The Fort Worth Press - Portugal, terra de acolhida aos imigrantes, na contramão da fortaleza europeia

USD -
AED 3.672501
AFN 65.000167
ALL 81.974632
AMD 362.194494
ANG 1.78986
AOA 918.000043
ARS 1516.747503
AUD 1.437004
AWG 1.8
AZN 1.707273
BAM 1.75258
BBD 2.017823
BDT 123.329346
BGN 1.750039
BHD 0.378148
BIF 2997.58505
BMD 1
BND 1.283015
BOB 11.866753
BRL 4.987404
BSD 1.001833
BTN 95.896413
BWP 13.782814
BYN 3.021538
BYR 19600
BZD 2.014956
CAD 1.42672
CDF 2310.000519
CHF 0.833085
CLF 0.024821
CLP 976.869978
CNY 6.69215
CNH 6.696681
COP 3196.38
CRC 456.286712
CUC 1
CUP 24.044876
CVE 98.805977
CZK 21.813796
DJF 178.403251
DKK 6.688735
DOP 60.835241
DZD 134.612975
EGP 52.648598
ERN 15
ETB 163.645992
EUR 0.89481
FJD 2.251797
FKP 0.755381
GBP 0.75635
GEL 2.590059
GGP 0.755381
GHS 11.781626
GIP 0.755381
GMD 73.499053
GNF 8813.896493
GTQ 7.658774
GYD 209.502901
HKD 7.84768
HNL 26.89242
HRK 6.741303
HTG 131.195871
HUF 326.467501
IDR 17950
ILS 3.07312
IMP 0.755381
INR 95.50745
IQD 1518.761621
IRR 1779470.000313
ISK 121.859439
JEP 0.755381
JMD 159.656975
JOD 0.708999
JPY 158.268498
KES 129.73033
KGS 87.449788
KHR 4067.477653
KMF 440.000474
KPW 899.999867
KRW 1344.490114
KWD 0.31134
KYD 0.83489
KZT 451.335403
LAK 22526.894006
LBP 89717.148093
LKR 331.617314
LRD 170.8223
LSL 16.573966
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.437536
MAD 9.692869
MDL 17.943376
MGA 4518.999422
MKD 55.167316
MMK 2100.025299
MNT 3596.153429
MOP 8.09821
MRU 40.27008
MUR 47.530274
MVR 15.449931
MWK 1737.256431
MXN 18.254599
MYR 4.086003
MZN 63.909424
NAD 16.573966
NGN 1329.440063
NIO 36.864955
NOK 9.568055
NPR 153.435816
NZD 1.78825
OMR 0.38451
PAB 1.001815
PEN 3.449512
PGK 4.477699
PHP 62.842497
PKR 277.391651
PLN 3.92519
PYG 5699.154536
QAR 3.662179
RON 4.774803
RSD 105.014517
RUB 83.926462
RWF 1477.210103
SAR 3.75667
SBD 8.078071
SCR 14.020427
SDG 601.509337
SEK 10.02325
SGD 1.280597
SHP 0.755572
SLE 24.670491
SLL 20969.500838
SOS 572.603734
SRD 37.666975
STD 20697.981008
STN 21.953897
SVC 8.766325
SYP 13001.999922
SZL 16.568768
THB 33.595501
TJS 9.232182
TMT 3.51
TND 2.996931
TOP 2.40776
TRY 49.3681
TTD 6.812999
TWD 32.094997
TZS 2640.003012
UAH 45.09922
UGX 4138.085531
UYU 40.296963
UZS 11922.310088
VES 875.701596
VND 25914
VUV 119.754657
WST 2.785507
XAF 586.956854
XAG 0.016606
XAU 0.000239220428
XCD 2.70255
XCG 1.805596
XDR 0.707052
XOF 586.956854
XPF 106.866193
YER 236.196211
ZAR 16.539102
ZMK 9001.195554
ZMW 19.887003
ZWL 321.999592
SSP 5757.531856
MXV 2.061614
Portugal, terra de acolhida aos imigrantes, na contramão da fortaleza europeia
Portugal, terra de acolhida aos imigrantes, na contramão da fortaleza europeia / foto: © AFP

Portugal, terra de acolhida aos imigrantes, na contramão da fortaleza europeia

Em São Teotónio, vila do sudoeste de Portugal, são os imigrantes do sul da Ásia que trabalham nas estufas e, nas ruas, os restaurantes nepaleses e indianos são mais numerosos que os estabelecimentos locais.

Tamanho do texto:

Mesch Khatri, um nepalês de 36 anos, trabalha na coleta de frutas vermelhas, a principal atividade econômica da região. Sua esposa, Ritu, de 28 anos, administra o café Nepali. Seu filho mais velho, de sete anos, só fala português, um pouco de inglês, mas nada de nepalês.

