The Fort Worth Press - Inflação, pobreza, dívida e poucos dólares: uma bomba chamada Argentina

USD -
AED 3.6725
AFN 63.498714
ALL 82.898186
AMD 377.20221
ANG 1.790083
AOA 917.000143
ARS 1376.63099
AUD 1.440029
AWG 1.80225
AZN 1.702556
BAM 1.686202
BBD 2.015182
BDT 122.789623
BGN 1.709309
BHD 0.377574
BIF 2970
BMD 1
BND 1.279061
BOB 6.913944
BRL 5.238103
BSD 1.000522
BTN 94.115213
BWP 13.635619
BYN 2.965482
BYR 19600
BZD 2.012485
CAD 1.381501
CDF 2280.000526
CHF 0.791505
CLF 0.023228
CLP 917.189797
CNY 6.901501
CNH 6.903795
COP 3701.45
CRC 465.236584
CUC 1
CUP 26.5
CVE 95.625012
CZK 21.156905
DJF 177.719503
DKK 6.46211
DOP 60.374986
DZD 132.724008
EGP 52.534297
ERN 15
ETB 157.326049
EUR 0.86476
FJD 2.228204
FKP 0.747226
GBP 0.748305
GEL 2.695017
GGP 0.747226
GHS 10.949746
GIP 0.747226
GMD 73.533829
GNF 8780.000182
GTQ 7.657854
GYD 209.347342
HKD 7.818985
HNL 26.519756
HRK 6.5177
HTG 131.207187
HUF 334.957498
IDR 17041.4
ILS 3.11585
IMP 0.747226
INR 94.58805
IQD 1310
IRR 1313149.999855
ISK 123.839714
JEP 0.747226
JMD 157.605908
JOD 0.708983
JPY 159.350503
KES 129.749764
KGS 87.449198
KHR 4012.999761
KMF 426.999612
KPW 900.014346
KRW 1503.620076
KWD 0.30659
KYD 0.833829
KZT 482.773486
LAK 21585.000353
LBP 89549.999638
LKR 314.680461
LRD 183.649893
LSL 16.940125
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.374979
MAD 9.327502
MDL 17.495667
MGA 4170.000264
MKD 53.305946
MMK 2100.167588
MNT 3569.46809
MOP 8.057787
MRU 40.129725
MUR 46.459723
MVR 15.450396
MWK 1737.000057
MXN 17.77755
MYR 3.964495
MZN 63.901438
NAD 16.930012
NGN 1385.459778
NIO 36.719792
NOK 9.687115
NPR 150.586937
NZD 1.72225
OMR 0.384467
PAB 1.000578
PEN 3.460501
PGK 4.309497
PHP 60.060035
PKR 279.049985
PLN 3.69755
PYG 6510.184287
QAR 3.644006
RON 4.406198
RSD 101.569038
RUB 81.000744
RWF 1460
SAR 3.751679
SBD 8.042037
SCR 13.699685
SDG 600.999739
SEK 9.3519
SGD 1.281051
SHP 0.750259
SLE 24.549731
SLL 20969.510825
SOS 571.000463
SRD 37.340503
STD 20697.981008
STN 21.4
SVC 8.755292
SYP 110.948257
SZL 16.8977
THB 32.779488
TJS 9.58109
TMT 3.5
TND 2.937501
TOP 2.40776
TRY 44.359899
TTD 6.803525
TWD 31.950899
TZS 2570.059035
UAH 43.92958
UGX 3702.186911
UYU 40.504889
UZS 12199.999601
VES 462.09036
VND 26350
VUV 119.508072
WST 2.738201
XAF 565.560619
XAG 0.014069
XAU 0.000222
XCD 2.70255
XCG 1.803352
XDR 0.702492
XOF 563.50327
XPF 103.450387
YER 238.649487
ZAR 16.98853
ZMK 9001.203419
ZMW 18.736367
ZWL 321.999592
Inflação, pobreza, dívida e poucos dólares: uma bomba chamada Argentina
Inflação, pobreza, dívida e poucos dólares: uma bomba chamada Argentina / foto: © AFP

Inflação, pobreza, dívida e poucos dólares: uma bomba chamada Argentina

Os argentinos elegerão seu presidente em 22 de outubro, atormentados por uma inflação de quase 140%, com os nervos à flor da pele com uma crise cambial e as contas públicas exauridas por falta de divisas, uma bomba que o governo que assumirá em 10 de dezembro tentará desarmar.

Tamanho do texto:

A situação demandará um ajuste cuja dimensão começará a ser definida no domingo nas urnas, concordaram analistas consultados pela AFP.

