The Fort Worth Press - Investigação da AFP sobre bombardeio de outubro contra jornalistas no Líbano aponta para projétil de tanque israelense

USD -
AED 3.673104
AFN 63.000368
ALL 83.025041
AMD 377.503986
ANG 1.790083
AOA 917.000367
ARS 1378.673804
AUD 1.419648
AWG 1.8025
AZN 1.70397
BAM 1.689727
BBD 2.01353
BDT 122.670076
BGN 1.709309
BHD 0.374681
BIF 2970
BMD 1
BND 1.278587
BOB 6.90829
BRL 5.313404
BSD 0.999767
BTN 93.464137
BWP 13.632554
BYN 3.033193
BYR 19600
BZD 2.010678
CAD 1.37305
CDF 2275.000362
CHF 0.78844
CLF 0.023504
CLP 928.050396
CNY 6.886404
CNH 6.906095
COP 3712.59
CRC 466.966746
CUC 1
CUP 26.5
CVE 95.850394
CZK 21.149204
DJF 177.720393
DKK 6.457504
DOP 59.000359
DZD 131.224675
EGP 51.758616
ERN 15
ETB 157.150392
EUR 0.862704
FJD 2.21445
FKP 0.749058
GBP 0.749681
GEL 2.71504
GGP 0.749058
GHS 10.90504
GIP 0.749058
GMD 73.503851
GNF 8777.503848
GTQ 7.658082
GYD 209.166703
HKD 7.83535
HNL 26.560388
HRK 6.511304
HTG 131.155614
HUF 339.680388
IDR 16956.2
ILS 3.109125
IMP 0.749058
INR 94.04855
IQD 1310
IRR 1315625.000352
ISK 124.270386
JEP 0.749058
JMD 157.066706
JOD 0.70904
JPY 159.23904
KES 129.603801
KGS 87.447904
KHR 4010.00035
KMF 427.00035
KPW 899.950845
KRW 1505.310383
KWD 0.30657
KYD 0.833125
KZT 480.643127
LAK 21485.000349
LBP 89550.000349
LKR 311.869854
LRD 183.375039
LSL 17.010381
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.380381
MAD 9.360504
MDL 17.410687
MGA 4170.000347
MKD 53.172583
MMK 2099.773051
MNT 3569.674815
MOP 8.069756
MRU 40.130379
MUR 46.503741
MVR 15.460378
MWK 1737.000345
MXN 17.898604
MYR 3.939039
MZN 63.903729
NAD 16.830377
NGN 1356.250377
NIO 36.720377
NOK 9.569995
NPR 149.542319
NZD 1.712622
OMR 0.381586
PAB 0.999784
PEN 3.479039
PGK 4.31175
PHP 60.150375
PKR 279.203701
PLN 3.69475
PYG 6529.758871
QAR 3.644504
RON 4.401504
RSD 101.699038
RUB 82.822413
RWF 1459
SAR 3.755057
SBD 8.05166
SCR 14.367754
SDG 601.000339
SEK 9.344038
SGD 1.282304
SHP 0.750259
SLE 24.575038
SLL 20969.510825
SOS 571.503662
SRD 37.487504
STD 20697.981008
STN 21.515
SVC 8.747565
SYP 110.76532
SZL 16.830369
THB 32.790369
TJS 9.602575
TMT 3.51
TND 2.909038
TOP 2.40776
TRY 44.280904
TTD 6.782897
TWD 32.036704
TZS 2586.664038
UAH 43.796556
UGX 3778.931635
UYU 40.286315
UZS 12195.000334
VES 454.69063
VND 26312
VUV 119.036336
WST 2.744165
XAF 566.725992
XAG 0.014693
XAU 0.000222
XCD 2.70255
XCG 1.801775
XDR 0.705856
XOF 570.503593
XPF 103.550363
YER 238.603589
ZAR 17.127505
ZMK 9001.203584
ZMW 19.520498
ZWL 321.999592
Investigação da AFP sobre bombardeio de outubro contra jornalistas no Líbano aponta para projétil de tanque israelense
Investigação da AFP sobre bombardeio de outubro contra jornalistas no Líbano aponta para projétil de tanque israelense / foto: © AFP/Arquivos

Investigação da AFP sobre bombardeio de outubro contra jornalistas no Líbano aponta para projétil de tanque israelense

Uma investigação da Agence France-Presse sobre o bombardeio no sul do Líbano em 13 de outubro, que matou um cinegrafista da Reuters e feriu outros seis jornalistas, incluindo dois da AFP, aponta para um projétil de tanque usado exclusivamente pelo Exército israelense nessa região de alta tensão na fronteira.

