The Fort Worth Press - Mães pobres em prisões lotadas, a outra face da guerra às drogas na Colômbia

USD -
AED 3.672496
AFN 63.499831
ALL 82.257093
AMD 368.070326
ANG 1.790403
AOA 918.000251
ARS 1461.5157
AUD 1.430584
AWG 1.8
AZN 1.699751
BAM 1.707839
BBD 2.014862
BDT 122.896637
BGN 1.69088
BHD 0.37695
BIF 2985
BMD 1
BND 1.293759
BOB 6.91239
BRL 5.158099
BSD 1.000358
BTN 94.655909
BWP 13.576786
BYN 2.799012
BYR 19600
BZD 2.011981
CAD 1.416315
CDF 2264.999797
CHF 0.809065
CLF 0.023031
CLP 906.449743
CNY 6.774798
CNH 6.778565
COP 3445.05
CRC 453.811158
CUC 1
CUP 26.5
CVE 96.87499
CZK 21.17645
DJF 177.720059
DKK 6.54281
DOP 58.291712
DZD 133.536016
EGP 49.741198
ERN 15
ETB 161.283979
EUR 0.87533
FJD 2.251302
FKP 0.755695
GBP 0.755093
GEL 2.650323
GGP 0.755695
GHS 11.230007
GIP 0.755695
GMD 72.999698
GNF 8777.504172
GTQ 7.628428
GYD 209.275317
HKD 7.83945
HNL 26.762371
HRK 6.593902
HTG 130.677006
HUF 308.422497
IDR 17965
ILS 2.97135
IMP 0.755695
INR 94.70085
IQD 1310.524891
IRR 1374999.999882
ISK 126.050215
JEP 0.755695
JMD 158.06984
JOD 0.70896
JPY 161.558494
KES 129.419543
KGS 87.450283
KHR 4016.800706
KMF 429.497004
KPW 900.00035
KRW 1541.859863
KWD 0.30866
KYD 0.833661
KZT 487.587213
LAK 22093.277098
LBP 89584.959701
LKR 334.503445
LRD 182.07459
LSL 16.436923
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.396659
MAD 9.325876
MDL 17.591841
MGA 4219.387176
MKD 53.93993
MMK 2099.917974
MNT 3579.231668
MOP 8.077961
MRU 40.000349
MUR 47.809815
MVR 15.460512
MWK 1736.000022
MXN 17.37015
MYR 4.147098
MZN 63.89974
NAD 16.436923
NGN 1366.65962
NIO 36.814852
NOK 9.70485
NPR 151.449105
NZD 1.752587
OMR 0.384501
PAB 1.000358
PEN 3.385028
PGK 4.456902
PHP 61.130966
PKR 278.233656
PLN 3.74025
PYG 6098.551332
QAR 3.646906
RON 4.5841
RSD 102.777034
RUB 74.251001
RWF 1465.171718
SAR 3.753791
SBD 8.061424
SCR 13.283564
SDG 600.498943
SEK 9.626925
SGD 1.293885
SHP 0.746601
SLE 24.749912
SLL 20969.503664
SOS 571.695527
SRD 37.4305
STD 20697.981008
STN 21.39383
SVC 8.753133
SYP 110.532098
SZL 16.433081
THB 32.980139
TJS 9.278635
TMT 3.5
TND 2.957937
TOP 2.40776
TRY 46.470097
TTD 6.784027
TWD 31.702102
TZS 2628.231975
UAH 44.991835
UGX 3651.795772
UYU 40.002096
UZS 11989.276889
VES 606.63266
VND 26320
VUV 118.352303
WST 2.751796
XAF 572.793161
XAG 0.015452
XAU 0.000239
XCD 2.70255
XCG 1.802932
XDR 0.71169
XOF 571.999874
XPF 104.139924
YER 238.567185
ZAR 16.410199
ZMK 9001.198041
ZMW 17.731555
ZWL 321.999592
Mães pobres em prisões lotadas, a outra face da guerra às drogas na Colômbia
Mães pobres em prisões lotadas, a outra face da guerra às drogas na Colômbia / foto: © AFP

Mães pobres em prisões lotadas, a outra face da guerra às drogas na Colômbia

Solteira e sem dinheiro para manter seus filhos, Ana Tabares aceitou preparar comida em um laboratório de cocaína até ser presa como chefe do tráfico. Mas o governo da Colômbia, convencido do fracasso da guerra às drogas, lhe abriu uma janela para deixar a prisão.

