The Fort Worth Press - A sede do ouro no mundo consome a Amazônia peruana

USD -
AED 3.672497
AFN 64.999839
ALL 80.055475
AMD 365.038314
ANG 1.790365
AOA 916.999773
ARS 1512.747498
AUD 1.40641
AWG 1.8
AZN 1.699459
BAM 1.705954
BBD 2.026944
BDT 123.912408
BGN 1.683441
BHD 0.379431
BIF 3010.06145
BMD 1
BND 1.281516
BOB 11.065415
BRL 5.153099
BSD 1.006407
BTN 96.572478
BWP 13.649903
BYN 3.056204
BYR 19600
BZD 2.024065
CAD 1.399485
CDF 2309.999753
CHF 0.824705
CLF 0.024159
CLP 953.920058
CNY 6.706404
CNH 6.706805
COP 3134.19
CRC 450.170308
CUC 1
CUP 26.5
CVE 96.179091
CZK 21.212601
DJF 179.213314
DKK 6.518335
DOP 59.409222
DZD 133.882157
EGP 52.199699
ERN 15
ETB 164.385519
EUR 0.871968
FJD 2.24075
FKP 0.743677
GBP 0.747255
GEL 2.60501
GGP 0.743677
GHS 11.558238
GIP 0.743677
GMD 73.999662
GNF 8849.017188
GTQ 7.682814
GYD 210.553402
HKD 7.84536
HNL 27.011091
HRK 6.570701
HTG 131.535909
HUF 318.200498
IDR 17750
ILS 3.039949
IMP 0.743677
INR 95.885101
IQD 1318.411974
IRR 1374574.999853
ISK 121.910495
JEP 0.743677
JMD 158.820015
JOD 0.70897
JPY 155.761049
KES 129.989895
KGS 87.449901
KHR 4075.170853
KMF 428.00022
KPW 900.000318
KRW 1383.385004
KWD 0.30878
KYD 0.838672
KZT 447.50121
LAK 22527.582748
LBP 90114.343029
LKR 333.53975
LRD 174.607813
LSL 16.383324
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.391878
MAD 9.490211
MDL 17.544808
MGA 4351.675382
MKD 53.66543
MMK 2099.664815
MNT 3596.851201
MOP 8.131937
MRU 40.29552
MUR 47.659963
MVR 15.409944
MWK 1745.118648
MXN 17.23205
MYR 4.097014
MZN 63.902342
NAD 16.384681
NGN 1330.76004
NIO 37.035906
NOK 9.42337
NPR 154.516313
NZD 1.74443
OMR 0.384505
PAB 1.006407
PEN 3.376408
PGK 4.550549
PHP 62.742999
PKR 278.944747
PLN 3.805425
PYG 5954.878299
QAR 3.658582
RON 4.589701
RSD 102.336695
RUB 84.24745
RWF 1484.92527
SAR 3.701375
SBD 8.000512
SCR 13.869667
SDG 601.496222
SEK 9.838415
SGD 1.275955
SHP 0.746965
SLE 24.640231
SLL 20969.491881
SOS 575.164311
SRD 37.752504
STD 20697.981008
STN 21.370224
SVC 8.806277
SYP 13002.000254
SZL 16.382675
THB 33.359725
TJS 9.283923
TMT 3.5
TND 2.946387
TOP 2.40776
TRY 48.67418
TTD 6.823643
TWD 31.908496
TZS 2655.927991
UAH 44.88157
UGX 3939.971477
UYU 40.489856
UZS 11865.271642
VES 845.45495
VND 25995.5
VUV 118.307083
WST 2.742913
XAF 571.973197
XAG 0.015673
XAU 0.000232
XCD 2.70255
XCG 1.813765
XDR 0.707052
XOF 571.973197
XPF 104.025016
YER 236.6497
ZAR 16.3266
ZMK 9001.198647
ZMW 19.750448
ZWL 321.999592
SSP 5658.175743
MXV 1.953756
A sede do ouro no mundo consome a Amazônia peruana
A sede do ouro no mundo consome a Amazônia peruana / foto: © AFP

A sede do ouro no mundo consome a Amazônia peruana

Às margens do rio Madre de Dios, as balsas, como mosquitos, sugam o solo dia e noite em busca de ouro. A mineração ilegal avança de maneira voraz sobre a floresta amazônica no Peru, grande produtor mundial do metal precioso.

Tamanho do texto:

Enquanto isso, selva a dentro, ou no que resta dela, cresce o conflito entre mineiros que disputam o ouro no frágil ecossistema da fronteira com o Brasil e a Bolívia.

Em Madre de Dios, no sudeste do Peru, a exploração é implacável, apesar da perseguição das forças de segurança. Desde 2017, esse departamento megadiverso de 180.000 habitantes perde em média cerca de 21.000 hectares de floresta por ano.

O preço internacional do ouro disparou nos últimos quatro anos até alcançar em abril seu máximo histórico. O apetite dos investidores aumenta a sede pelo metal no Peru, décimo maior produtor mundial de ouro e segundo na América Latina, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Onde antes havia vegetação hoje se abrem profundos buracos inundados de água avermelhada, com as chamadas balsas ou dragas que sugam montanhas de entulho em busca das finíssimas e valiosas partículas.

