The Fort Worth Press - Sebastião Salgado, o fotojornalismo elevado ao status de obra de arte

USD -
AED 3.672502
AFN 63.999758
ALL 81.109773
AMD 359.873322
ANG 1.789785
AOA 917.999983
ARS 1535.226207
AUD 1.422192
AWG 1.8025
AZN 1.696076
BAM 1.74477
BBD 2.011597
BDT 123.993042
BGN 1.747831
BHD 0.377091
BIF 2997.279094
BMD 1
BND 1.275971
BOB 12.110264
BRL 5.4401
BSD 0.998796
BTN 94.782997
BWP 13.79901
BYN 2.942058
BYR 19600
BZD 2.008653
CAD 1.396775
CDF 2314.99993
CHF 0.824605
CLF 0.025228
CLP 992.919725
CNY 6.661098
CNH 6.652785
COP 3164.280298
CRC 454.168339
CUC 1
CUP 23.969847
CVE 98.367456
CZK 21.82865
DJF 177.849146
DKK 6.697195
DOP 60.537937
DZD 135.196931
EGP 55.990178
ERN 15
ETB 161.241358
EUR 0.89607
FJD 2.243702
FKP 0.746726
GBP 0.746895
GEL 2.600101
GGP 0.746726
GHS 11.635666
GIP 0.746726
GMD 74.000279
GNF 8839.823364
GTQ 7.635488
GYD 209.349213
HKD 7.84413
HNL 26.845087
HRK 6.76901
HTG 130.853294
HUF 327.769503
IDR 18127.15
ILS 3.14456
IMP 0.746726
INR 94.912502
IQD 1514.072885
IRR 1868414.999723
ISK 121.830331
JEP 0.746726
JMD 158.713591
JOD 0.708975
JPY 157.768503
KES 129.791695
KGS 87.448703
KHR 4075.114858
KMF 441.000265
KPW 899.999961
KRW 1333.419749
KWD 0.31117
KYD 0.83233
KZT 452.856952
LAK 22487.176056
LBP 89438.155136
LKR 332.209287
LRD 169.784558
LSL 16.644543
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.420447
MAD 9.82042
MDL 17.877693
MGA 4517.596681
MKD 54.931085
MMK 2099.629361
MNT 3599.514763
MOP 8.070654
MRU 40.499576
MUR 47.280081
MVR 15.449684
MWK 1731.477764
MXN 18.787845
MYR 4.058203
MZN 63.91023
NAD 16.644543
NGN 1346.469726
NIO 36.754539
NOK 9.214898
NPR 151.652616
NZD 1.77723
OMR 0.382702
PAB 0.998885
PEN 3.456889
PGK 4.545252
PHP 63.764506
PKR 276.304474
PLN 3.95455
PYG 5851.286855
QAR 3.64084
RON 4.782198
RSD 104.839645
RUB 80.662951
RWF 1474.374415
SAR 3.7544
SBD 8.058206
SCR 14.652482
SDG 601.550744
SEK 9.817655
SGD 1.278315
SHP 0.748335
SLE 22.899359
SLL 20969.504398
SOS 570.765868
SRD 37.619497
STD 20697.981008
STN 21.856461
SVC 8.739016
SYP 13001.999685
SZL 16.639458
THB 33.723006
TJS 9.193541
TMT 3.5
TND 2.986752
TOP 2.40776
TRY 49.97125
TTD 6.771935
TWD 32.621397
TZS 2646.683617
UAH 45.299969
UGX 4244.613944
UYU 40.153441
UZS 11979.124849
VES 887.479795
VND 25803.5
VUV 118.626367
WST 2.776217
XAF 587.783136
XAG 0.02008
XAU 0.000256368843
XCD 2.70255
XCG 1.799991
XDR 0.707052
XOF 587.783136
XPF 106.3919
YER 236.198985
ZAR 16.70041
ZMK 9001.200902
ZMW 20.14006
ZWL 321.999592
SSP 5745.217636
MXV 2.117493
Sebastião Salgado, o fotojornalismo elevado ao status de obra de arte
Sebastião Salgado, o fotojornalismo elevado ao status de obra de arte / foto: © AFP

Sebastião Salgado, o fotojornalismo elevado ao status de obra de arte

O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, falecido, nesta sexta-feira (23), aos 81 anos, imortalizou durante cinco décadas o pior e o melhor do planeta: dos remotos tesouros naturais às calamidades humanas, com um estilo inconfundível que aliou beleza e engajamento.

Tamanho do texto:

Autodidata, Salgado, que também tinha a nacionalidade francesa, deixa um testemunho icônico de centenas de viagens, publicado tanto em grandes revistas, como "Life" e "Time", quanto exibido em museus de capitais como Paris, onde viveu boa parte de sua vida.

