The Fort Worth Press - Pinochet, mais presente do que nunca 50 anos após o golpe militar no Chile

USD -
AED 3.672965
AFN 64.999937
ALL 79.92783
AMD 363.497214
ANG 1.790365
AOA 917.000203
ARS 1509.994199
AUD 1.406163
AWG 1.8025
AZN 1.698196
BAM 1.70475
BBD 2.015105
BDT 122.866121
BGN 1.683441
BHD 0.377158
BIF 3009.975725
BMD 1
BND 1.276579
BOB 10.179685
BRL 5.149203
BSD 1.000449
BTN 95.931629
BWP 13.567684
BYN 3.041441
BYR 19600
BZD 2.012246
CAD 1.39873
CDF 2310.000099
CHF 0.824903
CLF 0.024257
CLP 957.789678
CNY 6.706398
CNH 6.70408
COP 3173.27
CRC 447.578413
CUC 1
CUP 26.5
CVE 96.109511
CZK 21.19395
DJF 177.719861
DKK 6.513865
DOP 59.260873
DZD 133.753611
EGP 52.0791
ERN 15
ETB 163.423038
EUR 0.87136
FJD 2.24075
FKP 0.743677
GBP 0.748859
GEL 2.605016
GGP 0.743677
GHS 11.515883
GIP 0.743677
GMD 73.999519
GNF 8795.70108
GTQ 7.633807
GYD 209.2854
HKD 7.84615
HNL 26.85343
HRK 6.564902
HTG 130.759174
HUF 316.168498
IDR 17752
ILS 3.033885
IMP 0.743677
INR 95.81855
IQD 1310.636666
IRR 1374574.999799
ISK 121.459778
JEP 0.743677
JMD 157.885791
JOD 0.708973
JPY 156.019495
KES 129.5598
KGS 87.449769
KHR 4074.837551
KMF 427.99978
KPW 900.000318
KRW 1381.233694
KWD 0.308502
KYD 0.833795
KZT 445.677328
LAK 22408.751171
LBP 89594.128747
LKR 331.841379
LRD 173.581452
LSL 16.298676
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.355114
MAD 9.52989
MDL 17.564075
MGA 4345.078556
MKD 53.623182
MMK 2099.664815
MNT 3596.851201
MOP 8.084808
MRU 40.080539
MUR 47.659875
MVR 15.410364
MWK 1734.87843
MXN 17.19022
MYR 4.098296
MZN 63.90406
NAD 16.298676
NGN 1330.550042
NIO 36.817998
NOK 9.423535
NPR 153.487582
NZD 1.74491
OMR 0.384502
PAB 1.000458
PEN 3.377685
PGK 4.451379
PHP 62.766502
PKR 277.316313
PLN 3.796545
PYG 5918.423381
QAR 3.647021
RON 4.585203
RSD 102.250976
RUB 84.50144
RWF 1476.267885
SAR 3.713538
SBD 8.000512
SCR 14.20916
SDG 601.495602
SEK 9.824175
SGD 1.27595
SHP 0.746965
SLE 24.63962
SLL 20969.491881
SOS 571.784692
SRD 37.746501
STD 20697.981008
STN 21.354764
SVC 8.754581
SYP 13002.000254
SZL 16.292377
THB 33.297505
TJS 9.229529
TMT 3.5
TND 2.943174
TOP 2.40776
TRY 48.673505
TTD 6.792558
TWD 31.896989
TZS 2653.428004
UAH 44.708507
UGX 3931.959922
UYU 40.225402
UZS 11781.061917
VES 845.45495
VND 26012
VUV 118.307083
WST 2.742913
XAF 571.574595
XAG 0.015244
XAU 0.000229
XCD 2.70255
XCG 1.803158
XDR 0.707052
XOF 571.574595
XPF 103.951572
YER 236.650155
ZAR 16.270025
ZMK 9001.199233
ZMW 19.635051
ZWL 321.999592
SSP 5658.175743
MXV 1.949014
Pinochet, mais presente do que nunca 50 anos após o golpe militar no Chile
Pinochet, mais presente do que nunca 50 anos após o golpe militar no Chile / foto: © AFP/Arquivos

Pinochet, mais presente do que nunca 50 anos após o golpe militar no Chile

Há meio século, um general de peito inflado e óculos escuros quebrou a democracia chilena com um golpe sangrento. Fez com que milhares de pessoas fossem torturadas e executadas, mas longe da condenação unânime, a figura de Augusto Pinochet voltou a emergir com força no Chile.

