The Fort Worth Press - Migrantes e cocaína aquecem a economia no trecho colombiano da selva de Darién

USD -
AED 3.672499
AFN 65.00067
ALL 79.889183
AMD 363.029691
ANG 1.790365
AOA 916.999734
ARS 1509.919897
AUD 1.406361
AWG 1.8025
AZN 1.69768
BAM 1.703896
BBD 2.014131
BDT 122.804572
BGN 1.683441
BHD 0.376969
BIF 3008.232066
BMD 1
BND 1.27584
BOB 10.174763
BRL 5.128203
BSD 0.999965
BTN 95.883573
BWP 13.561124
BYN 3.039971
BYR 19600
BZD 2.011256
CAD 1.39895
CDF 2311.000441
CHF 0.824399
CLF 0.024278
CLP 958.640036
CNY 6.70755
CNH 6.703902
COP 3172.42
CRC 447.362002
CUC 1
CUP 26.5
CVE 96.490528
CZK 21.177035
DJF 178.073599
DKK 6.512202
DOP 58.949716
DZD 133.616183
EGP 52.128304
ERN 15
ETB 163.34402
EUR 0.871099
FJD 2.237202
FKP 0.743677
GBP 0.74872
GEL 2.604976
GGP 0.743677
GHS 11.510315
GIP 0.743677
GMD 74.000274
GNF 8791.294954
GTQ 7.629983
GYD 209.184207
HKD 7.84627
HNL 26.839978
HRK 6.564494
HTG 130.685134
HUF 316.206985
IDR 17758
ILS 3.033885
IMP 0.743677
INR 95.935502
IQD 1310.025788
IRR 1374574.999765
ISK 121.440091
JEP 0.743677
JMD 157.809451
JOD 0.708975
JPY 155.979018
KES 129.58982
KGS 87.449996
KHR 4072.477024
KMF 428.000116
KPW 900.000318
KRW 1380.719888
KWD 0.30848
KYD 0.833391
KZT 445.45407
LAK 22397.720937
LBP 89550.808475
LKR 331.675146
LRD 173.499791
LSL 16.290511
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.351931
MAD 9.525282
MDL 17.555583
MGA 4342.939783
MKD 53.600676
MMK 2099.664815
MNT 3596.851201
MOP 8.081004
MRU 40.060461
MUR 47.65993
MVR 15.450083
MWK 1734.039587
MXN 17.163306
MYR 4.098398
MZN 63.900162
NAD 16.290511
NGN 1330.550047
NIO 36.799554
NOK 9.411225
NPR 153.413368
NZD 1.74606
OMR 0.384418
PAB 0.999965
PEN 3.375993
PGK 4.449226
PHP 62.720029
PKR 277.177394
PLN 3.79635
PYG 5915.458601
QAR 3.645194
RON 4.584303
RSD 102.266997
RUB 84.50727
RWF 1475.554084
SAR 3.713302
SBD 8.000512
SCR 14.133081
SDG 601.488363
SEK 9.816298
SGD 1.2757
SHP 0.746965
SLE 24.640084
SLL 20969.491881
SOS 571.508224
SRD 37.746497
STD 20697.981008
STN 21.344438
SVC 8.750348
SYP 13002.000254
SZL 16.2845
THB 33.270403
TJS 9.225066
TMT 3.5
TND 2.941699
TOP 2.40776
TRY 48.737497
TTD 6.789274
TWD 31.871601
TZS 2653.428013
UAH 44.68689
UGX 3929.990243
UYU 40.205952
UZS 11775.160301
VES 845.45495
VND 26012
VUV 118.307083
WST 2.742913
XAF 571.403684
XAG 0.015331
XAU 0.00023
XCD 2.70255
XCG 1.802255
XDR 0.707052
XOF 571.403684
XPF 103.899498
YER 236.649792
ZAR 16.267505
ZMK 9001.202368
ZMW 19.625558
ZWL 321.999592
SSP 5658.175743
MXV 1.945961
Migrantes e cocaína aquecem a economia no trecho colombiano da selva de Darién
Migrantes e cocaína aquecem a economia no trecho colombiano da selva de Darién / foto: © AFP

Migrantes e cocaína aquecem a economia no trecho colombiano da selva de Darién

Uma floresta impenetrável e o maior cartel de cocaína do mundo são o terror dos migrantes na Colômbia. A fronteira com o Panamá é uma barreira difícil de ultrapassar e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para fazer dinheiro às custas do sonho de quem imigra em busca de melhores condições de vida nos EUA.

Tamanho do texto:

Sul-americanos, africanos e asiáticos avançam de um povoado a outro até chegar ao Darién, um inferno colado a um golfo paradisíaco que dá nome à principal quadrilha de narcotráfico do país: o Clã do Golfo - o todo-poderoso desta região situada entre os departamentos (estados) de Antioquia e Chocó.