Tamanho do texto:

Dois disparos atingiram sucessivamente o grupo de jornalistas enquanto trabalhavam perto da vila fronteiriça de Alma al-Shaab, em uma área onde o Exército israelense e grupos armados libaneses e palestinos se envolvem em confrontos quase diários.

Issam Abdallah, de 37 anos, morreu instantaneamente. Os outros jornalistas presentes, dois da Reuters, dois da Al Jazeera e dois da AFP, ficaram feridos. A fotógrafa da AFP, Christina Assi, de 28 anos, ficou gravemente ferida, teve uma perna amputada e segue hospitalizada.

A AFP conduziu uma investigação de sete semanas em colaboração com a Airwars, uma ONG que investiga incidentes a civis em situações de conflito, com base em evidências de análise de munições especializadas, imagens de satélite, testemunhos e imagens de vídeo feitas antes e durante o bombardeio.

As evidências apontam para um projétil de tanque israelense de 120 mm com estabilização por aletas, usado apenas pelo Exército israelense na região de alta tensão na fronteira.

A investigação indica que os disparos vieram do sudeste em relação à posição dos jornalistas, perto da cidade israelense de Jordeikh, onde tanques israelenses estavam operando.

A natureza dos disparos e a falta de atividade militar nas proximidades dos jornalistas, combinadas com os recursos de vigilância aérea israelenses, indicam que foi um bombardeio deliberado e direcionado.

Essas descobertas são apoiadas por investigações separadas realizadas pelos grupos de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) e Anistia Internacional.

Outra investigação, da Reuters, também publicada nesta quinta-feira, conclui igualmente que os disparos foram lançados de um tanque israelense.

A HRW concluiu que os disparos foram "aparentemente deliberados contra civis, o que constitui um crime de guerra" e que "devem ser processados por crimes de guerra". A Anistia disse que o incidente foi "provavelmente um ataque direto a civis que deve ser investigado como um crime de guerra".

Após o bombardeio, um porta-voz militar israelense disse que "lamentamos muito pela morte do jornalista", acrescentando que Israel estava "investigando" o incidente, sem assumir a responsabilidade.

O Diretor de Informação da AFP, Phil Chetwynd, afirmou que é "absolutamente fundamental ter respostas de Israel".

"Assim que ocorreu este incidente, pedimos a Israel que conduzisse uma investigação aprofundada para descobrir exatamente o que tinha acontecido. Dois meses depois, ainda estamos à espera de respostas", afirmou.

"A AFP deixou muito claro que iremos buscar todas as vias judiciais que considerarmos relevantes e possíveis para garantir que possamos obter justiça para Christina e Issam", insistiu Chetwynd.

- Os disparos -

Dois disparos em sucessão atingiram o grupo de jornalistas às 18h02 enquanto estavam posicionados acima de Alma al-Shaab, uma vila localizada a cerca de um quilômetro da "Linha Azul", a linha de demarcação monitorada pela ONU entre o Líbano e Israel.

O Hezbollah libanês e braços locais dos movimentos palestinos Hamas e Jihad Islâmica vinham trocando disparos com Israel quase diariamente na fronteira desde os ataques do Hamas contra Israel em 7 de outubro.

Mais de 110 pessoas morreram no lado libanês, principalmente combatentes do Hezbollah, além de mais de uma dúzia de civis, segundo um balanço da AFP.

Israel afirma que seis de seus soldados morreram.

Os sete jornalistas estiveram no local por cerca de uma hora antes de serem atingidos, posicionados no topo de uma pequena colina que oferecia uma ampla visão para filmar os bombardeios israelenses, que se intensificaram naquela tarde.

O Exército israelense confirmou que estava realizando disparos de artilharia em resposta a uma tentativa de infiltração.

Os jornalistas da Al Jazeera, Carmen Joukhadar e Elie Brakhya, foram os primeiros a chegar, seguidos por Dylan Collins e Christina Assi, da AFP, e os correspondentes da Reuters, Issam Abdallah, Thaer Al-Sudani e Maher Nazeh.

Todos estavam equipados com capacetes e coletes à prova de balas, identificados com a palavra "Press" (Imprensa, em inglês), e estavam atrás de câmeras posicionadas sobre tripés, como mostrado em um vídeo filmado por Assi e publicado em seu Instagram pouco depois das 17h00.

