The Fort Worth Press - Feridas invisíveis atormentam veteranos israelenses que retornam de Gaza

USD -
AED 3.672499
AFN 63.49884
ALL 83.072963
AMD 375.623475
ANG 1.790083
AOA 917.00027
ARS 1390.220498
AUD 1.447461
AWG 1.8
AZN 1.702932
BAM 1.695072
BBD 2.009612
BDT 122.428639
BGN 1.709309
BHD 0.377609
BIF 2964.709145
BMD 1
BND 1.2851
BOB 6.894519
BRL 5.157041
BSD 0.997742
BTN 92.939509
BWP 13.688562
BYN 2.956504
BYR 19600
BZD 2.006665
CAD 1.392375
CDF 2296.000296
CHF 0.79872
CLF 0.023224
CLP 916.99965
CNY 6.885602
CNH 6.883115
COP 3662.46
CRC 464.279833
CUC 1
CUP 26.5
CVE 95.56558
CZK 21.247501
DJF 177.673004
DKK 6.477245
DOP 60.312178
DZD 133.062353
EGP 54.263602
ERN 15
ETB 155.800822
EUR 0.866797
FJD 2.253803
FKP 0.750158
GBP 0.755886
GEL 2.68502
GGP 0.750158
GHS 10.970563
GIP 0.750158
GMD 74.000252
GNF 8752.513347
GTQ 7.632939
GYD 208.828972
HKD 7.83804
HNL 26.504427
HRK 6.531398
HTG 130.952897
HUF 333.1115
IDR 16995
ILS 3.125465
IMP 0.750158
INR 92.73575
IQD 1307.141959
IRR 1319125.000204
ISK 125.169968
JEP 0.750158
JMD 157.303566
JOD 0.708977
JPY 159.655035
KES 129.802346
KGS 87.448796
KHR 3990.137323
KMF 426.999748
KPW 899.994443
KRW 1509.71503
KWD 0.30934
KYD 0.831502
KZT 472.805432
LAK 21970.392969
LBP 89502.03926
LKR 314.804623
LRD 183.088277
LSL 16.955078
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.380628
MAD 9.374033
MDL 17.55613
MGA 4171.343141
MKD 53.422776
MMK 2099.621061
MNT 3572.314592
MOP 8.055104
MRU 39.637211
MUR 46.949837
MVR 15.459616
MWK 1730.071718
MXN 17.856898
MYR 4.034974
MZN 63.950207
NAD 16.954711
NGN 1378.259718
NIO 36.712196
NOK 9.731635
NPR 148.701282
NZD 1.751359
OMR 0.384545
PAB 0.997734
PEN 3.45194
PGK 4.316042
PHP 60.510159
PKR 278.39991
PLN 3.70806
PYG 6454.29687
QAR 3.638018
RON 4.417403
RSD 101.772347
RUB 80.22095
RWF 1457.240049
SAR 3.754249
SBD 8.038772
SCR 14.425806
SDG 600.99981
SEK 9.434225
SGD 1.28569
SHP 0.750259
SLE 24.649585
SLL 20969.510825
SOS 570.192924
SRD 37.350963
STD 20697.981008
STN 21.233539
SVC 8.730169
SYP 110.548921
SZL 16.948198
THB 32.662962
TJS 9.563492
TMT 3.51
TND 2.941459
TOP 2.40776
TRY 44.554298
TTD 6.768937
TWD 31.9599
TZS 2600.000029
UAH 43.698134
UGX 3743.234401
UYU 40.405091
UZS 12122.393971
VES 473.3905
VND 26345.5
VUV 120.132513
WST 2.770875
XAF 568.506489
XAG 0.013691
XAU 0.000214
XCD 2.70255
XCG 1.798209
XDR 0.70704
XOF 568.516344
XPF 103.361457
YER 238.650166
ZAR 16.935299
ZMK 9001.206343
ZMW 19.281421
ZWL 321.999592
Feridas invisíveis atormentam veteranos israelenses que retornam de Gaza
Feridas invisíveis atormentam veteranos israelenses que retornam de Gaza / foto: © AFP

Feridas invisíveis atormentam veteranos israelenses que retornam de Gaza

Meses após retornar da frente de batalha em Gaza, o capitão do Exército israelense Israel Ben Shitrit ainda é assombrado pelos fantasmas da guerra.

