The Fort Worth Press - Lucrecia Martel em Veneza: 'cinema é algo muito poderoso em época de desesperança para humanidade'

USD -
AED 3.673104
AFN 63.000368
ALL 83.025041
AMD 377.503986
ANG 1.790083
AOA 917.000367
ARS 1380.698704
AUD 1.418038
AWG 1.8025
AZN 1.70397
BAM 1.689727
BBD 2.01353
BDT 122.670076
BGN 1.709309
BHD 0.374681
BIF 2970
BMD 1
BND 1.278587
BOB 6.90829
BRL 5.314104
BSD 0.999767
BTN 93.464137
BWP 13.632554
BYN 3.033193
BYR 19600
BZD 2.010678
CAD 1.37185
CDF 2275.000362
CHF 0.788304
CLF 0.023504
CLP 928.050396
CNY 6.886404
CNH 6.906095
COP 3712.59
CRC 466.966746
CUC 1
CUP 26.5
CVE 95.850394
CZK 21.14904
DJF 177.720393
DKK 6.457904
DOP 59.000359
DZD 132.021187
EGP 51.834636
ERN 15
ETB 157.150392
EUR 0.864104
FJD 2.21445
FKP 0.749058
GBP 0.749457
GEL 2.71504
GGP 0.749058
GHS 10.90504
GIP 0.749058
GMD 73.503851
GNF 8777.503848
GTQ 7.658082
GYD 209.166703
HKD 7.83185
HNL 26.560388
HRK 6.513504
HTG 131.155614
HUF 339.750388
IDR 16960
ILS 3.109125
IMP 0.749058
INR 93.85395
IQD 1310
IRR 1315625.000352
ISK 124.270386
JEP 0.749058
JMD 157.066706
JOD 0.70904
JPY 159.235504
KES 129.603801
KGS 87.447904
KHR 4010.00035
KMF 427.00035
KPW 899.950845
KRW 1505.910383
KWD 0.306604
KYD 0.833125
KZT 480.643127
LAK 21485.000349
LBP 89550.000349
LKR 311.869854
LRD 183.375039
LSL 17.010381
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.380381
MAD 9.360504
MDL 17.410687
MGA 4170.000347
MKD 53.326817
MMK 2099.773051
MNT 3569.674815
MOP 8.069756
MRU 40.130379
MUR 46.503741
MVR 15.460378
MWK 1737.000345
MXN 17.898704
MYR 3.939039
MZN 63.903729
NAD 16.830377
NGN 1356.250377
NIO 36.720377
NOK 9.569995
NPR 149.542319
NZD 1.713209
OMR 0.381586
PAB 0.999784
PEN 3.479039
PGK 4.31175
PHP 59.973038
PKR 279.203701
PLN 3.69455
PYG 6529.758871
QAR 3.644504
RON 4.401504
RSD 101.699038
RUB 82.944058
RWF 1459
SAR 3.755057
SBD 8.05166
SCR 14.367754
SDG 601.000339
SEK 9.343304
SGD 1.282404
SHP 0.750259
SLE 24.575038
SLL 20969.510825
SOS 571.503662
SRD 37.487504
STD 20697.981008
STN 21.515
SVC 8.747565
SYP 110.76532
SZL 16.830369
THB 32.803646
TJS 9.602575
TMT 3.51
TND 2.909038
TOP 2.40776
TRY 44.280904
TTD 6.782897
TWD 32.000335
TZS 2586.664038
UAH 43.796556
UGX 3778.931635
UYU 40.286315
UZS 12195.000334
VES 454.69063
VND 26312
VUV 119.036336
WST 2.744165
XAF 566.725992
XAG 0.014693
XAU 0.000222
XCD 2.70255
XCG 1.801775
XDR 0.705856
XOF 570.503593
XPF 103.550363
YER 238.603589
ZAR 17.127504
ZMK 9001.203584
ZMW 19.520498
ZWL 321.999592
Lucrecia Martel em Veneza: 'cinema é algo muito poderoso em época de desesperança para humanidade'
Lucrecia Martel em Veneza: 'cinema é algo muito poderoso em época de desesperança para humanidade' / foto: © AFP

Lucrecia Martel em Veneza: 'cinema é algo muito poderoso em época de desesperança para humanidade'

A cineasta Lucrecia Martel reivindica em 'Nuestra tierra', seu documentário apresentado no Festival de Cinema de Veneza, os direitos dos indígenas e denuncia novamente o racismo em sua Argentina natal, com um filme que fala sobre dominação, memória e migração.