"Eu estava ao vivo para informar sobre o bombardeio israelense e tinha acabado de comentar que não havia lançamento de foguetes do lado libanês. Estávamos todos no topo de uma colina em uma área a céu aberto, sem qualquer foguete ou local militar perto de nós. Não havia nada perto de nós", afirmou Joukhadar, da Al Jazeera.

O primeiro disparo aconteceu às 18h02, matando Abdallah instantaneamente e ferindo gravemente Assi. Nas imagens do vídeo, é possível ouvir a jornalista gritando: "O que aconteceu? O que aconteceu? Não consigo sentir minhas pernas".

"Gastamos cerca de uma hora filmando uma coluna distante de fumaça ao sul e alguns disparos limitados de artilharia israelense ao longo das colinas a sudeste. Pouco antes das 18h, viramos nossas câmeras para o oeste e, de repente, fomos atingidos. Veio do nada", disse Collins.

"Estávamos em uma área exposta, todos usando nossos capacetes, nossos coletes, apenas fazendo nosso trabalho. Estávamos mantendo uma distância segura da linha de frente", disse Assi. "De repente, tudo ficou branco... E eu perdi a sensação nas pernas, e comecei a pedir ajuda."

Collins tentou dar os primeiros socorros, mas 37 segundos depois, ocorreu um segundo disparo, que atingiu o carro da Al Jazeera localizado a poucos metros de distância. Collins, que estava tentando colocar torniquetes nas pernas de Assi, ficou ferido.

Todas as testemunhas presentes insistem em que não havia atividade militar ou disparos de artilharia nas proximidades.

O veículo da Al Jazeera atingido pelo segundo disparo foi destruído pelo impacto. O corpo de Abdallah, que foi atingido diretamente pelo primeiro bombardeio, foi arremessado para um campo do outro lado de um muro de pedra perto do qual ele estava.

- Projétil de tanque israelense -

Um grande fragmento de munição foi filmado perto do corpo de Abdallah imediatamente após o disparo. No dia seguinte, um morador, que pediu anonimato, recuperou o fragmento e tirou fotos do local.

A pedido da AFP e da Airwars, o fragmento foi analisado por seis especialistas em armas, incluindo ex-oficiais do Exército britânico e investigadores experientes de zonas de conflito.

Todos concordam que era parte de um projétil de tanque de 120 mm com estabilização por aletas, tipicamente usado pelo Exército israelense em seus tanques Merkava. Nenhum outro grupo militar ou organização na região usa esse tipo de munição, afirmaram os analistas.

"Estes são os restos de um projétil de tanque, claramente de um tanque Merkava", disse um dos especialistas, Chris Cobb-Smith, consultor de segurança e ex-oficial de artilharia do Exército britânico.

"É bastante óbvio para mim porque você pode ver as ranhuras no próprio projétil, o que indica que vem da família de munições com estabilização por aletas. Quando disparadas, algumas aletas saltam da parte traseira do projétil para estabilizá-lo em voo, o que o torna muito mais preciso e aumenta seu alcance", acrescentou Cobb-Smith, que tem experiência com esse tipo de munição, incluindo fragmentos encontrados durante as guerras de 2008 e 2012 em Gaza.

Investigações independentes da HRW e da Anistia Internacional também apontaram para o uso de um projétil de tanque de 120 mm de origem israelense.

A Justiça libanesa possui outros fragmentos do local e abriu uma investigação para determinar as circunstâncias exatas dos disparos.

Suas conclusões ainda não foram divulgadas, mas uma fonte judicial e duas fontes militares libanesas disseram à AFP que elas demonstraram que o primeiro disparo foi causado por tanques israelenses, sem dar mais detalhes.

- Posição israelense -

A investigação identificou pelo menos duas posições israelenses de onde os projéteis foram disparados naquela tarde. De acordo com especialistas que falaram com a AFP e a Airwars, a origem mais provável dos disparos aos jornalistas foi uma posição a sudeste, perto da cidade israelense de Jordeikh.

No momento do bombardeio, os jornalistas tinham suas câmeras apontadas a sudoeste, em direção a uma base perto da cidade israelense de Hanita, e suas filmagens não capturam o projétil que os atingiu.

Eles foram atingidos pelo lado, não pela frente, como indicado pela orientação dos destroços do muro perto de Abdallah, que se espalhou de leste a oeste por cerca de 10 metros.

Imagens anteriores indicam uma posição israelense perto de Jordeikh. Cerca de 45 minutos antes, a câmera da AFP estava apontando nesta direção e capturou o som de pelo menos um disparo, seguido por uma coluna de fumaça que subia neste local.