Tamanho do texto:

A mulher, que na época tinha 36 anos, cozinhava para produtores do pó branco em uma área rural fronteiriça com o Equador. Em 2019, militares e policiais invadiram a tiros o acampamento improvisado onde ela trabalhava.

Tabares foi capturada juntamente com outras três pessoas em meio a uma dura guerra às drogas no país que mais produz cocaína no mundo. Um juiz desconsiderou suas súplicas e a condenou a dez anos e oito meses de prisão por tráfico e produção de entorpecentes.

Seu caso, assim como o de outras milhares de mulheres pobres presas por crimes vinculados ao narcotráfico são estudados pelo governo do presidente Gustavo Petro, que pediu para "acabar com a irracional guerra contra as drogas" liderada pelos Estados Unidos há décadas.

Petro propõe deixar de perseguir camponeses cultivadores de coca e outros trabalhadores de baixo perfil na rede do tráfico, mas endurecer as operações contra os grandes chefões do tráfico e as redes de lavagem de dinheiro.

O chefe de Tabares não foi pego e nunca foi para a prisão. "Sempre somos os menos envolvidos os que pagamos o pato", queixa-se esta mulher em entrevista à AFP no Buen Pastor, principal presídio feminino de Bogotá, onde ela passa os dias limpando e pintando peças de cerâmica que são vendidas em seguida.

Há um ano, Petro sancionou uma lei que permite às mães chefes de família e de baixa renda cumprir suas penas fora da prisão, fazendo trabalhos sociais com autorização de um juiz.

Graças a esta lei e através de um lento processo, uma dezena de mulheres foi libertada. Tabares espera sair da prisão e reencontrar uma filha que chegou à maioridade enquanto ela estava atrás das grades, e com um menino de 12 anos, deixado aos cuidados de uma tia.

O Ministério da Justiça estima que 37% das 7.000 condenadas nas superlotadas prisões da Colômbia tenham cometido crimes relacionados com o narcotráfico e o microtráfico. Apenas 15% dos homens estão presos por estes crimes.

- "Precisam de mim" -

Apesar do apoio milionário dos Estados Unidos e da morte de barões da cocaína, como Pablo Escobar, a Colômbia não consegue pôr fim ao narcotráfico.

"O diagnóstico é que a guerra às drogas foi altamente custosa em recursos financeiros, mas talvez de forma ainda mais grave em vidas", afirma Camilo Umaña, vice-ministro da Justiça.

Além disso, "muitas pessoas (...) acabaram nas prisões por crimes relacionados com os tráficos", "enquanto os delitos, por exemplo, de lavagem de ativos, onde se concentra grande parte da riqueza, são praticamente inexistentes", diz.

Angie Hernández passou quase quatro anos presa. Sua dependência ao 'bazuco' - droga similar ao crack - a levou a viver nas ruas de Bogotá e municípios vizinhos, onde também distribuía a substância.

Na sua ausência, seus dois filhos, de 15 e 13 anos, moram com a avó. O mais velho deixou a escola.

"Sinto que precisam de mim", diz a mulher de 34 anos, que pede para esconder o rosto. "Tenho telefonado e eles vão dormir sem comer", acrescenta.

Ela conta que um juiz analisa seu caso e espera poder sair da prisão.

- "Diabo" -

Em 2019, 79% das mulheres presas por narcotráfico ou crimes similares na Colômbia tinham entre um e cinco filhos, segundo relatório daquele ano do Escritório da ONU contra as Drogas e o Crime. Sessenta por cento foram mães antes de chegar à maioridade.

A ONG Escritório em Washington para Assuntos Latino-americanos (WOLA) estima que mais de 40% das mulheres presas nas Américas foram presas por crimes relacionados com as drogas.

Isabel Pereira, cientista política do centro de estudos 'DeJusticia', afirma haver "uma tendência latino-americana a criminalizar más condutas" com "castigos mais severos", e isto atinge a população feminina sem estudo, com empregos informais e a cargo de vários filhos.

O relatório da ONU mostra que apenas 19% das detentas colombianas concluiu os estudos, quase uma condenação ao desemprego.

Em 2023, Estefany Villa, de 30 anos, perdeu o trabalho. Ela conta que seus filhos, hoje com 11, 8 e 5 anos, passavam fome, e por isso aceitou esconder 'bazuco' e maconha em casa em troca de dinheiro.

"Literalmente me apareceu o diabo", diz, aos prantos. "Você faz isso porque é uma necessidade. São crianças pequenas que pedem todos os dias café-da-manhã, almoço e janta", explica.

Ela espera que a nova lei do governo a ajude. Caso contrário, terá que cumprir mais de quatro anos no Buen Pastor.

L.Holland--TFWP