The Fort Worth Press - Três pontos-chave para entender a corrupção voraz que corrói a Guatemala

USD -
AED 3.673008
AFN 65.000388
ALL 81.123148
AMD 360.499098
ANG 1.789785
AOA 918.000573
ARS 1545.153474
AUD 1.42573
AWG 1.8
AZN 1.703383
BAM 1.744435
BBD 2.013263
BDT 124.343874
BGN 1.747831
BHD 0.377375
BIF 3005.17765
BMD 1
BND 1.278581
BOB 12.140484
BRL 5.438198
BSD 0.999585
BTN 94.811201
BWP 13.808328
BYN 2.953267
BYR 19600
BZD 2.01032
CAD 1.397865
CDF 2314.999949
CHF 0.818165
CLF 0.024845
CLP 977.539697
CNY 6.661102
CNH 6.646095
COP 3211.12
CRC 454.527211
CUC 1
CUP 23.989333
CVE 98.348593
CZK 21.710221
DJF 177.71951
DKK 6.669295
DOP 60.740391
DZD 135.769837
EGP 55.347613
ERN 15
ETB 162.433359
EUR 0.89241
FJD 2.255897
FKP 0.746765
GBP 0.745305
GEL 2.603468
GGP 0.746765
GHS 11.650194
GIP 0.746765
GMD 73.999981
GNF 8847.047491
GTQ 7.642051
GYD 209.539525
HKD 7.846535
HNL 26.869372
HRK 6.76901
HTG 131.015506
HUF 324.890979
IDR 18104
ILS 3.14045
IMP 0.746765
INR 94.68585
IQD 1515.298819
IRR 1868415.000233
ISK 121.560427
JEP 0.746765
JMD 158.843703
JOD 0.709048
JPY 157.796502
KES 129.939665
KGS 87.449799
KHR 4088.71367
KMF 440.999789
KPW 899.999961
KRW 1344.05006
KWD 0.31134
KYD 0.832995
KZT 452.368741
LAK 22506.053971
LBP 89514.01494
LKR 332.306128
LRD 169.921466
LSL 16.636267
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.414756
MAD 9.828437
MDL 18.057593
MGA 4514.054577
MKD 54.922696
MMK 2099.693878
MNT 3599.326016
MOP 8.078026
MRU 40.503405
MUR 47.319961
MVR 15.449534
MWK 1733.348199
MXN 18.54454
MYR 4.071701
MZN 63.910175
NAD 16.636267
NGN 1344.509612
NIO 36.783168
NOK 9.2871
NPR 151.697565
NZD 1.77704
OMR 0.384522
PAB 0.999799
PEN 3.467019
PGK 4.482837
PHP 63.334501
PKR 276.504083
PLN 3.9413
PYG 5917.059487
QAR 3.653878
RON 4.762008
RSD 104.930981
RUB 81.250045
RWF 1478.412502
SAR 3.764439
SBD 8.058206
SCR 13.832645
SDG 601.502778
SEK 9.77118
SGD 1.278615
SHP 0.748335
SLE 22.916689
SLL 20969.504398
SOS 571.280766
SRD 37.579505
STD 20697.981008
STN 21.85227
SVC 8.746259
SYP 13001.999685
SZL 16.630915
THB 33.692963
TJS 9.191303
TMT 3.5
TND 2.987517
TOP 2.40776
TRY 49.969601
TTD 6.761717
TWD 32.594499
TZS 2645.00802
UAH 45.650373
UGX 4277.693292
UYU 40.190338
UZS 11944.718217
VES 887.479798
VND 25764
VUV 118.915185
WST 2.776217
XAF 585.382302
XAG 0.019623
XAU 0.000252232255
XCD 2.70255
XCG 1.80143
XDR 0.707052
XOF 585.382302
XPF 106.371498
YER 236.202866
ZAR 16.56895
ZMK 9001.206005
ZMW 20.242167
ZWL 321.999592
SSP 5745.217636
MXV 2.088469
Três pontos-chave para entender a corrupção voraz que corrói a Guatemala
Três pontos-chave para entender a corrupção voraz que corrói a Guatemala / foto: © AFP

Três pontos-chave para entender a corrupção voraz que corrói a Guatemala

Bernardo Arévalo nunca teve garantida sua posse no domingo como presidente da Guatemala. Por meses, enfrentou uma ofensiva judicial atribuída à poderosa elite econômica e política do país, com o objetivo de perpetuar a corrupção.

Tamanho do texto:

Executada pelo Ministério Público, a ofensiva buscou retirar sua imunidade, conseguiu a suspensão de seu partido, Semilla, e tentou anular os resultados das eleições devido a supostas irregularidades.