"Os membros da comunidade não podem mais plantar milho, banana ou mandioca aqui, porque essa terra está praticamente morta", lamenta Jaime Vargas, um líder indígena Shipibo de 47 anos e promotor do reflorestamento dos "desertos de entulho" deixados pela extração.

Embora a mineração seja proibida em seus territórios, os indígenas convivem com os garimpeiros que invadiram as terras, e alguns até trabalham com eles. "Mas o responsável é o Estado, por sua desordem" na fiscalização da mineração, denuncia Vargas.

A exploração desmedida, entretanto, leva a enfrentamentos.

- Ouro lavado -

No Peru, coexistem três modalidades de mineração: a formal amparada pela lei, a informal, em processo de legalização, e a ilegal.

Os ilegais são os maiores destruidores da floresta. Sua atividade financia o crime organizado que se impõe em regiões como La Pampa, um território sem lei e adjacente a uma das reservas ecológicas de Madre de Dios.

"Os mineiros ilegais estão nos invadindo por todos os lados", diz Lucio Quispe, de 40 anos, mostrando mais resignação que raiva.

Horas antes de falar com a AFP, seus dois irmãos, Robert e Reinaldo, foram supostamente atacados brutalmente a machado por ilegais quando delimitavam um ponto de extração com faixas vermelhas de perigo.

Até meados de junho, Reinaldo seguia hospitalizado em Puerto Maldonado, capital do departamento.

Os Quispe exploram uma concessão de 200 hectares a duas horas da cidade. Paradoxalmente, o mesmo Estado que lhes concedeu a autorização ainda não os reconhece como mineiros formais.

As três modalidades se sobrepõem entre si e as três alimentam o mercado aurífero. Em 2022, o Peru produziu 96 toneladas de ouro, mas foram exportadas cerca de 180 toneladas para o Canadá, Índia, Suíça e Estados Unidos, principalmente, segundo estatísticas oficiais.

"Cerca de 45% do que foi exportado não é contabilizado em registros de produção", alertou a superintendência que supervisiona os bancos peruanos e coopera contra a lavagem de dinheiro.

A OEA, em um recente relatório de sua divisão contra o crime organizado transnacional, apontou o coração do problema: tanto a mineração informal como a ilegal permearam o comércio do ouro peruano.

Estudos independentes colocam o Peru como o maior exportador de ouro ilegal na América do Sul, com 44%, à frente da Colômbia (25%) e Bolívia (12%), de acordo com o Instituto Peruano de Economia.

- O sacrifício -

Em 2010, o Peru demarcou um corredor de mineração de 5.000 km² para proteger as reservas de Madre de Dios, como Tambopata e o Parque Nacional Manú.

Dentro desse corredor, a mineração informal é excepcionalmente permitida até o final deste ano. Desde 2016, quando o tortuoso processo de legalização começou, as autoridades estenderam os prazos.

Dos 9.000 registrados até 2019 - quando o período de registro expirou - apenas 200 (2%) obtiveram uma licença, de acordo com Augusto Villegas, diretor regional de Minas e Energia em Madre de Dios.

No corredor de mineração, o ouro aluvial é extraído, o que envolve a remoção de grandes volumes de material para obter a "pérola ou botão" amarelo, explica ele.

Para cada 100 metros cúbicos de terra, são extraídos cerca de 10 a 15 gramas de ouro, com um valor por grama de até 63 dólares (quase R$ 332 na cotação atual).

"Mas não se pode fazer omeletes sem quebrar ovos; não se pode minerar em Madre de Dios sem sacrificar a floresta", ele reconhece.

Além disso, o mercúrio continua a ser usado indiscriminadamente, apesar de o país ter assinado um acordo internacional para eliminar gradualmente seu uso e, em 2015, ter proibido sua importação, o que incentivou o contrabando a partir da Bolívia.

- Oásis -

Embora a mineração ilegal esteja ganhando terreno na floresta, alguns pequenos produtores estão apostando no "ouro ecológico". Lucila Huanco rompeu com o mercúrio há três anos. Essa produtora opera uma concessão de 3.000 hectares perto da temida Pampa.

Com 54 anos de idade e mineira formal há dez anos, Huanco substituiu o mercúrio por mesas de gravidade, uma técnica que usa a gravidade para separar as partículas de ouro da areia.

Ela lembra que tomou a decisão por causa do preço excessivo que estava pagando ao único vendedor de mercúrio autorizado, enquanto os garimpeiros informais estavam obtendo seus suprimentos de contrabandistas. "É difícil ser formal em uma terra ilegal", resume ela.

Quando começou a produzir "ouro ecológico", ele se deparou com o mercado. Seu ouro tinha aparência diferente daquele processado com mercúrio e os compradores locais lhe davam menos.

Então, ela fez um acordo para fornecer a um cliente em Lima, que lhe paga cerca de 70 dólares (R$ 369) por grama.

Cercado pela mineração informal, Huanco se cansou do estigma: "Sinceramente, não quero mais que nos apontem como poluidores.

S.Jones--TFWP