The Fort Worth Press - Investigadores de acidente ferroviário na Espanha identificam trilho danificado

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Investigadores de acidente ferroviário na Espanha identificam trilho danificado
Investigadores de acidente ferroviário na Espanha identificam trilho danificado / foto: © AFP

Investigadores de acidente ferroviário na Espanha identificam trilho danificado

A comissão de investigação do acidente ferroviário que deixou 45 mortos no sul da Espanha no domingo acredita que existe a possibilidade de que um trilho apresentasse uma fratura na altura de uma solda, revelou um relatório publicado nesta sexta-feira (23).

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A hipótese decorre do fato de que as rodas de vários trens de alta velocidade que passaram pela estação de Adamuz pouco antes do descarrilamento inicial que desencadeou a tragédia apresentavam "entalhes".

"Esses entalhes nas rodas e a deformação observada no trilho são compatíveis com o fato de que o trilho estivesse fraturado", afirmou a Ciaf (Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários), vinculada ao Ministério dos Transportes.

"De acordo com as informações disponíveis neste momento, pode-se levantar a hipótese de que a fratura do trilho ocorreu antes da passagem do trem da Iryo envolvido no acidente e, portanto, antes do descarrilamento", acrescentou a Ciaf.

Essa fratura estaria na altura de "uma solda".

Trata-se de uma "hipótese de trabalho" que deverá ser "corroborada por cálculos e análises detalhadas posteriores", concluiu.

Os entalhes nas rodas do lado direito foram observados em três trens que passaram por Adamuz antes da passagem do trem da companhia italiana Iryo, cujos últimos vagões descarrilaram justamente quando vinha outro trem em sentido contrário, que não conseguiu evitá-los e também descarrilou.

Ambos os trens, que transportavam um total de 480 pessoas, trafegavam a uma velocidade superior a 200 km/h, dentro do permitido para esse trecho, e foi descartado erro humano por parte dos maquinistas.

- Hipótese traz "certa tranquilidade" -

O balanço final da tragédia, que abalou a Espanha e levantou questionamentos sobre a segurança do sistema ferroviário do país, foi confirmado em 45 mortos.

O ministro dos Transportes, Óscar Puente, considerou que a hipótese dos investigadores traz "uma certa tranquilidade".

"As conclusões não são definitivas, mas lançam luz sobre a tese que, neste momento, os técnicos da Comissão consideram mais plausível", explicou Puente em uma coletiva de imprensa em Madri.

"Em quatro dias temos respostas (...), e tenho de dizer que isto é uma novidade importante", acrescentou.

Sobre a fratura no trilho, o ministro disse que "deve ser de um caráter tão leve e tão pequeno (...) que em nenhum momento houve interrupção da corrente que percorre o trilho e que teria acionado automaticamente os sistemas de alarme" e parado a circulação.

"Ou seja, no momento em que um trilho se parte e entre uma extremidade e a outra do trilho partido circula ar, o fluxo de corrente no trilho é cortado", e automaticamente "o tráfego ferroviário teria sido interrompido", detalhou Puente.

- Tráfego é retomado na Catalunha -

A semana caótica do transporte ferroviário espanhol teve seu capítulo na Catalunha, com a morte de um maquinista de um trem de curta distância na noite de terça-feira, quando um muro de contenção desabou sobre sua cabine, presumivelmente por causa das fortes chuvas que caíram na região no dia anterior.

Após um dia de paralisação na quarta-feira para examinar toda a rede de trens de proximidade da Catalunha, os maquinistas se recusaram a retomar o serviço na quinta-feira até que lhes fosse permitido participar da inspeção da rede.

Nesta sexta-feira, finalmente, os 400 mil usuários diários da rede catalã puderam voltar aos trens, não sem problemas: em duas ocasiões o tráfego foi interrompido em pontos específicos, uma vez por um roubo de cabos e outra por um deslizamento de terra sobre a via.

Os maquinistas convocaram uma greve em protesto pela falta de segurança na rede nos dias 9, 10 e 11 de fevereiro.

J.M.Ellis--TFWP