The Fort Worth Press - Violência do narcotráfico vira o 'pão de cada dia' na Costa Rica

USD -
AED 3.672501
AFN 64.000121
ALL 81.442168
AMD 361.356205
ANG 1.789785
AOA 917.999582
ARS 1535.5003
AUD 1.427256
AWG 1.8025
AZN 1.700812
BAM 1.751936
BBD 2.019841
BDT 124.502291
BGN 1.747831
BHD 0.378636
BIF 3009.562199
BMD 1
BND 1.2812
BOB 12.160165
BRL 5.438498
BSD 1.002889
BTN 95.171425
BWP 13.855559
BYN 2.954181
BYR 19600
BZD 2.016885
CAD 1.397505
CDF 2314.999663
CHF 0.820265
CLF 0.025073
CLP 986.809664
CNY 6.661103
CNH 6.64586
COP 3188.43
CRC 456.02956
CUC 1
CUP 24.068509
CVE 98.772786
CZK 21.719099
DJF 178.577987
DKK 6.66809
DOP 60.786026
DZD 135.754494
EGP 55.438096
ERN 15
ETB 161.902139
EUR 0.89214
FJD 2.255898
FKP 0.746765
GBP 0.745545
GEL 2.599288
GGP 0.746765
GHS 11.683612
GIP 0.746765
GMD 73.999977
GNF 8876.049714
GTQ 7.66695
GYD 210.211851
HKD 7.84615
HNL 26.9551
HRK 6.76901
HTG 131.391307
HUF 325.382502
IDR 18161
ILS 3.136197
IMP 0.746765
INR 94.89665
IQD 1520.31173
IRR 1868415.00037
ISK 121.520173
JEP 0.746765
JMD 159.364013
JOD 0.709039
JPY 157.92101
KES 130.00029
KGS 87.449805
KHR 4091.870006
KMF 440.999859
KPW 899.999961
KRW 1342.484944
KWD 0.31137
KYD 0.835759
KZT 454.722981
LAK 22579.734941
LBP 89806.69145
LKR 333.576685
LRD 170.480349
LSL 16.713128
LTL 2.95274
LVL 0.604889
LYD 6.446758
MAD 9.860886
MDL 17.951359
MGA 4536.110178
MKD 54.915693
MMK 2099.693878
MNT 3599.326016
MOP 8.10391
MRU 40.665547
MUR 47.299532
MVR 15.450258
MWK 1738.573508
MXN 18.745498
MYR 4.070977
MZN 63.910221
NAD 16.713053
NGN 1344.490314
NIO 36.905162
NOK 9.264375
NPR 152.274101
NZD 1.77852
OMR 0.384497
PAB 1.003001
PEN 3.471087
PGK 4.563879
PHP 63.49499
PKR 277.436793
PLN 3.94395
PYG 5875.265928
QAR 3.655843
RON 4.764796
RSD 104.865035
RUB 81.027544
RWF 1480.416527
SAR 3.764539
SBD 8.058206
SCR 13.735732
SDG 601.453992
SEK 9.761525
SGD 1.279125
SHP 0.748335
SLE 22.902528
SLL 20969.504398
SOS 573.104915
SRD 37.619497
STD 20697.981008
STN 21.946031
SVC 8.775026
SYP 13001.999685
SZL 16.707648
THB 33.749872
TJS 9.231424
TMT 3.5
TND 2.999059
TOP 2.40776
TRY 49.9708
TTD 6.799808
TWD 32.56904
TZS 2644.552983
UAH 45.485612
UGX 4262.104179
UYU 40.318896
UZS 12028.32407
VES 887.4798
VND 25764
VUV 118.915185
WST 2.776217
XAF 585.205302
XAG 0.019914
XAU 0.000256273577
XCD 2.70255
XCG 1.807408
XDR 0.707052
XOF 585.205302
XPF 106.82886
YER 236.264953
ZAR 16.641185
ZMK 9001.205152
ZMW 20.222595
ZWL 321.999592
SSP 5745.217636
MXV 2.1111
Violência do narcotráfico vira o 'pão de cada dia' na Costa Rica
Violência do narcotráfico vira o 'pão de cada dia' na Costa Rica / foto: © AFP

Violência do narcotráfico vira o 'pão de cada dia' na Costa Rica

Nas ruas íngremes de um bairro populoso de San José, capital da Costa Rica, os tiroteios entre vendedores de drogas são cotidianos e suas vítimas têm a mesma carpideira: Mauren, que ajuda a sepultá-las sem perguntar se eram inocentes ou não.

