The Fort Worth Press - 'Deixem eles viver em paz': a luta de um sobrevivente pelos povos isolados da Amazônia

USD -
AED 3.672505
AFN 64.999617
ALL 81.873378
AMD 378.439629
ANG 1.79008
AOA 917.000017
ARS 1444.993898
AUD 1.424623
AWG 1.8025
AZN 1.698328
BAM 1.658498
BBD 2.01317
BDT 122.152876
BGN 1.67937
BHD 0.37697
BIF 2962.5
BMD 1
BND 1.270543
BOB 6.906845
BRL 5.239098
BSD 0.999546
BTN 90.307481
BWP 13.806116
BYN 2.86383
BYR 19600
BZD 2.010235
CAD 1.36445
CDF 2199.999975
CHF 0.776105
CLF 0.021794
CLP 860.539972
CNY 6.938197
CNH 6.93502
COP 3646.93
CRC 496.408795
CUC 1
CUP 26.5
CVE 93.750278
CZK 20.60345
DJF 177.720253
DKK 6.32319
DOP 63.000254
DZD 129.900254
EGP 47.009197
ERN 15
ETB 155.042675
EUR 0.846625
FJD 2.198801
FKP 0.732491
GBP 0.730199
GEL 2.695012
GGP 0.732491
GHS 10.944975
GIP 0.732491
GMD 73.000094
GNF 8753.999774
GTQ 7.666672
GYD 209.120397
HKD 7.813115
HNL 26.408086
HRK 6.376701
HTG 131.107644
HUF 322.478502
IDR 16766
ILS 3.082015
IMP 0.732491
INR 90.36925
IQD 1309.380459
IRR 42125.000158
ISK 122.749952
JEP 0.732491
JMD 156.640605
JOD 0.709028
JPY 155.879497
KES 129.000415
KGS 87.449822
KHR 4081.504905
KMF 417.999853
KPW 899.987247
KRW 1450.779878
KWD 0.30715
KYD 0.83298
KZT 501.119346
LAK 21499.832523
LBP 89508.041026
LKR 309.380459
LRD 185.911623
LSL 16.009531
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.319217
MAD 9.168716
MDL 16.926717
MGA 4429.877932
MKD 52.189044
MMK 2100.119929
MNT 3568.429082
MOP 8.04357
MRU 39.901294
MUR 45.890045
MVR 15.450054
MWK 1733.257012
MXN 17.245898
MYR 3.932499
MZN 63.750319
NAD 16.009531
NGN 1391.85959
NIO 36.785781
NOK 9.627875
NPR 144.492309
NZD 1.656195
OMR 0.384498
PAB 0.999521
PEN 3.364907
PGK 4.282347
PHP 59.040236
PKR 279.545138
PLN 3.57644
PYG 6631.277242
QAR 3.634567
RON 4.313702
RSD 99.384049
RUB 76.999691
RWF 1458.783824
SAR 3.750106
SBD 8.058101
SCR 13.748799
SDG 601.49205
SEK 8.90851
SGD 1.270205
SHP 0.750259
SLE 24.475005
SLL 20969.499267
SOS 570.272883
SRD 38.114499
STD 20697.981008
STN 20.775741
SVC 8.746163
SYP 11059.574895
SZL 16.015332
THB 31.639928
TJS 9.340767
TMT 3.51
TND 2.890372
TOP 2.40776
TRY 43.496603
TTD 6.770319
TWD 31.588801
TZS 2584.040204
UAH 43.256279
UGX 3563.251531
UYU 38.49872
UZS 12236.487289
VES 371.640565
VND 26002
VUV 119.537583
WST 2.726316
XAF 556.244594
XAG 0.011767
XAU 0.000201
XCD 2.70255
XCG 1.801384
XDR 0.691072
XOF 556.244594
XPF 101.131218
YER 238.374992
ZAR 15.96902
ZMK 9001.202602
ZMW 19.615608
ZWL 321.999592
'Deixem eles viver em paz': a luta de um sobrevivente pelos povos isolados da Amazônia
'Deixem eles viver em paz': a luta de um sobrevivente pelos povos isolados da Amazônia / foto: © AFP

'Deixem eles viver em paz': a luta de um sobrevivente pelos povos isolados da Amazônia

Atxu Marimã sobreviveu à gripe que matou sua família depois que um ataque de onça os obrigou a fugir de seu grupo indígena na Amazônia — mas ele não pode voltar por medo de colocar seu povo em perigo.

