The Fort Worth Press - Tensão com a China derruba a Bolsa de Tóquio

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Tensão com a China derruba a Bolsa de Tóquio
Tensão com a China derruba a Bolsa de Tóquio / foto: © AFP/Arquivos

Tensão com a China derruba a Bolsa de Tóquio

As ações das empresas japonesas de turismo e comércio registraram queda expressiva nesta segunda-feira (17) na Bolsa de Tóquio, depois que a China recomendou que seus cidadãos não visitem o Japão, em um momento de tensão motivado pela questão de Taiwan.

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A crise começou em 7 de novembro, quando a nova primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, declarou que, se uma hipotética "situação de emergência" em Taiwan implicasse o uso da força por parte da China e a mobilização de navios de guerra, o cenário "poderia constituir uma ameaça à sobrevivência do Japão".

China e Japão convocaram na semana passada seus embaixadores para consultas. Pequim posteriormente aconselhou seus cidadãos a não viajar para o Japão.

Um funcionário de alto escalão da diplomacia japonesa desembarcou nesta segunda-feira na China para tentar conter as tensões, informou a imprensa.

As ações da empresa de cosméticos Shiseido caíram 11,4%, enquanto os títulos do grupo varejista Takashimaya recuaram 6% e a Fast Retailing, proprietária da Uniqlo, perdeu quase 6%.

Por sua vez, as ações da Japan Airlines recuaram 3,4%, apesar de não terem sido registrados cancelamentos significativos de voos entre os países.

As duas principais economias da Ásia estão muito interconectadas. A China é a principal fonte de turistas no Japão, com quase 7,5 milhões de visitantes nos primeiros nove meses do ano.

Com um iene desvalorizado que deixa as compras mais baratas, os turistas chineses gastaram mais de um bilhão de dólares por mês no terceiro trimestre, o que equivale a quase 30% de todos os gastos dos turistas.

Antes de assumir o poder em outubro, a primeira-ministra Takaichi já havia sido muito crítica em relação à China e ao seu fortalecimento militar na região da Ásia-Pacífico.

- Mobilização da aviação japonesa -

As declarações de 7 de novembro foram interpretadas como uma sugestão de que um ataque contra Taiwan — uma ilha cuja soberania é reivindicada por Pequim — poderia justificar uma intervenção militar de Tóquio em defesa de Taipé.

Taiwan fica a apenas 100 km da ilha japonesa mais próxima. As leis japonesas indicam que suas Forças Armadas só podem atuar sob certas condições, incluindo uma ameaça existencial.

As afirmações de Takaichi aconteceram poucos dias após ela se reunir com o presidente chinês Xi Jinping, em um encontro aparentemente cordial à margem de uma cúpula na Coreia do Sul.

Paralelamente, o Japão anunciou nesta segunda-feira que mobilizou sua aviação após detectar um suposto drone chinês próximo de sua ilha mais próxima de Taiwan.

"No sábado 15 de novembro foi confirmado que uma aeronave não tripulada, supostamente de origem chinesa, sobrevoou a área entre a ilha de Yonaguni e Taiwan. Em resposta, foi mobilizada a aviação de combate (...) da Força Aérea de Autodefesa do Japão", escreveu o Ministério da Defesa na rede social X.

O ministro-chefe do gabinete japonês, Minoru Kihara, indicou que no domingo navios da Guarda Costeira chinesa passaram várias horas em águas territoriais japonesas ao redor das disputadas ilhas Senkaku, conhecidas na China como Diaoyu.

Para tentar reduzir as tensões, o secretário para assuntos da região Ásia-Pacífico do Ministério das Relações Exteriores do Japão, Masaaki Kanai, chegou nesta segunda-feira à China para conversar com seu homólogo no governo de Pequim, Liu Jinsong, informou a imprensa japonesa.

Kanai tem a missão de tentar reduzir as tensões e evitar mais impactos negativos na economia japonesa, que registrou uma contração de 0,4% no terceiro trimestre, segundo dados oficiais publicados nesta segunda-feira.

A China insiste que Taiwan faz parte de seu território e não descarta o uso da força para recuperar seu controle.

S.Palmer--TFWP