A mata densa e os rios sinuosos que deságuam no mar fazem deste lugar um corredor estratégico para o tráfico de cocaína.

Também é a passagem para as centenas de milhares de migrantes, atraídos pelo "sonho americano" e expulsos de seus países pela pobreza ou a violência.

No meio do caminho estão seus moradores, castigados por seis décadas de conflito armado e um cartel com mais de 4.000 integrantes.

- "Oportunidade de trabalho" -

Diante da crescente onda migratória e do escasso apoio estatal, os moradores do município de Acandí decidiram se organizar em uma entidade civil formada por membros eleitos para resolver os problemas comunitários.

Através de uma fundação, eles administram a rota até o Panamá e cobram tarifas dos migrantes que lhes permitem manter acampamentos, restaurantes, consultórios médicos, guias e sustentar mais de 2.000 empregados no município.

"Esse problema para muitos virou uma oportunidade de trabalho para nós. Em Acandí, a primeira economia se chama migrantes", diz à AFP Darwin García, membro da junta de ação comunitária e ex-vereador de Acandí.

Segundo o Ministério da Defesa, o Clã "estaria por trás do tráfico de migrantes" e o Ministério Público apreendeu milhares de bens da organização por crimes relacionados.

Mas García se queixa de estigmatização e repete que a junta não tem nada a ver com o cartel.

"Na verdade, a única coisa que o Clã do Golfo nos disse é que se um migrante é roubado, morto ou violentado, (o responsável) é alvo militar (...) Isso se cumpre", afirma o homem de 46 anos, com anéis e brinco de ouro.

Cerca de 2.500 andarilhos sem visto para entrar nos EUA passam diariamente por Acandí, onde começa a fronteira de selva com 266 km de extensão e 575.000 hectares de superfície. Mosquitos, serpentes, onças e pântanos dificultam a passagem.

Segundo García, seu trabalho é organizar uma travessia "mais humana, mais segura" e, embora preferisse que o Estado se encarregasse disto, explica que "ninguém trabalha de graça".

- Crise da coca -

Quando se menciona o nome do cartel, migrantes e moradores se calam. Alguns poucos se atrevem a dizer longe das câmeras que seus integrantes controlam tudo. Moradias, escolas e estabelecimentos comerciais afastados são marcados com as temidas siglas das Autodefesas Gaitanistas da Colômbia, como se autodenominam.

Em uma comunidade ribeirinha, membros do Clã proibiram jornalistas da AFP de caminhar pelas ruas e gravar. Nenhum forasteiro entra sem autorização.

Segundo o especialista Mauricio Valencia, do centro de pesquisas Pares, eles exercem uma "governança criminosa, impondo normas de controle social" e seus negócios de narcotráfico, garimpo ilegal e migração.

Diante da queda dos preços da cocaína pelo excesso de oferta e o auge de outras drogas, a migração é a chave para a diversificação de suas finanças, concordam analistas.

E o controle do êxodo leva a abusos. "Quando os migrantes não têm dinheiro suficiente, muitas vezes são abandonados à própria sorte na selva e acabam morrendo (...), são vítimas de violência sexual e também de instrumentalização quando são obrigados a transportar cocaína para entrar no Panamá", explica Valencia.

Entre janeiro e setembro, um recorde de 380.000 pessoas atravessaram o Darién, a maioria venezuelanos (59%) e equatorianos (13%), segundo a Defensoria do Povo.

Um porta-voz do Clã do Golfo assegurou à AFP que na região "ninguém é maltratado".

"Não temos nenhuma relação com a migração, só lhes prestamos um serviço de segurança na selva", acrescenta o combatente, que pediu para não ser identificado.

- Luz no Darién? -

A Fundação Social Nova Luz do Darién administra uma operação sofisticada que leva os migrantes até a fronteira. Mais adiante está o trecho mais difícil de selva, com tarifas adicionais arrecadadas por outras organizações.

No primeiro acampamento, trabalhadores de uniforme distribuem braceletes cuja cor determina se as pessoas pagaram 170 dólares (R$ 845, na cotação atual), que incluem "serviços" de guia, cuidados médicos, banhos. Alguns migrantes afirmam que uma travessia vip pode custar até 500 dólares (cerca de R$ 2,5 mil).

O médico Carlos Torres explica que a maioria chega com febre, vômitos, desnutrição e traumas psicológicos. Ele atende dezenas de pacientes e recebe da fundação o equivalente a seis salários mínimos (o salário mínimo na Colômbia corresponde a R$ 1.417, na cotação atual).

Reina León, uma venezuelana de 30 anos, grávida de quatro meses e mãe de dois filhos, estava em observação após sentir dores no ventre durante uma caminhada em direção à selva.

"Nossa ideia é avançar porque a gente vem com um sonho (...) Te juro que demos tudo (...), mas não temos dinheiro algum", lamenta seu marido, o equatoriano Ángelo Torres, de 25 anos.

L.Coleman--TFWP