The Fort Worth Press - Trump oficializa ameaça de tarifas de 50% ao Brasil, mas com exceções

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Trump oficializa ameaça de tarifas de 50% ao Brasil, mas com exceções
Trump oficializa ameaça de tarifas de 50% ao Brasil, mas com exceções / foto: © AFP/Arquivos

Trump oficializa ameaça de tarifas de 50% ao Brasil, mas com exceções

A crise entre Estados Unidos e Brasil se agravou nesta quarta-feira (30) com um decreto do presidente Donald Trump que oficializa um aumento tarifário de 50% sobre produtos brasileiros, em parte como retaliação pelo julgamento contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Tamanho do texto:

Trump defende seu aliado Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe, e ataca as políticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que respondeu dizendo que defenderá a "soberania do povo brasileiro".

A punição tarifária de Trump inclui exceções importantes para o Brasil, maior economia da América Latina.

Trump poupou produtos essenciais nas exportações brasileiras como suco de laranja, energia, aeronaves civis e seus componentes, fertilizantes, metais preciosos, pasta de celulose e ferro-gusa, entre outros.

Mas o café e a carne bovina estão incluídos entre os produtos que serão submetidos a tarifas aduaneiras suplementares de 50%, aplicáveis sete dias após a emissão do decreto, conforme consta no texto. Ou seja, no dia 6 de agosto.

No decreto, Trump concretiza a ameaça de tarifas anunciada no início de julho em uma carta enviada a Lula, seguida depois por outra a Bolsonaro, na qual cobre de elogios o ex-presidente.

- 'Perseguição' a Bolsonaro -

Para Trump, as ações do governo Lula "constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos", informou a Casa Branca em comunicado.

"A perseguição política, intimidação, assédio, censura e processos politicamente motivados do governo do Brasil" contra "Bolsonaro e milhares de seus apoiadores são graves violações dos direitos humanos que minaram o Estado de Direito no Brasil", acusa Washington.

O presidente republicano garante que membros do governo brasileiro "tomaram medidas sem precedentes para coagir de forma tirânica e arbitrária empresas americanas a censurarem o discurso político, expulsarem usuários de suas plataformas, entregarem dados confidenciais de usuários americanos ou modificarem suas políticas de moderação de conteúdo".

- Mais sanções contra Moraes -

A Casa Branca arremete diretamente contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Moraes "abusou de sua autoridade judicial para atacar adversários políticos, proteger aliados corruptos e reprimir dissidentes, muitas vezes em coordenação com outros funcionários brasileiros", como outros juízes do STF, diz o texto.

Horas antes, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) do Departamento do Tesouro impôs sanções econômicas a Moraes, de quem Washington já havia cancelado o visto.

As sanções são impostas com base na lei americana conhecida como Global Magnitsky, que pune quem tenha cometido ou esteja vinculado a violações dos direitos humanos e corrupção no mundo.

"Alexandre de Moraes assumiu o papel de juiz e júri em uma caça às bruxas ilegal contra cidadãos e empresas dos Estados Unidos e do Brasil", afirma o secretário do Tesouro Scott Bessent, citado na nota emitida por sua pasta.

Como resultado das sanções, todos os bens e participações de Moraes que estejam nos Estados Unidos ou em poder ou sob o controle de americanos ficam bloqueados.

Em 2024, Moraes bloqueou temporariamente a rede social X no Brasil até que a plataforma cumprisse sua ordem de eliminar as contas acusadas de difundir desinformação.

Posteriormente, determinou a suspensão do Rumble porque esta plataforma de compartilhamento de vídeos, popular entre os conservadores e a extrema direita, se negou a bloquear a conta do blogueiro Allan dos Santos, um usuário residente nos Estados Unidos que é investigado no Brasil por difundir desinformação.

X.Silva--TFWP