Tamanho do texto:

Partindo do julgamento dos suspeitos do assassinato de Javier Chocobar, ocorrido em Tucumán em 2009, Martel traça um retrato da comunidade Chuschagasta, ameaçada de ser despojada das terras que habita, e conta uma história muito mais ampla que aborda temas como a memória e o racismo.

O assassinato foi gravado em vídeo e, quando Martel o encontrou, percebeu que "era um cara que tinha ido filmar e tinha um revólver, e me pareceu extremamente pertinente, como pessoa que trabalha com imagens e som, investigá-lo", explica a cineasta argentina durante uma entrevista à AFP em Veneza.

"E também porque tinha exatamente a ver com o que me preocupa muito: o racismo na Argentina", enfatiza Martel, de 58 anos, natural de Salta, no noroeste do país.

Sem narrador e com uma infinidade de imagens de arquivo, são os próprios membros da comunidade Chuschagasta que contam sua história.

Homens e mulheres que um dia migraram para Buenos Aires em busca de uma vida melhor e outros que ficaram, reivindicando seus direitos sobre a terra onde nasceram, a terra de seus ancestrais.

- A identidade, "uma armadilha"-

No entanto, conseguir que as pessoas se manifestassem era, por vezes, um desafio. Uma das participantes levou dez anos para confiar nela e mostrar-lhe suas fotos.

Trata-se de "pessoas que foram decepcionadas por todos os governos, de todos os signos políticos; pela universidade, pelos acadêmicos, pelos hippies", justifica a também diretora de 'Zama'.

"Com todas as decepções que têm do mundo urbano, por que confiaria em mim?", questiona.

Outro desafio que teve de enfrentar ao realizar 'Nuestra tierra', fora de competição na Mostra, foi o dos seus próprios "preconceitos".

"Muitas vezes eu estava preocupada em conseguir documentos e fotos, sem compreender bem que se trata de uma pessoa, uma família que perdeu um membro, sem ter delicadeza com isso", reconhece.

Com seu relato, os membros da comunidade destacam uma história não contada e amplamente ignorada pelas instituições.

"Todos os presidentes, desde [Raúl] Alfonsín até hoje, têm alguma frase (...) em que dizem que a Argentina é formada por imigrantes. Como sempre, esquecem-se dos povos indígenas", observa Martel.

Mesmo assim, ela não pretendia abordar o tema da identidade, embora ele esteja presente no filme, ressalta.

"Eu não acredito na identidade, acho que é uma armadilha que obriga as pessoas a fazer algo que elas não sabem", afirma. "A identidade não é nada fixo, é um fenômeno mais complexo do que esse nome que lhe demos e da maneira como a definimos", acrescenta.

Martel levou mais de quinze anos para realizar este documentário e admite que pode ter cometido "erros". Mas, pelo menos, diz, o material documental permanecerá para sempre. E isso já é muito.

"Suponhamos que o filme seja um erro absoluto, que não sirva para nada, que eu não tenha compreendido de forma alguma os problemas da comunidade. Pelo menos, as fotos e os documentos foram digitalizados; estão organizados e guardados em um disco", observa.

Antes de concluir, Martel reitera um apelo aos seus colegas mais jovens, para que "não percam a força nem a fé no que fazemos: o cinema é algo muito poderoso em uma época de desesperança da humanidade".

H.M.Hernandez--TFWP