The Fort Worth Press - Telescópio espacial Gaia é desligado após mais de dez anos a serviço da astronomia

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Telescópio espacial Gaia é desligado após mais de dez anos a serviço da astronomia
Telescópio espacial Gaia é desligado após mais de dez anos a serviço da astronomia / foto: © EUROPEAN SPACE AGENCY/AFP

Telescópio espacial Gaia é desligado após mais de dez anos a serviço da astronomia

O telescópio espacial europeu Gaia, que revolucionou o conhecimento sobre a Via Láctea, foi desconectado nesta quinta-feira (27), após uma vida de descobertas que vão alimentar as pesquisas dos astrônomos por décadas.

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Lançado em 19 de dezembro de 2013 pela Agência Espacial Europeia (ESA), Gaia realizou suas observações a partir de uma órbita estável a 1,5 milhão de quilômetro da Terra, no ponto de Lagrange L2.

Para evitar que, uma vez inativo, venha a ameaçar outros equipamentos no local, como os telescópios espaciais James Webb e Euclid, os engenheiros da Agência Espacial Europeia enviaram, nesta quinta-feira, as últimas ordens a Gaia.

Seus motores receberam o comando de impulsioná-lo para uma "órbita de aposentadoria" em volta do sol, com a garantia de que permanecerá ao menos a dez milhões de quilômetros da Terra pelos próximos cem anos.

Ao longo de 11 anos, este olho galáctico permitiu elaborar um verdadeiro mapa da galáxia e compreender melhor sua origem, evolução e formato atual.

Gaia também possibilitou criar um catálogo com mais de 1,8 bilhão de estrelas, cujas posições, características e movimentos revelam sua história.

No ano passado, um estudo identificou dois grupos de estrelas primitivas no coração da galáxia, que teriam dado origem à sua formação, há mais de 12 bilhões de anos.

Os astrônomos também descobriram que ela em seguida cresceu e se expandiu, absorvendo outras galáxias, inclusive uma chamada Gaia-Encelado, há 10 bilhões de anos.

E que continua crescendo, devorando lentamente até hoje a galáxia-anã de Sagitário.

Os cientistas agora compreendem melhor como a matéria se distribui na Via Láctea, que conta com pelo menos 100 bilhões de estrelas.

O telescópio também observou o chamado grupo local, povoado por mais de 50 galáxias e cúmulos estelares.

Gaia registrou, ainda, as trajetórias de 150 mil asteroides no Sistema Solar e a presença de dezenas de buracos negros na Via Láctea.

- Uma enxurrada de dados -

Nesta quinta-feira, a missão Gaia encerrou suas atividades com uma série de comandos transmitidos do Centro Europeu de Operações Espaciais (ESOC), em Darmstadt, na Alemanha.

Os engenheiros desligaram um a um os sistemas de redundância projetados originalmente para permitir que o telescópio sobrevivesse aos perigos do espaço, como tempestades radioativas ou impactos de micrometeoritos.

"As naves espaciais são projetadas para que não possam ser desligadas facilmente, é muito difícil desconectá-las", explicou à AFP Tiago Nogueira, engenheiro de operações da ESA.

A equipe do ESOC desligou os instrumentos de Gaia antes de deixar fora de serviço seu software de bordo, e por fim desativou seu módulo de comunicação e seu computador central.

A análise da enxurrada de dados transmitidos pela máquina está longe de terminar.

Em 2026, a missão apresentará seu quarto catálogo do céu, elaborado com os primeiros cinco anos e meio da missão.

O catálogo final, com dez anos e meio de observações, é aguardado em 2030.

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