Arévalo afirma que foi uma "tentativa golpista" motivada por sua promessa de perseguir os corruptos, com a qual, contra todas as expectativas, venceu confortavelmente no segundo turno em agosto.

Analistas e ativistas humanitários apontam três chaves para entender a magnitude do problema:

- Uma elite "predadora" -

Herdando a oligarquia que surgiu na época colonial, a elite guatemalteca é considerada uma das mais "predadoras" do continente, explicou à AFP Jordán Rodas, ex-procurador de Direitos Humanos, exilado em Washington.

Com 60% de seus 17,8 milhões de habitantes vivendo na pobreza, a Guatemala tem uma das desigualdades "mais altas da América Latina, com uma população desamparada, predominantemente rural e indígena, e empregada no setor informal", indica um relatório do Banco Mundial de outubro.

Segundo um relatório da Oxfam Internacional de 2019, o 1% mais rico da Guatemala "tem os mesmos rendimentos que metade da população".

Na Guatemala, com uma alta concentração de terras férteis em poucas mãos, as famílias mais poderosas, como os Castillo, os Bosch, os Novella e os Herrera, são proprietárias de engenhos, cafezais, cervejarias, imobiliárias e negócios bancários.

"É uma elite predadora, corresponsável pela corrupção desenfreada dos últimos governos e pela migração, pois os salários miseráveis expulsam os guatemaltecos do país", comentou Rodas.

Para essa elite, o Estado não "existe para alcançar o bem comum, mas sim para enriquecer-se, sem saciar sua voracidade", acrescentou o ex-procurador (2017-2022).

"Eles se apoiam entre si porque desejam um Estado que não cobre impostos nem aplique normas trabalhistas ou ambientais", acrescentou Manfredo Marroquín, cofundador da Acción Ciudadana, versão local da Transparência Internacional.

- A "ditadura corporativa" -

Criado em 1957, o Comitê Coordenador de Associações Comerciais, Industriais e Financeiras (Cacif) reúne a cúpula empresarial conservadora. "É o poder real que rege os destinos do país", afirmou à AFP Carmen Aída Ibarra, do movimento cidadão ProJusticia.

Com um Estado enfraquecido pela guerra civil (1960-1996), as elites econômicas, políticas e militares teceram, segundo os analistas, uma teia de corrupção tão extensa que levou a ONU a se envolver diretamente com a Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (Cicig), estabelecida em 2007.

Em 2015, a Cicig e o Ministério Público descobriram uma rede de subornos que envolvia o então presidente Otto Pérez, que teve que renunciar e foi para a prisão, de onde saiu recentemente mediante pagamento de fiança.

Também apontaram partidos políticos por financiamento ilícito nas eleições de 2015, com dinheiro de grandes empresários e do crime organizado, salpicando o sucessor de Pérez, Jimmy Morales.

Os congressistas aprovaram em 2017 reformas buscando blindar os líderes políticos dessas acusações, desencadeando protestos que os forçaram a recuar. Manifestantes chamaram isso de "pacto de corruptos".

"É a conspiração de políticos, funcionários públicos e vários empresários da elite com uma intenção perversa de se perpetuar no poder como uma ditadura corporativa, que não tem nada a ver com o ideológico", disse Rodas.

- O reino da impunidade -

Morales expulsou a Cicig em 2019 e nomeou como nova procuradora-geral Consuelo Porras, que foi ratificada no cargo pelo presidente atual, Alejandro Giammattei, acusado pela anterior Procuradoria em um caso de propina que não avançou.

Porras, sancionada por Washington, que a considera corrupta, é apontada como líder da perseguição penal contra Arévalo.

Com a Cicig fora, explicou à AFP a ex-procuradora Claudia Paz y Paz, exilada na Costa Rica, foram "cooptados" os tribunais, o Ministério Público, o Congresso, o Executivo e a Controladoria, "colocando funcionários que, em aliança com parte da elite econômica”, agem para “garantir a impunidade".

"Colocaram capangas judiciais que fabricam casos contra jornalistas e funcionários que denunciam a corrupção. Eles têm deputados que aprovam leis mediante suborno e procuradores que são a ferramenta da perseguição", afirmou Marroquín.

Segundo Edie Cux, diretor da Acción Ciudadana, "vários desses grupos de poder tradicionais têm até vínculos com o crime organizado".

De 180 países, a Guatemala ocupa o 150º lugar (do menor para o maior) no ranking de corrupção da Transparência Internacional.

Para Marroquín, a "agenda" da elite é "clara": "permanecer em um Estado de total corrupção e impunidade, que é o óleo que lubrifica todo o sistema político e econômico do país".

"É um monstro de mil cabeças", ilustrou Rodas.

W.Lane--TFWP