Este pai de família entrou na Europa pela Bélgica, mas preferiu se instalar em Portugal. "Lá é muito difícil conseguir um documento de residência. É por isso que vim para cá. É mais fácil de tirar os documentos", conta.

Após chegar em 2012, ele obteve o visto de residente em 2018 e a nacionalidade portuguesa em 2020.

São Teotónio, 9.000 habitantes, que pertence ao município de Odemira, viu sua população aumentar 13% em dez anos.

Este repovoamento se deve ao fluxo de mão de obra agrícola resultante da imigração em uma região afetada por décadas de declínio demográfico causado pelo êxodo rural.

Com uma política migratória entre as mais abertas da Europa, Portugal viu sua população estrangeira dobrar em cinco anos, em parte graças à chegada de migrantes vindos do sul da Ásia para trabalhar na agricultura, na pesca e no setor de restaurantes.

Um movimento encorajado pelo governo socialista, no poder desde o fim de 2015, mas que poderá se inclinar para a direita após as eleições de 10 de março.

- "Precisamos deles" -

Um pouco menos de 500.000 em 2018, o número de estrangeiros chegou ao milhão no ano passado, representando um décimo da população do país, segundo dados provisórios fornecidos à AFP pela Agência Governamental para a Integração, as Migrações e o Asilo (Aima).

Embora os brasileiros se mantenham, de longe, o primeiro contingente de imigrantes (cerca de 400.000 cidadãos), os indianos (58.000) e os nepaleses (40.000) já são mais numerosos que os residentes vindos de antigas colônias da África, como Cabo Verde ou Angola.

Também sem laços históricos com Portugal, os bengaleses e os paquistaneses também estão entre os cidadãos que ocupam o top 10 de imigrantes por aqui.

"A razão principal pela qual Portugal viu aumentar o número de imigrantes nos últimos anos é que precisamos deles", resume o presidente da Aima, Luis Goes Pinheiro, ressaltando que Portugal é o país com a taxa de envelhecimento mais alta da Europa depois da Itália.

Longe do "mar de plástico" formado pelas estufas de São Teotónio, em uma região remota do noroeste do país, Luís Carlos Vila também depende da mão de obra estrangeira para colher suas maçãs.

"Não há escolha, a população é idosa e não há mão de obra agrícola", explica.

Em seus pomares em Carrazeda de Ansiães, seis indianos trabalham na poda das árvores. "Eu amo Portugal. O dinheiro é bom, o trabalho é bom, o futuro é bom. Na Índia, não há futuro", diz um deles, Happy Singh, em um inglês hesitante.

Em um processo legalizado, o patrão passa por associações de recrutamento para encontrar seus trabalhadores. Com eles, ele reencontra parte de sua história familiar: "Meu pai também teve que deixar seu país para ganhar a vida" na França.

- "País generoso" -

Mesmo no seio da comunidade de pescadores de Caxinas que, na periferia do Porto (norte), encarna o laço tradicional dos portugueses com o mar, metade das tripulações é formada por indonésios.

No leme de seu pesqueiro de 20 metros, José Luis Gomes, chefe de pesca assim como seu pai e seu avô, se resignou ao fato de que os portugueses abandonaram esta profissão difícil ou partiram para exercê-la em outro lugar por melhores salários.

Recrutado pelo intermediário das associações de armadores, o javanês Saeful Ardani, de 28 anos, está em seu quarto contrato de 18 meses a bordo de "O Fugitivo".

"Os pescadores indonésios que trabalham aqui não têm nenhuma preocupação", afirma. "Nossas famílias estão seguras porque não estamos em situação ilegal".

Portugal, país de emigração no século XX, já havia se tornado um país de imigração na virada do século XXI.

Nos últimos anos, houve "um crescimento significativo, com alguns aspectos novos", comenta Jorge Malheiros, especialista em migrações da Universidade de Lisboa.

"Seja qual for o indicador, é um dos países mais generosos" em matéria de política migratória da Europa, explica o geógrafo.

Desde 2007, a legislação portuguesa permite a todos aqueles que declaram a renda do trabalho obter os documentos - não têm mais que aguardar por processos extraordinários de regularização.

Outra grande mudança ocorreu em 2018, quando o governo socialista acordou o direito à regularização, incluída a daqueles que não entraram legalmente no território.

Uma nova emenda, introduzida em 2022, prevê inclusive um visto temporário de seis meses para os estrangeiros em busca de emprego.

