The Fort Worth Press - 'Ainda Estou Aqui', uma mensagem de 'resistência' que conquistou o Brasil e está de olho no Oscar

USD -
AED 3.6725
AFN 64.999784
ALL 81.124072
AMD 366.291451
AOA 916.999909
ARS 1493.9796
AUD 1.425171
AWG 1.8025
AZN 1.698331
BAM 1.70003
BBD 2.017193
BDT 123.673345
BHD 0.377673
BIF 2963.14003
BMD 1
BND 1.284471
BOB 12.19349
BRL 5.104303
BSD 1.001521
BTN 95.437438
BWP 13.621508
BYN 2.927698
BYR 19600
BZD 2.014325
CAD 1.40455
CDF 2261.999823
CHF 0.81028
CLF 0.023427
CLP 925.009766
CNY 6.752599
CNH 6.758185
COP 3244.53
CRC 454.946478
CUC 1
CUP 26.5
CVE 95.845104
CZK 21.033993
DJF 178.347603
DKK 6.49522
DOP 58.098247
DZD 132.974527
EGP 50.118903
ERN 15
ETB 161.652202
EUR 0.868899
FJD 2.216405
FKP 0.741746
GBP 0.74465
GEL 2.609985
GGP 0.741746
GHS 11.703247
GIP 0.741746
GMD 74.000408
GNF 8794.819418
GTQ 7.641358
GYD 209.865705
HKD 7.84265
HNL 26.844798
HRK 6.546104
HTG 130.950467
HUF 316.276957
IDR 18036
ILS 3.043635
IMP 0.741746
INR 95.408796
IQD 1311.99694
IRR 1375249.999942
ISK 123.379941
JEP 0.741746
JMD 158.648894
JOD 0.708973
JPY 157.680501
KES 129.380279
KGS 87.450328
KHR 4047.164768
KMF 428.000071
KRW 1428.215014
KWD 0.30958
KYD 0.834623
KZT 475.088226
LAK 22652.005737
LBP 89690.906246
LKR 336.268417
LRD 180.781433
LSL 16.517624
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.383589
MAD 9.338433
MDL 17.48707
MGA 4266.101098
MKD 53.479073
MMK 2099.683142
MNT 3593.528557
MOP 8.089981
MRU 40.111607
MUR 46.940309
MVR 15.450176
MWK 1736.689078
MXN 17.308303
MYR 4.098101
MZN 63.897004
NAD 16.51748
NGN 1364.089869
NIO 36.855144
NOK 9.53674
NPR 152.698257
NZD 1.704865
OMR 0.384476
PAB 1.001521
PEN 3.382676
PGK 4.419952
PHP 61.033012
PKR 278.10102
PLN 3.74765
PYG 5974.184015
QAR 3.651093
RON 4.557985
RSD 101.979872
RUB 80.398921
RWF 1468.710478
SAR 3.744129
SBD 8.071156
SCR 14.499954
SDG 599.999975
SEK 9.565125
SGD 1.28285
SLE 24.449853
SOS 572.377256
SRD 37.805994
STD 20697.981008
STN 21.295737
SVC 8.763451
SZL 16.520348
THB 33.4405
TJS 9.24925
TMT 3.5
TND 2.938937
TRY 47.551301
TTD 6.791197
TWD 32.380397
TZS 2648.99798
UAH 44.925139
UGX 3748.09857
UYU 40.27989
UZS 12008.240182
VES 747.8514
VND 26283
VUV 119.050155
WST 2.734491
XAF 570.166846
XAG 0.017038
XAU 0.000246
XCD 2.70255
XCG 1.805017
XDR 0.709108
XOF 570.17428
XPF 103.662883
YER 238.400628
ZAR 16.51055
ZMK 9001.200646
ZMW 18.822036
ZWL 321.999592
'Ainda Estou Aqui', uma mensagem de 'resistência' que conquistou o Brasil e está de olho no Oscar
'Ainda Estou Aqui', uma mensagem de 'resistência' que conquistou o Brasil e está de olho no Oscar / foto: © AFP/Arquivos

'Ainda Estou Aqui', uma mensagem de 'resistência' que conquistou o Brasil e está de olho no Oscar

Premiado em Veneza, aspirante ao Globo de Ouro e quem sabe ao Oscar, "Ainda Estou Aqui" é uma mensagem de "resistência" em tempos de ascensão da extrema direita, disseram o diretor do filme, Walter Salles, e a protagonista Fernanda Torres em entrevista à AFP.

