The Fort Worth Press - Tarifas de Trump ameaçam o Brasil, mas caem bem para um Lula em baixa

USD -
AED 3.672501
AFN 63.503019
ALL 81.611747
AMD 369.649639
ANG 1.789884
AOA 917.99975
ARS 1392.755932
AUD 1.387203
AWG 1.8
AZN 1.704446
BAM 1.669619
BBD 2.009911
BDT 122.442708
BGN 1.668102
BHD 0.377326
BIF 2969.596339
BMD 1
BND 1.274282
BOB 6.895139
BRL 4.9287
BSD 0.997955
BTN 95.033699
BWP 13.561492
BYN 2.825093
BYR 19600
BZD 2.007009
CAD 1.360435
CDF 2315.000183
CHF 0.781611
CLF 0.02311
CLP 909.540253
CNY 6.83035
CNH 6.822985
COP 3718.431272
CRC 453.986683
CUC 1
CUP 26.5
CVE 94.130553
CZK 20.813982
DJF 177.702654
DKK 6.378965
DOP 59.458767
DZD 132.465991
EGP 53.621099
ERN 15
ETB 156.911217
EUR 0.85366
FJD 2.19255
FKP 0.738858
GBP 0.737005
GEL 2.684989
GGP 0.738858
GHS 11.186567
GIP 0.738858
GMD 72.999555
GNF 8757.859152
GTQ 7.615756
GYD 208.774933
HKD 7.83595
HNL 26.526379
HRK 6.4311
HTG 130.603848
HUF 308.414018
IDR 17399.55
ILS 2.939603
IMP 0.738858
INR 95.190503
IQD 1310
IRR 1315999.999631
ISK 122.23973
JEP 0.738858
JMD 157.033648
JOD 0.709031
JPY 157.643495
KES 128.879765
KGS 87.420502
KHR 4002.885424
KMF 420.480379
KPW 900.003193
KRW 1461.850235
KWD 0.30797
KYD 0.831573
KZT 463.703533
LAK 21914.042659
LBP 89363.109796
LKR 319.337201
LRD 183.115004
LSL 16.70043
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.330913
MAD 9.223027
MDL 17.223908
MGA 4156.547052
MKD 52.62102
MMK 2099.706641
MNT 3578.607048
MOP 8.055011
MRU 39.846508
MUR 46.950501
MVR 15.45497
MWK 1730.400673
MXN 17.332006
MYR 3.958301
MZN 63.900419
NAD 16.70043
NGN 1365.949541
NIO 36.725129
NOK 9.24403
NPR 152.053099
NZD 1.693325
OMR 0.384601
PAB 0.997947
PEN 3.498534
PGK 4.339234
PHP 61.549789
PKR 278.092112
PLN 3.62371
PYG 6046.636702
QAR 3.646652
RON 4.471797
RSD 100.202012
RUB 75.498393
RWF 1459.102531
SAR 3.751823
SBD 8.025868
SCR 13.964308
SDG 600.498967
SEK 9.246035
SGD 1.273915
SHP 0.746601
SLE 24.625002
SLL 20969.496166
SOS 570.340745
SRD 37.477007
STD 20697.981008
STN 20.915055
SVC 8.73147
SYP 110.530725
SZL 16.696758
THB 32.419715
TJS 9.330499
TMT 3.505
TND 2.889503
TOP 2.40776
TRY 45.234104
TTD 6.764584
TWD 31.560289
TZS 2597.183032
UAH 43.854602
UGX 3767.270927
UYU 40.174113
UZS 12009.612471
VES 493.49396
VND 26325
VUV 118.524529
WST 2.715931
XAF 559.97456
XAG 0.013557
XAU 0.000218
XCD 2.70255
XCG 1.798454
XDR 0.696429
XOF 559.979341
XPF 101.810235
YER 238.596617
ZAR 16.582502
ZMK 9001.181281
ZMW 18.835662
ZWL 321.999592
Tarifas de Trump ameaçam o Brasil, mas caem bem para um Lula em baixa
Tarifas de Trump ameaçam o Brasil, mas caem bem para um Lula em baixa / foto: © AFP

Tarifas de Trump ameaçam o Brasil, mas caem bem para um Lula em baixa

A ameaça comercial de Donald Trump pode trazer efeitos devastadores ao Brasil, mas, no momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva surfa uma onda nacionalista, enquanto a oposição de direita reage dividida e na defensiva.