O favorito nas pesquisas, o ultraliberal Javier Milei, propõe diretamente dolarizar a economia; a conservadora Patricia Bullrich, diminuir o Estado e liberar o mercado de câmbio; enquanto o peronista Sergio Massa, atual ministro da Economia, faz campanha prometendo impulsionar as exportações e o desenvolvimento com inclusão social. Todos falam de ordem fiscal.

Abaixo, os cinco desafios econômicos que enfrentarão.

- Inflação descomunal -

"Dá calafrios fazer as compras, do carrinho (de supermercado) passei para a sacola e agora com uma mão sobra", disse à AFP Lidia Pernilli, uma aposentada de 73 anos que acaba de comprar duas bananas por 1.000 pesos o quilo, 1 dólar no câmbio paralelo que quase triplica a cotação oficial.

A inflação, de 12,7% em setembro e 138% ao ano, é uma das mais altas do mundo. Saltou para os dois dígitos em agosto, quando o governo desvalorizou o peso em 20%.

Praticamente, não há crédito no país. Em outubro, o Banco Central elevou as taxas de juros para depósitos de 118% para 133% ao ano, para desestimular a fuga para o dólar.

- Desequilíbrio cambial -

Após décadas de alta inflação, os argentinos desconfiam do peso.

Os controles cambiais estão em vigor desde 2019, resultando em uma série de restrições.

O dólar blue, ou paralelo, pulou de 850 pesos para 1.050 na semana passada. No final de julho, sua cotação estava pela metade. A diferença com o dólar oficial, em 365 pesos, é um abismo.

"O dólar pode seguir subindo porque não há âncora política", apontou Elizabeth Bacigalupo, economista-chefe da consultoria Abeceb.

O mercado "pensa que Bullrich ou Massa podem impor um plano de estabilização, mas o que Milei propõe é perturbador e há medo", acrescentou.

Lorenzo Sigaut Gravina, economista e diretor da consultoria Equilibra, indicou também que "a economia não cresce" e avaliou que, em 2022, a atividade diminuirá 2%.

- Sem reservas -

Este ano, a Argentina sofreu com uma seca histórica que atingiu o campo, o principal setor exportador. Deixou de receber por isso cerca de 20 bilhões de dólares (cerca de 3 pontos do PIB).

Esse golpe levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a relaxar as metas do programa creditício de 44 bilhões de dólares (quase R$ 161 bilhões à época) que a Argentina realizou em 2018.

Para cumprir com seus compromissos, o país recorreu a um empréstimo do Catar, aos yuanes de um swap (troca de moedas) com a China e a um empréstimo do CAF.

As reservas totais do Banco Central rondam os 25 bilhões de dólares (quase R$ 127 bilhões). "Mas as líquidas são negativas em 5 bilhões de dólares (quase R$ 26 bilhões) e segue queimando os últimos cartuchos para sustentar a taxa de câmbio, porque Massa ainda tem chances de ganhar", avaliou Bacigalupo.

O Banco Central absorve a forte emissão monetária para financiar o déficit fiscal, com títulos de curto prazo a taxas muito altas.

"Será necessário um plano de estabilização e quem o aplicar deverá ter poder político, porque as medidas irão gerar mais inflação até que os dólares da safra entrem em abril", advertiu Sigaut Gravina.

- Fragilidade social -

O maior desafio será equilibrar as contas sem que aconteça grandes protestos, em um país cuja taxa de pobreza está em 40,1%, enquanto a de indigência é de 9,3%.

Milhares de pessoas recebem subsídios nas tarifas de água, gás, eletricidade e transporte, além de auxílios econômicos.

"Esses subsídios deverão ser reduzidos. Haverá um custo social elevado e tensões políticas", disse Bacigalupo.

Milei prometeu dolarizar a economia e eliminar o Banco Central como caminho para acabar com a inflação.

Segundo Lorenzo Sigaut, "é impossível porque não há dólares e iria requerer uma maxidesvalorização ou financiamento externo".

Para Bacigalupo, "são necessários valores tão exorbitantes por dólar - cerca de 4.000 pesos por cédula - para dolarizar, que seria socialmente inviável".

- Energia e nova safra, uma esperança -

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires projetou que a safra de soja aumentará em 138% na colheita 2023-24 depois da forte da seca, e a de milho 61%, em um contexto agroexportador de bonança.

O próximo governo economizará divisas em importação de energia, graças ao funcionamento do novo gasoduto da reserva de Vaca Muerta.

"Se aproveitarmos isso, pode aportar mais de 10 bilhões de dólares (quase R$ 51 bilhões) por ano e somado à reversão da seca, a explotação de lítio e energia renováveis, chegarão dólares cruciais para as transformações da estabilização", opinou Bacigalupo.

M.Delgado--TFWP