Imagens de satélite daquele dia e do dia seguinte, às quais a AFP teve acesso, mostram a presença de veículos com as mesmas dimensões de um tanque Merkava muito perto de Jordeikh.

- Disparos direcionados -

Os especialistas concordam em que os dois disparos ocorreram com 37 segundos de intervalo, atingindo seus alvos apenas quatro ou cinco metros um do outro, o que exclui a possibilidade de um bombardeio acidental. Eles acreditam que os disparos foram deliberadamente direcionados para o mesmo alvo.

"Qualquer pessoa que sugira que isso foi um acidente ou engano teria muita dificuldade para convencer", disse um ex-oficial militar europeu que trabalha há décadas em análise de munições.

"Um projétil claramente atingiu diretamente o cinegrafista, e o segundo projétil atingiu o veículo. Então, acho que podemos descartar (a ideia) de que tenha sido de alguma forma um disparo aleatório ou ao acaso", acrescentou Cobb-Smith. "Na minha avaliação, essas pessoas eram os alvos."

A investigação buscou determinar se os jornalistas poderiam ter sido confundidos com combatentes de algum dos grupos armados ativos na região.

O especialista Cobb-Smith disse que isso era improvável dadas "a sofisticação e as capacidades dos ativos de vigilância do Exército israelense".

Os jornalistas "não estavam agindo de maneira militar", acrescentou. "Estavam em local aberto, com câmeras em tripés, trabalhando abertamente, então é preciso questionar por que foram atingidos com um armamento dessa capacidade."

A investigação da Anistia descobriu que os jornalistas tomaram todas as precauções necessárias para se identificarem.

"O Exército israelense sabia ou deveria saber que os sete indivíduos eram jornalistas, e ainda assim os atacaram não uma, mas duas vezes, portanto, a Anistia está dizendo que isso é provavelmente um bombardeio direto contra civis e deve ser investigado como um crime de guerra", afirmou à AFP Aya Majzoub, diretora regional adjunta da Anistia para o Oriente Médio.

A investigação da AFP não conseguiu determinar qual unidade militar estava envolvida ou qual nível de comando deu a ordem de atirar. A investigação não especulou sobre possíveis motivações que poderiam ter levado o Exército israelense a disparar deliberadamente contra um grupo de jornalistas.

Vários incidentes semelhantes ocorreram na região nas últimas semanas, à medida que jornalistas transmitiam ao vivo os confrontos com Israel.

Em 9 de outubro, um bombardeio atingiu um local a poucos metros de uma equipe da Al Jazeera em Marwahin, outra cidade na fronteira do sul do Líbano.

Um jornalista do canal catariano ficou ferido em 13 de novembro por disparos israelenses enquanto ele e outros correspondentes cobriam os bombardeios no sul do Líbano, perto de carros marcados com a inscrição "Press" (Imprensa, em inglês), segundo a mídia estatal libanesa, um prefeito local e os próprios jornalistas.

Em 21 de novembro, dois jornalistas do canal pró-iraniano Al Mayadeen foram mortos juntamente com um civil por disparos israelenses no sul do Líbano, segundo a mídia oficial libanesa.

O primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, expressou "forte condenação" ao "ataque", afirmando que o "objetivo de Israel é silenciar a mídia que expõe seus crimes e ataques".

A Al Jazeera afirmou que "condena veementemente" o que chamou de "alvejamento deliberado de jornalistas no sul do Líbano por forças israelenses". O canal instou o Tribunal Penal Internacional a "responsabilizar Israel e seu exército por esses crimes hediondos".

Um porta-voz da Reuters disse que era "chocante que um grupo de jornalistas claramente identificados pudesse ser atingido por disparos dessa maneira".

A agência de notícias reiterou seu apelo aos israelenses para conduzirem sua própria investigação. "Já se passaram quase dois meses desde que pedimos que investigassem, e não ouvimos nada desde então."

"Praticamente o mesmo número de jornalistas morreu nos últimos dois meses quanto nos 20 anos de conflito no Afeganistão", lembrou Phil Chetwynd, diretor de Informação da AFP. "Não podemos permitir o desenvolvimento de uma cultura de impunidade e é absolutamente essencial que nos unamos como indústria para garantir que algo seja feito a respeito".

Até 7 de dezembro, o Comitê para Proteção de Jornalistas afirmou que "pelo menos 63 jornalistas e profissionais de mídia" foram mortos desde o início da guerra entre Israel e o grupo islamista Hamas, em 7 de outubro.

F.Carrillo--TFWP