De Ruanda à Guatemala, passando por Indonésia e Bangladesh, o brasileiro fotografou situações de fome, guerras, êxodos e exploração do trabalho no Terceiro Mundo, com um olhar empático e não condescendente "de quem vem da mesma parte do mundo", como costumava dizer.

Seu universo em preto e branco, de estética elegante, também foi uma celebração das paisagens mais belas, como os 'rios voadores' da Amazônia, e ao mesmo tempo um alerta da necessidade de protegê-las diante da emergência climática.

Salgado recebeu prêmios de prestígio, como o Príncipe de Astúrias e o Prêmio Internacional da Fundação Hasselblad, e foi protagonista do documentário indicado ao Oscar "O Sal da Terra", de Wim Wenders, sobre suas viagens a locais remotos como o Círculo Polar Ártico e Papua Nova Guiné, que alimentaram seu livro, "Gênesis" (2013).

- África, Reagan e minas -

Nascido em 8 de fevereiro de 1944 na cidade de Aimorés, zona rural de Minas Gerais, Salgado criou-se com sete irmãs na fazenda de seu pai, um criador de gado. Da infância em uma terra onde visitar um amigo demandava dias de viagem, ele disse ter aprendido a paciência, primordial para um fotógrafo que deve saber esperar "a fração de segundo" que quer captar.

Iniciou estudos em direito, mas em seguida mudou para Economia, com mestrado na Universidade de São Paulo. Militante de esquerda, mudou-se para a França em 1969, fugindo da ditadura no Brasil, ao lado de quem seria sua companheira de vida, Lélia Wanick.

Trabalhando na Organização Internacional do Café, Salgado viajava frequentemente para a África, onde começou a fotografar, após experimentar pela primeira vez em 1970 uma câmera que Lélia tinha comprado.

"Me dei conta de que as fotos davam mais prazer do que os informes econômicos", confessou.

Salgado descartou, então, uma polpuda oferta de trabalho no Banco Mundial, em Washington, para se dedicar à fotografia. Enquanto isso, Lélia criaria praticamente sozinha os dois filhos do casal: Juliano Ribeiro e Rodrigo, nascido com síndrome de Down.

A África, onde se sentia "em casa" pelo peso cultural do continente no Brasil desde os tempos da escravidão, foi tema de suas primeiras reportagens sobre secas e episódios de fome em países como Níger e Etiópia, o que lhe abriu as portas da lendária agência Magnum em 1979.

Com ela, foi em uma ocasião fotógrafo de uma 'breaking news' mundial: a tentativa de assassinato de Ronald Reagan em 1981, um evento que presenciou enquanto cobria um ato do presidente em um hotel, tendo tirado 76 fotos em 60 segundos.

Mas foi com seu primeiro livro, "Outras Américas" (1984), um retrato dos povos indígenas, que ele alcançou a fama, consagrada dois anos depois com as fotos da Serra Pelada (Pará), a maior mina de ouro do mundo a céu aberto, onde durante 35 dias conviveu com milhares de homens cobertos de lama e em condições desumanas.

Seguiu-se outra obra antológica, "Êxodos" (2000), sobre migrações forçadas em 40 países.

Alguns críticos o acusaram de adotar a "estética da miséria", mas Salgado os ignorou, mantendo a fé em seu trabalho.

- Bolsonaro na mira -

Antes de bater a foto, "é preciso estar ligado ao fenômeno", explicava Salgado, justificando o tempo dedicado a seus personagens, os quais retratava com as três câmeras Leica que levava penduradas no pescoço.

A fotografia é "minha maneira de vida. O que fotografo corresponde à minha ideologia, ao meu comportamento, à minha atividade humana e política, vai tudo junto", admitiu à AFP em 2022, ao apresentar em São Paulo sua exposição, "Amazônia", fruto de um trabalho de sete anos na maior floresta tropical do mundo.

Comprometido com a causa ambiental, Salgado foi um crítico ferrenho do ex-presidente ultradireitista Jair Bolsonaro (2019-2022) por sua política de abrir a Amazônia a atividades como a agricultura e a mineração.

Em seu estado natal, fundou ainda o Instituto Terra para regenerar as florestas e a biodiversidade, desaparecidas com o desmatamento, um projeto bem sucedido ao qual até 2022 tinham aderido cerca de 3.000 proprietários de terras.

Perguntado sobre o que aprendeu durante seu périplo planetário, Salgado resumiu em 2016: "Que existe uma coisa artificial que se chama fronteiras. Em todas as partes vi o mesmo ser humano. O estrangeiro não existe".

C.Dean--TFWP