Tamanho do texto:

Em vez disso, ele se dedicou a fazer campanha para que as comunidades isoladas do Brasil sejam deixadas em paz.

"Estou aqui para contar a história do meu povo", disse Marimã à AFP durante uma viagem a Paris para conscientizar o público.

Marimã tem apenas cerca de 40 anos, mas já viveu muitas vidas. Nascido Atxu entre os hi-merimãs, um grupo nômade do sul do estado do Amazonas, tornou-se Romerito quando foi submetido a trabalho infantil após fugir da floresta. Mas agora, para sua esposa e três filhos, ele é Artur.

Até cerca dos sete ou oito anos, viveu entre os rios Purus e Juruá com o pai, a mãe e os irmãos, como parte de uma das comunidades indígenas "isoladas" oficialmente reconhecidas do Brasil.

O país abriga mais desses grupos do que qualquer outro, com 114 oficialmente reconhecidos como vivendo com pouco ou nenhum contato com o mundo exterior.

Durante décadas, o Brasil incentivou o contato com essas comunidades, antes de reverter essa política em 1987, ao reconhecer a devastação que ela causava.

Marimã e sua família viveram essa tragédia em primeira mão, quando foram obrigados a procurar o que ele chamou de uma "comunidade civilizada" — uma decisão que lhe custou a família, o lar, a língua e a cultura.

– "Todos ficaram doentes" –

A infância de Marimã na Amazônia tinha sido idílica — cantando para as árvores para incentivá-las a dar frutos, famílias se reunindo para dançar e correndo pelo chão da floresta com os irmãos.

Até que um dia uma onça atacou seu pai. Ele sobreviveu ao ataque, mas sofreu um ferimento grave na cabeça e começou a ter alucinações de que seus filhos eram presas — antas e porcos para caçar com flechas.

Sua mãe fugiu com as crianças, deixando o pai morrendo em sua rede, acima de uma cova que haviam preparado para ele.

Marimã nunca mais o viu.

"Minha família, especialmente minha mãe, então decidiu fazer contato com o mundo 'civilizado'", contou à AFP.

Logo foram expostos a doenças contra as quais não tinham defesas.

"Todos ficaram doentes e morreram", disse ele, lembrando como sua mãe, tia e vários irmãos sucumbiram ao que ele chamou de gripe.

Marimã e quatro irmãos foram os únicos sobreviventes, espalhados entre famílias locais.

Rebatizado como Romerito, sua família adotiva o obrigou a trabalhar em "condições análogas à escravidão" até que ele partiu por volta dos 15 anos.

Ele acredita ser o último dos irmãos ainda vivo.

– "Medo de levar um tiro" –

Em 1987, o Brasil adotou uma política de não contato, permitindo interação apenas se iniciada pelos próprios povos indígenas. Caso contrário, devem ser deixados em paz.

Antes disso, "era normal que metade da população de povos isolados morresse no primeiro ano de contato", principalmente por doenças, disse Priscilla Schwarzenholz, pesquisadora da Survival International.

Hoje, Marimã afirma que grupos isolados também temem o contato porque têm "medo de levar um tiro, porque os 'civilizados' têm armas".

"Não vale a pena entrar em contato com meu povo... Eu passaria uma doença para eles", disse.

"Eu não sou mais aquela pessoa da floresta."

– "Viver em paz" –

Atualmente, Marimã trabalha na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) monitorando o território Hi-Merimã, que o governo reconheceu legalmente em 2005.

Ele falou com orgulho sobre seu trabalho de prevenção da pesca ilegal, dizendo que os responsáveis tentam "invadir" e não mostram "respeito pela área".

Incêndios florestais e desmatamento representam outro risco à sobrevivência deles, alertou, observando que o calor e a seca intensos do ano passado colocaram em risco suas casas e a caça.

"As pessoas não têm bom senso para proteger a floresta amazônica", disse.

Apesar dessas ameaças, os hi-merimãs parecem ter crescido nos últimos 20 anos, desde que as incursões em seu território se tornaram ilegais.

"Dá para ver que tem crianças, bebês... eles estão crescendo e estão saudáveis", afirmou Schwarzenholz, estimando o número do grupo em cerca de 150, com base nos vestígios deixados na floresta.

"Eu sei que eles [os hi-merimãs] não sabem que eu existo", disse Marimã.

Mas contou que compartilhar sua história é sua forma de permanecer conectado enquanto defende que os grupos isolados decidam se — e quando — querem fazer contato.

Até lá, "deixem eles viver em paz", afirmou.

L.Holland--TFWP