Tamanho do texto:

Antigamente um problema de seus instáveis vizinhos, o tema da violência crescente está no centro das eleições presidenciais do próximo domingo (1º) na Costa Rica, considerada por décadas um dos países mais seguros da América Latina.

A candidata governista Laura Fernández, favorita às eleições, culpa as autoridades judiciais porque criminosos não estão presos e sugere medidas de linha-dura, como as implantadas em El Salvador por Nayib Bukele, que seus adversários consideram uma ameaça aos direitos humanos.

À margem do acirrado debate sobre como enfrentar a crise, Mauren Jiménez, líder comunitária de 54 anos, só quer que os assassinatos de jovens parem. "Enterrar um familiar a quem mataram com 14, 15 anos, é muito difícil", diz ela à AFP.

Só no ano passado, ela ajudou a enterrar cerca de 20 rapazes, "que infelizmente se desviam por falta de oportunidades" e vítimas colaterais, cujas famílias no geral carecem de recursos para sepultá-los.

A violência "é o pão de cada dia", assinala Jiménez perto do morro onde se erguem vários "precários", como são chamados os assentamentos informais, de Alajuelita, uma das áreas mais violentas do país.

Sete em cada dez assassinatos são ligados ao tráfico de drogas na Costa Rica, onde a taxa de homicídios disparou para 17 casos por 100.000 habitantes em 2025, frente ao índice de 11,2 de 2019.

- Guerra de quadrilhas -

No que descreve como uma vocação, Jiménez começa seu trabalho quando os legistas levam os corpos para o necrotério, após horas de espera.

Houve casos em que "os pais não sabiam ler, escrever (...), não tinham como enterrá-los" ou transportá-los para velá-los, conta esta mulher, que negocia preços com funerárias e organiza vaquinhas nas redes sociais.

Essas mortes são resultantes de disputas entre quadrilhas pela venda de drogas em favelas, uma vertente do narcotráfico na Costa Rica, que passou de ponte a centro logístico para cartéis da Colômbia e do México, explica à AFP o diretor do Organismo de Investigação Judicial (OIJ), Michael Soto.

Quadrilhas locais armazenam a cocaína e a camuflam nos portos em contêineres de produtos de exportação, uma modalidade que o país, com costas no Pacífico e no Caribe, combate com escâneres insuficientes, segundo Soto.

Mas o sangue que corre nestas disputas não é o dos chefes das quadrilhas, mas de setores empobrecidos deste país de 5,2 milhões de habitantes, que está entre os mais desiguais da América Latina.

Os "anéis de miséria das cidades" fizeram com "que o crime organizado crie raízes ali", acrescenta Soto.

O chefe do OIJ conta ter ficado "impactado" com o que um menino de 13 anos lhe disse, após uma operação na província caribenha de Limón, uma das mais violentas do país. Ele admitiu que quer ser "narcotraficante" porque os do seu bairro se saem "muito bem", relata.

- Medo generalizado -

Para Soto, a solução exige dar bem-estar às comunidades vulneráveis. Mas falou-se pouco disso durante a campanha eleitoral.

A conservadora Fernández prevê, ao contrário, construir um mega-presídio, inspirado na prisão para membros de gangues de Bukele e decretar estados de exceção em áreas marginalizadas.

Seus adversários propõem reforçar a vigilância policial e naval, e frear os cortes orçamentários para a segurança, feitos pelo presidente em fim de mandato, Rodrigo Chaves, em meio a um enfrentamento com o poder judiciário.

Embora os moradores de Alajuelita concordem em que as mortes se concentram no universo do narcotráfico, o medo é generalizado devido a casos como o de um menino morto em casa, atingido por uma bala perdida em 2024.

"Tive que fazer funerais com medo porque talvez o rapaz andasse com estas quadrilhas" e um "tiroteio" possa ocorrer, admite à AFP o sacerdote Gabriel Corrales, vigário de Alajuelita, de 59 anos.

Acostumada a lidar com o medo, Mauren Jiménez teve, no entanto, que recorrer à ajuda psicológica após uma onda de crimes, inclusive o assassinato de um jovem que levou dezenas de tiros. "Imagine como ficou esse corpo", relata.

Sem receber pagamento por seu trabalho, ela faz faxinas e cuida de doentes para ganhar a vida. Mesmo contra a vontade da família, pensa em seguir ajudando a aliviar a dor dos vizinhos.

Ela diz que não lhe "entra na cabeça" que altos funcionários do governo digam simplesmente "que se matem entre eles".

D.Johnson--TFWP