Tamanho do texto:

O presidente americano anunciou na semana passada tarifas de 50% às importações brasileiras a partir de agosto, pelo que chamou de "caça às bruxas" contra seu aliado, o ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, que está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.

Em entrevistas à imprensa e discursos, Lula, usando um boné com a frase o "Brasil é dos brasileiros", condenou a "interferência" americana e disse que não descarta ações de "reciprocidade".

Mas a ameaça de Trump não poderia ter chegado em um momento melhor para o ex-sindicalista de 79 anos, faltando pouco mais de um ano para as eleições de 2026, que ele afirma querer disputar.

Segundo um pesquisa feita antes da crise comercial, a maioria dos brasileiros desaprovava o governo em meio à inflação persistente (5,35% em 12 meses em junho e o escândalo de fraude no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

O Congresso, de maioria conservadora, bloqueou sua proposta de elevar o IOF.

Diante da ameaças para a economia, o governo Lula apelou para a união nacional, com uma campanha nas redes sociais que inclui o slogan "Brasil se escreve com S de soberania", em referência ao nome do país em inglês: "Brazil".

Além disso, o governo ajustou sua defesa de aumentar os impostos aos mais endinheirados à nova situação: "Lula taxa os super-ricos e Bolsonaro taxa o Brasil."

Também se aproximou daqueles que perderiam mais com as tarifas: o grande empresariado industrial e o poderoso agronegócio, setores tradicionalmente mais próximos da direita.

O aproveitamento que Lula faz deste momento ficou evidente no fim de semana, quando, visivelmente sorridente, recomendou jabuticabas - uma fruta nativa e emblemática do Brasil - para curar o 'mau humor' de seu colega americano.

"Vou levar jabuticaba para você, Trump. Você vai perceber que o cara que come jabuticaba de manhã num pais que só ele dá jabuticaba não precisa de briga tarifária, precisa de muita união e muita relação diplomática", ironizou, enquanto colhia as frutas de uma árvore, segundo um vídeo publicado no Instagram pela primeira-dama Janja.

Na presidência, o momento é aproveitado: "O bolsonarismo quer fazer o Brasil de refém para salvar Bolsonaro. É muito bom", indicou uma fonte à AFP. "Era o que esperávamos. Agora é aproveitar até o próximo ano".

Ao permitir o uso do patriotismo, "Trump jogou um bom mimo para Lula", disse o analista político André César à AFP. E acrescentou: "O brasileiro vai ser chamado para se enrolar na bandeira" nacional, da qual o bolsonarismo buscou se apropriar nos últimos anos.

- 'Obrigado, Trump' -

A extrema direita brasileira esperava há meses uma sanção de Washington contra Alexandre de Moraes, ministro do STF e relator do caso contra Bolsonaro.

Mas a ameaça de tarifas superou todos os cálculos e dividiu as forças conservadoras, com retrocessos relevantes.

Para o filho do ex-presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL/SP), que há meses faz lobby em defesa de seu pai nos Estados Unidos, a carta do republicano confirmou o "sucesso" do "intenso diálogo" que mantém com Washington.

"Obrigado presidente Trump -- torne o Brasil livre outra vez", escreveu na rede social X, em inglês.

Jair Bolsonaro, por sua vez, disse que "não se alegra" por ver os produtores "sofrer" os possíveis efeitos das tarifas, mas responsabilizou Lula.

E insistiu em que a "solução" passa por aprovar uma anistia no Congresso para os condenados pelo 8 de janeiro de 2023, quando seus apoiadores invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, e da qual ele espera se beneficiar, segundo os seus detratores, para anular tanto o julgamento como a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o torna inelegível até 2030.

- 'Isolar ainda mais a extrema direita' -

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um possível candidato da direita nas eleições presidenciais do próximo ano, inicialmente apontou suas armas contra Lula e reuniu-se com Bolsonaro em Brasília.

Mas depois pediu uma "união de esforços", quando as principais indústrias no estado mais rico do país, como a aeronáutica, começaram a expressar preocupação pelas tarifas.

Para Geraldo Monteiro, professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a ameaça de Trump "teve o efeito de isolar ainda mais a extrema direita" criando uma "inesperada coalizão de interesses" entre o governo Lula e a classe empresarial.

"Pode ter mudado" o jogo das eleições de outubro de 2026 a favor do petista para um quarto e inédito novo mandato, opinou Monteiro à AFP, embora ainda falte mais de um ano para a disputa.

S.Weaver--TFWP