The Fort Worth Press - Muita regulamentação e pouco investimento, o paradoxo de uma Europa necessitada de lítio... e da América Latina

USD -
AED 3.67315
AFN 62.99978
ALL 82.659231
AMD 377.229857
ANG 1.790083
AOA 917.000365
ARS 1391.330248
AUD 1.443627
AWG 1.8025
AZN 1.703093
BAM 1.685671
BBD 2.013678
BDT 122.977207
BGN 1.709309
BHD 0.377557
BIF 2965
BMD 1
BND 1.28264
BOB 6.908351
BRL 5.153601
BSD 0.999815
BTN 92.79256
BWP 13.597831
BYN 2.973319
BYR 19600
BZD 2.010774
CAD 1.38765
CDF 2294.999618
CHF 0.795027
CLF 0.023121
CLP 912.92969
CNY 6.87275
CNH 6.87805
COP 3670.71
CRC 464.839659
CUC 1
CUP 26.5
CVE 95.496357
CZK 21.166702
DJF 177.720079
DKK 6.448302
DOP 60.499746
DZD 132.784304
EGP 53.522098
ERN 15
ETB 156.112361
EUR 0.862975
FJD 2.253799
FKP 0.758501
GBP 0.751705
GEL 2.689858
GGP 0.758501
GHS 11.000189
GIP 0.758501
GMD 73.502409
GNF 8780.000231
GTQ 7.648319
GYD 209.250209
HKD 7.83785
HNL 26.559099
HRK 6.500501
HTG 131.237691
HUF 330.801836
IDR 16937
ILS 3.13645
IMP 0.758501
INR 92.64165
IQD 1309.682341
IRR 1318875.000168
ISK 124.619772
JEP 0.758501
JMD 158.120413
JOD 0.709002
JPY 158.838995
KES 130.050137
KGS 87.449782
KHR 4010.502564
KMF 426.74984
KPW 899.943346
KRW 1513.109983
KWD 0.30945
KYD 0.833229
KZT 475.292069
LAK 21952.497707
LBP 89549.999673
LKR 315.172096
LRD 183.850277
LSL 16.945031
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.375012
MAD 9.324991
MDL 17.611846
MGA 4230.341582
MKD 53.193601
MMK 2100.405998
MNT 3572.722217
MOP 8.072575
MRU 40.130321
MUR 46.80971
MVR 15.449619
MWK 1737.000238
MXN 17.808298
MYR 4.027004
MZN 63.959624
NAD 16.944987
NGN 1379.980492
NIO 36.794904
NOK 9.65911
NPR 148.468563
NZD 1.73851
OMR 0.384499
PAB 0.999836
PEN 3.478037
PGK 4.323975
PHP 60.239654
PKR 279.202654
PLN 3.69855
PYG 6493.344193
QAR 3.645288
RON 4.399602
RSD 101.280984
RUB 80.300302
RWF 1463.214918
SAR 3.753609
SBD 8.042037
SCR 14.335449
SDG 601.000179
SEK 9.410604
SGD 1.283299
SHP 0.750259
SLE 24.550188
SLL 20969.510825
SOS 571.374393
SRD 37.364003
STD 20697.981008
STN 21.117322
SVC 8.748077
SYP 110.747305
SZL 16.786116
THB 32.639895
TJS 9.560589
TMT 3.51
TND 2.934847
TOP 2.40776
TRY 44.488503
TTD 6.785987
TWD 32.021199
TZS 2590.000315
UAH 43.749677
UGX 3724.309718
UYU 40.637618
UZS 12144.744043
VES 473.27785
VND 26335
VUV 120.24399
WST 2.777713
XAF 565.390002
XAG 0.013318
XAU 0.00021
XCD 2.70255
XCG 1.801759
XDR 0.710952
XOF 565.351019
XPF 102.791293
YER 238.650271
ZAR 16.850005
ZMK 9001.204886
ZMW 19.270981
ZWL 321.999592
Muita regulamentação e pouco investimento, o paradoxo de uma Europa necessitada de lítio... e da América Latina
Muita regulamentação e pouco investimento, o paradoxo de uma Europa necessitada de lítio... e da América Latina / foto: © AFP

Muita regulamentação e pouco investimento, o paradoxo de uma Europa necessitada de lítio... e da América Latina

A Europa quer ser referência mundial em transporte limpo, mas enfrenta um desafio: o lítio, um recurso-chave para fabricar baterias de carros elétricos, e cobiçado pela China na América Latina e na África.

Tamanho do texto:

A China produz mais de três quartos das baterias vendidas no mundo, refina 70% dessa matéria-prima e é o terceiro maior produtor mundial, atrás da Alemanha e do Chile, segundo dados de 2024 do serviço geológico dos Estados Unidos (USGS).

Para ganhar posição, a Europa desenvolveu uma ambiciosa arquitetura regulatória que enfatiza a proteção ambiental, a criação de empregos de qualidade e a cooperação com as comunidades locais.