Tamanho do texto:

"O grito do soldado pedindo resgate... não importa onde eu esteja, sempre ouvirei esse grito", disse à AFP, ao recordar um companheiro que não conseguiu salvar em meio aos combates, nos quais ele também foi gravemente ferido no início de 2024.

Israel enfrenta uma onda de suicídios entre militares que sofrem de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) após vários conflitos.

Mas nenhuma guerra, desde a criação do Estado moderno de Israel em 1948, mobilizou tantos soldados nem durou tanto quanto a desencadeada pelo ataque sem precedentes do movimento islamista Hamas em 7 de outubro de 2023.

O ataque em território israelense matou 1.221 pessoas, a maioria civis, segundo uma contagem da AFP baseada em dados oficiais.

Do outro lado, a campanha de represália de Israel matou mais de 68.200 pessoas, também majoritariamente civis, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, que está sob autoridade do Hamas.

Ben Shitrit, agora oficial da reserva, conta à AFP que há muitos fatores que podem desencadear lembranças perturbadoras.

"Quando ouço um helicóptero, isso me transporta de volta a Khan Yunis", afirma, em referência à cidade do sul de Gaza que foi cenário de combates intensos.

Um frágil cessar-fogo, promovido pelos Estados Unidos e em vigor desde 10 de outubro, ofereceu um raio de esperança para acabar com mais de dois anos de hostilidades.

Mas as feridas psicológicas nos dois lados levarão tempo para cicatrizar.

- "Ferida invisível" -

Um relatório do Exército israelense de julho de 2025 afirma que 9.000 pedidos de reconhecimento de "sofrimento psicológico" haviam sido apresentados aos serviços de saúde militares desde o início da última guerra de Gaza.

Em outro conflito na Faixa de Gaza, em 2014, que também teve o Hamas como alvo, mas durou menos de dois meses, o Estado hebraico reconheceu que 159 soldados sofriam de traumas psicológicos.

Tuly Flint, um assistente social clínico especializado em transtorno de estresse pós-traumático derivado de combates militares, explica que as consequências da condição são muito variadas.

"As pessoas falam sobre a taxa de suicídios, mas esta é apenas a ponta do iceberg", explica à AFP em meio a consultas com soldados repatriados.

"Vemos violência, violência doméstica. Vemos pessoas separadas, casais separados", afirma. "Vemos muitas pessoas desmoronando".

Para Tom Wasserstein, que dirige uma organização que cria centros de atendimento para soldados diagnosticados com traumas, trata-se de uma questão muito pessoal.

Seu irmão mais novo, Roi, cometeu suicídio em julho aos 24 anos, após mais de 300 dias de serviço como enfermeiro militar em Gaza. Uma tragédia que aumentou sua determinação de ajudar.

"Se um soldado morre em consequência dos ferimentos em combate e outro tira a própria vida pelo que viveu, significa que ambos foram feridos", lamenta.

"Um por uma bala, o outro na cabeça, mas ainda assim é um ferimento. É uma ferida invisível... e merece ser tratado", disse.

- "Lesão da alma" -

Soldados que sofrem de TEPT estão acampando há várias semanas diante do Parlamento israelense para protestar contra a falta de reconhecimento de sua condição e exigir o fim da burocracia que envolve o atendimento à saúde mental.

Entre os manifestantes está o veterano Micha Katz, que afirma que 60 soldados se suicidaram nos últimos meses.

Questionado pela AFP sobre as taxas de suicídio entre os militares, o Exército israelense não divulgou nenhuma estatística.

Os integrantes do incipiente movimento de soldados afetados psicologicamente foram convidados a falar na Comissão de Defesa do Parlamento para apresentar suas queixas.

"Não queremos nos suicidar. Nós estamos cansados de viver depois de termos visto os horrores da guerra", afirma um deles, Yoann Dobensky.

"O transtorno de estresse pós-traumático deve ser reconhecido como uma lesão, assim como uma lesão física. Não é menos grave que uma lesão física, é uma lesão da alma", acrescenta o veterano.

Mais de um ano depois de ter sido ferido, o capitão do Exército Shitrit explica que ainda está sob tratamento médico.

Além de suas lesões, ele confessa à AFP que também sofreu de estresse pós-traumático.

"Quando alguém é ferido, isso também afeta aqueles ao seu redor: sua família, seus filhos. Nossos filhos veem tudo, sentem tudo", alerta.

L.Davila--TFWP