Tamanho do texto:

Entre aplausos, lágrimas e aclamações, três milhões de brasileiros já assistiram nos cinemas a este longa sobre a ditadura militar (1964-1985), tornando-o o maior sucesso do cinema latino-americano em 2024.

"Ainda Estou Aqui" mostra a luta de Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres, para esclarecer o desaparecimento do marido, o ex-deputado progressista Rubens Paiva, sequestrado pelos militares em 1971.

O caso, vivido de perto por Salles durante a adolescência, repercutiu até no exterior, mas o corpo de Rubens nunca foi encontrado.

O Brasil não julgou os crimes do regime militar, que deixou mais de 400 mortos e desaparecidos políticos, além de milhares de vítimas de torturas e detenções ilegais.

A dureza dos fatos contrasta com o ambiente do filme, um Rio de Janeiro caloroso, com casas singelas em frente à praia do Leblon – diferente dos altos prédios que hoje dominam a orla –, e com o calor humano que emana da casa de Eunice e seus cinco filhos.

"Ainda Estou Aqui" é o mais recente sucesso de Salles, diretor de "Diários de Motocicleta" (2004) e "Central do Brasil" (1998), protagonizado por Fernanda Montenegro, mãe de Torres, hoje com 95 anos e com uma participação breve no filme, como Eunice em sua velhice.

AFP: Embora trate de fatos históricos, o filme contém uma fibra atual?

Salles: "Quando começamos o projeto, em 2016, nos parecia uma chance de olhar para trás para entender de onde vínhamos. Mas com o crescimento da extrema direita no Brasil, a partir de 2017, percebemos que também era um filme para entender o presente. Hoje existe um projeto de poder baseado no apagamento da memória, e diante disso as formas de expressão artística ganham uma importância maior."

Torres: "É um filme sobre o presente. Tivemos um presidente [Jair Bolsonaro] que elogiou um torturador da ditadura e que acha que os militares 'salvaram' o Brasil do comunismo. 'Ainda Estou Aqui' traz uma reflexão importante, enquanto vemos que os porões da ditadura hoje continuam abertos. Toca o coração de gregos e troianos, qualquer pessoa que assiste o filme pensa: 'Isso está errado, essa família não tinha por que ser perseguida'."

AFP: Que efeito "Ainda Estou Aqui" pode produzir em espectadores não brasileiros?

S: "Em festivais internacionais encontramos reações semelhantes às do Brasil, porque não somos o único país que percebe a fragilidade da democracia nem que vive ou viveu o trauma da extrema direita. Sean Penn assistiu ao filme no dia da eleição de Donald Trump, e ao apresentá-lo em Los Angeles falou do sorriso da Eunice Paiva como um exemplo de resistência para o que virá nos Estados Unidos."

T: "Vivemos em um mundo instável, as novas tecnologias mudaram as relações sociais. E em momentos assim ressurgem desejos de Estados autoritários que restabeleçam a ordem. Através do ponto de vista de uma família, o filme mostra o que significa de fato viver em um país com um governo violento, que suspende os direitos civis."

AFP: O filme conta uma história triste, mas há momentos em que o espectador sorri. Por que isso acontece?

T: "O cinema de Walter aborda o sublime. O filme é esperançoso, tanto por sua própria existência quanto pela resiliência e alegria dessa família. Conta uma tragédia, mas você não sai do cinema sem esperanças. Pelo contrário, pensa: 'Essas pessoas resistiram, sobreviveram, existem'."

AFP: O filme começa com uma reconstrução minuciosa da vida na casa dos Paiva, no Rio de Janeiro dos anos 1970, antes do drama familiar. De onde vem essa evocação?

S: "São memórias da minha adolescência. Minha namorada dos 13 ou 14 anos era amiga de uma das filhas do Paiva, então passei muito tempo com eles. Aquela casa era outro país, onde a discussão política era livre, onde se falava de livros e discos censurados. Mas ali também descobri uma violência que desconhecia. O dia que Rubens foi levado para nunca mais voltar marcou um antes e depois para todos que tínhamos participado daquele microcosmo. Se tínhamos alguma inocência, perdemos naquele dia."

AFP: Como lidam com as expectativas sobre o Oscar?

T: "Acho que as chances de nomeação são grandes, mas não sei se levamos, porque foi um ano com filmes incríveis. Mas tudo o que já aconteceu com o filme foi extraordinário."

S: "Os prêmios servem para que mais gente veja o filme, e nesse sentido eu gostaria que acontecesse. Mas se vier, ótimo, e se não, a vida continua. Sempre parto do pressuposto de que alguém otimista é alguém mal informado."

D.Johnson--TFWP