Além disso, firmou acordos bilaterais com cerca de 15 países, entre eles Chile e Argentina, o quinto maior produtor mundial de lítio.

O problema é o dinheiro.

"Vejo muitos memorandos de entendimento, mas falta ação. Às vezes, no mesmo dia em que assinamos um acordo, os chineses compram uma mina naquele país", disse Julia Poliscanova, diretora da área de veículos elétricos no grupo de reflexão Transport and Environment (T&E), à AFP.

O desfasamento é óbvio: enquanto a China investiu 6,08 bilhões de dólares (aproximadamente 33,9 bilhões de reais) em projetos de lítio de 2020 a 2023, a Europa colocou na mesa apenas 1,06 bilhão de dólares (cerca de 5,9 bilhões de reais), segundo dados recolhidos pelo T&E.

A Agência Internacional de Energia o confirma claramente em seu recente relatório de 2025 sobre minerais críticos, no qual, aliás, destaca o aumento da demanda mundial de lítio no ano passado, em 30%.

"Para garantir o fornecimento de matérias-primas, a China está investindo ativamente nas minas fora do país, através de empresas estatais com apoio político do governo", aponta a AIE.

A China conta com a Iniciativa do Cinturão e Rota, na qual a mineração foi o segundo maior capítulo, com 21,4 bilhões de dólares (cerca de 119,3 bilhões de reais) de investimento em 2024, detalha a AIE.

A Europa "atrasa os níveis de investimento nestas áreas" e, "se não tiver clara sua posição sobre como desenvolver suas indústrias nacionais de baterias e até de mineração (...), vai deixar espaços que serão ocupados em outras partes do mundo", aponta de Santiago do Chile Sebastián Galarza, fundador do Centro de Mobilidade Sustentável.

O caso é especialmente marcante na África, onde a demanda chinesa elevou o Zimbábue à posição de quarto maior produtor mundial de lítio.

"Os chineses e outros atores nem sempre falam de padrões [de investimento], mas lá está o dinheiro deles. Os ideais e padrões da UE precisam vir acompanhados de dinheiro, em forma de investimentos reais em mineração", ressalta Theo Acheampong, do centro de reflexão ECFR.

- América Latina, parceiro imprescindível -

Para 2035, a UE tem o objetivo de que todos os novos carros destinados ao seu mercado produzam zero emissões. A porcentagem de vendas de veículos elétricos na UE foi de 21% em 2024, segundo a AIE.

A Europa planeja construir dezenas de fábricas de baterias, mas não encontra facilidade diante do apetite errático de seus próprios consumidores e da concorrência do Japão (Panasonic), Coreia do Sul (LG Energy Solution, Samsung) e sobretudo, da China (CATL, BYD).

Tanto o mercado como os analistas defendem, portanto, uma aproximação com o triângulo do lítio formado por Chile, Argentina e Bolívia (quase metade das reservas do precioso metal), sem esquecer a emergente produção brasileira. O objetivo: criar cadeias de valor e, que algum dia, as baterias de carros elétricos sejam fabricadas na América Latina também.

A proposta regulatória europeia permitiria à América Latina "compatibilizar o desenvolvimento local com a exportação dessas matérias-primas, e não cair em um ciclo puramente extrativista", expõe Juan Vázquez, chefe-adjunto para a América Latina e o Caribe no Centro de Desenvolvimento da OCDE.

"Atualmente, 4% do lítio do Chile vai para a Europa (...), mas a UE tem todas as possibilidades para aumentar a participação na indústria de baterias", destaca Stefan Debruyne, diretor de assuntos externos da mineradora chilena privada SQM.

- Uma eletrificação crescente -

Galarza levanta a questão fundamental, que vai além da extração do metal.

"Que interesse você tem como empresa em se instalar no Chile para produzir cátodos, baterias ou materiais mais elaborados, se não tem um mercado local ou regional para abastecer? Por que simplesmente não levar o lítio, refiná-lo e fazer tudo na China e nos mandar a bateria de volta?", pergunta.

Defendendo a tradição automotiva do México, Brasil e Argentina, o mesmo responde: "devemos avançar rapidamente para a eletrificação do transporte na região", para que "também sejamos parte dos benefícios dessa transição energética".

O caminho promete ser longo, mas os últimos dados são promissores, segundo a AIE, que elogiou recentemente as políticas públicas aplicadas, tais como incentivos fiscais e reduções das tarifas de registro.

No Brasil, o maior mercado regional, a participação nas vendas de carros elétricos dobrou em 2024 em relação ao ano anterior, alcançando 6,4%, sendo 85% deles importados da China.

A tendência também melhorou na Costa Rica e na Colômbia, com porcentagens de 15% e 7,4%, respectivamente. O México e o Chile cresceram e ficaram ligeiramente acima de 2%.

G.George--TFWP