- Aumento do racismo -

"As leis portuguesas não são perfeitas, mas são melhores do que aquelas de muitos países com políticas retrógradas", comemora Timóteo Macedo, encarregado da associação Solidarité immigrée (Solidariedade Imigrada).

Se esta legislação ajuda a evitar os dramas de passageiros clandestinos ou o medo da expulsão como em outros lugares da Europa, não impede que em Portugal também "haja aqueles que ganham muito dinheiro às custas da miséria humana", acrescenta.

As autoridades portuguesas já desmantelaram várias redes de tráfico de seres humanos na região do Alentejo, revelando, sobretudo, condições de alojamento indignas reservadas a certos trabalhadores agrícolas.

Apoiada no balcão de seu café em São Teotónio, Mesch Khatri admite que o fluxo de imigrantes traz novos desafios.

"Antes era mais fácil ganhar a vida, agora há mais racismo entre os portugueses. Eles não gostam quando as pessoas vivem em grupos de dez ou quinze em uma casa ou quando não falam português", emenda sua esposa, Ritu.

Voluntária em um armazém social vizinho a um centro de apoio escolar que recebe cerca de 20 crianças, das quais apenas uma tem nome português, Julia Duarte observa um grupo de pré-adolescentes e um rapaz que aprende a saltar sobre seu skate.

Originária do Alentejo, esta portuguesa de 78 anos morou por muito tempo em Lisboa antes de se mudar para São Teotónio. "Eu me dizia que iria aproveitar minha aposentadoria em paz, e depois veio uma avalanche" de trabalhadores migrantes, conta ela.

"Veio gente demais, foram muitos inconvenientes. Todos procurando alojamento, trabalho... Depois percebi que são pessoas tranquilas", lembra.

- "Reunião familiar" -

Dedicada à ajuda de imigrantes, a ONG Taipa se concentrou com o passar dos anos à sua integração na região.

"Há dez ou quinze anos, não estávamos prontos para isto", confidencia sua encarregada, Teresa Barradas. "É um desafio muito importante para uma comunidade mais fechada, que não estava habituada a diferenças culturais tão grandes".

Além disso, "o principal problema" para receber os migrantes continua sendo a falta de alojamento, "sobretudo para as famílias".

Segundo a lei portuguesa, elas têm o direito de se reunir e "isso tem um papel muito importante para desarmar os preconceitos porque nós queremos que nossos vizinhos sejam uma família completa, cujos filhos vão à escola com os nossos", afirma.

O diretor da agência para a acolhida de estrangeiros, Luís Goes Pinheiro, confirma: "A reunião familiar é extremamente importante para garantir uma integração plena e a fixação dos migrantes, em particular nas regiões onde a densidade populacional é muito frágil".

Surgida no último outono boreal após a dissolução da antiga polícia de fronteiras, a agência Aima herdou cerca de 350.000 processos de regularização não analisados.

Na capital, Lisboa, vemos muitos entregadores em bicicleta ou motoristas de VTC (veículos de transporte com condutor) originários do sul da Ásia.

Às sextas-feiras, antes das orações, centenas de muçulmanos precisam fazer fila para entrar em uma das duas mesquitas situadas nas ruelas da Mouraria, o bairro mouro da época medieval.

- "Rua de Bangladesh" -

Eixo central desta parte antiga de Lisboa, a Rua do Benformoso tem tantos comércios e restaurantes bengaleses que ganhou o apelido de "Rua de Bangladesh", conta Yasir Anwar, um paquistanês de 43 anos, estabelecido aqui desde 2010.

Após chegar sem visto na sequência de breves passagens por Dinamarca e Noruega, ele foi ameaçado de expulsão antes de conseguir os documentos graças às emendas legislativas de 2018.

Depois de percorrer as ruas vendendo flores em bares e restaurantes, Anwar foi contratado pelo dono de um restaurante com quem ele aprendeu a gastronomia e a língua portuguesas.

Hoje, ele aguarda a cidadania portuguesa, o que costuma ser possível após cinco anos de residência legal, e espera trazer sua mulher e os dois filhos.

"Quando eu cheguei, não havia nada para nós", relembra este militante da Solidarité immigrée. Depois, "Portugal se tornou um bom país para os imigrantes e os recebe de braços abertos".

Pesquisas de opinião mostram que "Portugal está entre os países europeus onde a população não considera a imigração um dos principais problemas de seu cotidiano, ao contrário do que acontece por toda a Europa, e que sua reação ao fenômeno migratório se mantém positiva", confirma o presidente da Aima.

Embora as pesquisas eleitorais antecipem um novo impulso do Chega, partido de extrema direita criado em 2019, a imigração só aparece em sétimo lugar entre as prioridades de seu programa.

N.Patterson--TFWP