Tamanho do texto:

O militar, que morreu em 2006 sem pisar na prisão ou em um julgamento judicial, é o símbolo da direita ultraconservadora que domina o cenário eleitoral chileno, quando, paradoxalmente, governa o herdeiro de esquerda de Salvador Allende, o presidente marxista que Pinochet derrubou há meio século, em plena Guerra Fria, com a aprovação dos Estados Unidos.

"Ele é o único ditador do Ocidente na história contemporânea que, 50 anos depois de dar um golpe de Estado, tem mais de um terço da população a seu favor", afirma a socióloga Marta Lagos, diretora do instituto de pesquisas Mori.

De fato, nunca antes Pinochet foi tão popular em uma democracia como é agora: 36% da população acredita que ele "libertou o Chile do marxismo", segundo as pesquisas de Cerc-Mori. Há uma década, Pinochet obteve o apoio mais baixo: 18%.

Um "estadista", afirma o advogado Luís Silva, do Partido Republicano e o mais votado em maio na eleição do conselho que redige uma nova Constituição que, em teoria, deveria substituir a promulgada pela ditadura (1973-1990).

O Partido Republicano, que controla esse conselho, ganhou força em meio à nostalgia dos pinochetistas e à preocupação da maioria dos chilenos com a insegurança (54% consideram-na o principal problema) e a chegada de migrantes.

"Nunca foi um estadista", respondeu o presidente Gabriel Boric, de 37 anos e que não era nascido quando ocorreu o golpe de Estado de 1973. "Ele foi um ditador, corrupto e ladrão", acrescentou o único dos cinco presidentes pós-ditadura que o condenou publicamente.

- Transição branda -

Em 11 de março de 1990, Pinochet entregou o poder após perder um referendo, mas permaneceu à frente do Exército por mais oito anos. Ele foi senador "vitalício" até 2002, quando renunciou.

Morreu aos 91 anos enquanto estava em prisão domiciliar por três casos de violações dos direitos humanos e um de desvio de verba pública. A sua ditadura de 17 anos deixou 3.200 vítimas entre mortos e desaparecidos.

A Concertación Democrática, uma coalizão de partidos de centro-esquerda, governou durante 20 anos após o fim da ditadura sem nunca mexer com a figura de Pinochet. Essa transição "branda" acabou por lhe dar "validade", explica a socióloga Lagos.

"Não é apenas a reprodução do que acontece em boa parte do mundo com o ressurgimento da direita mais radical, mas no Chile os governos de centro-esquerda pecaram por omissão", concorda o analista da Universidade de Santiago, Marcelo Mella.

Inspirado pela teoria do livre mercado dos "Chicago Boys", Pinochet aplicou o modelo de privatização sob o qual o Chile viveu anos de prosperidade e estabilidade econômica.

O ex-ministro da Concertación, Jorge Arrate, acredita que a figura do ditador permaneceu em vigor - com períodos de maior ou menor popularidade - enquanto "as instituições básicas do neoliberalismo" nunca foram reformadas.

Pinochet nunca foi julgado pelos crimes da ditadura, portanto também não recebeu sanção social unânime. Faltou tempo para condená-lo, afirma o ex-presidente do Supremo Tribunal entre 2010 e 2012, Milton Juica. Durante o regime militar, esse tribunal foi "completamente solidário com o regime", diz ele.

Somente em 2000 as denúncias de sequestro, estupro, assassinato e tortura começaram a ser investigadas em profundidade. Cerca de 250 militares estão presos por violações dos direitos humanos.

Ainda este ano, o Supremo Tribunal emitiu sentenças definitivas em casos emblemáticos como a "Caravana da Morte" ou o assassinato do cantor e compositor Víctor Jara, em 1973.

"Muitos dos que diziam que nunca iriam para a prisão começaram a ir", diz Juica.

C.M.Harper--TFWP