de glicose, com diferentes níveis de precisão.

Estes dispositivos têm grande demanda entre os consumidores. Um recente estudo publicado pela OpenAI mostrou que mais de 200 milhões de usuários usam ChatGPT todas as semanas para buscar informações sobre temas de saúde.

A OpenAI chegou a lançar um chatbot capaz de utilizar históricos médicos do usuário e outros dados coletados por dispositivos portáteis, com seu consentimento, para fundamentar suas respostas.

Com a tecnologia de eletroencefalograma (EEG), a Neurable desenvolveu um fone de ouvido que registra e decifra a atividade cerebral.

O modelo atualmente à venda permite identificar sinais de fadiga mental e sugerir uma pausa. A Neurable também trabalha em fones de ouvido para otimizar o desempenho dos "gamers".

Além disso, está desenvolvendo uma função que compara os dados com histórico do usuário e pode detectar um desvio, uma possível indicação de uma patologia, explica Alcaide.

"O Apple Watch pode detectar o Parkinson, mas só consegue fazê-lo quando você já tem tremor", disse Alcaide. Mas, neste momento, "seu cérebro já vem lutando contra esse Parkinson há mais de 10 anos", explicou.

Com a tecnologia do EEG, "você pode detectar estas coisas mesmo antes de ver sintomas físicos. E este é apenas um exemplo", afirmou.

- Detecção precoce de sintomas -

Alguns têm dúvidas sobre as capacidades de alguns destes dispositivos pessoais.

"Não acredito que um dispositivo de EEG portátil seja suficientemente confiável", disse Anna Wexler, professora da Universidade da Pensilvânia que estuda produtos de detecção para consumidores, embora reconheça que "a IA ampliou as possibilidades destes dispositivos".

Embora o produto da Neurable não possa oferecer um diagnóstico propriamente dito, pode servir como alerta. Também pode detectar sinais de depressão e um desenvolvimento precoce da doença de Alzheimer.

A Neurable trabalha com o exército da Ucrânia para avaliar a saúde mental dos soldados diante da guerra com a Rússia, assim como ex-prisioneiros de guerra, com a finalidade de detectar transtornos de estresse pós-traumático (TEPT).

A startup francesa NAOX, por sua vez, desenvolveu alguns fones de ouvido EEG conectados a uma pequena caixa que pode ajudar pacientes com epilepsia.

Mais que detectar convulsões, que, em geral, são "muito raras", o dispositivo reconhece "picos": descargas elétricas anormais e rápidas no cérebro que são características de um quadro epiléptico e "muito mais difíceis de ver", explicou Marc Vaillaud, diretor de inovação da NAOX e médico de formação.

O dispositivo da NAOX —autorizado pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA)— foi projetado para uso noturno e pode registrar várias horas de dados por sessão.

A empresa trabalha com os hospitais Rothschild e Lariboisière de Paris para tentar compreender melhor os vínculos entre estes "picos" cerebrais e a doença de Alzheimer, vínculos que foram levantados em publicações científicas.

W.Lane--TFWP